Ninguém foge do que nasceu pra ser.

O tempo todo em que esteve no ar, The Carrie Diaries foi um presente. A série, que nasceu para contar o passado de um dos maiores ícones da cultura pop, tinha o melhor dos intuitos, mas o menor dos apelos. Sem criaturas fantásticas ou melancolia milionária, The Carrie Diaries além de falar de uma personagem que não alcança o público da CW, ainda se passava nos anos 80, um período onde muitos deles não tinham nem nascido.

Sobrou pra nós… O público de Sex and the City, o público que viveu os anos 80 ou buscou os anos 80, o público que não quer adolescentes com poderes, o público que busca o universo das séries teen, feitas com respeito e cuidado, como há muito tempo não temos mais a chance de ver. O único problema, enfim, é que nós, esse público, não temos o poder da multiplicação e condenada ao cancelamento, The Carrie Diaries chega no seu season finale pronta pra dizer adeus.

Se na primeira temporada houve alguns desvios, nesse segundo ano tudo foi conduzido com maestria. O foco da jornada de Carrie era o auto-conhecimento, a descoberta de quem era e de qual público ela queria alcançar. Esse ano foi o ano do olhar panorâmico, ainda mais do que no ano anterior, esse olhar que constrói as impressões da protagonista e que ela consegue, tão bem, transmitir para o espectador na forma de crônica cotidiana.

Por isso não tivemos muito foco na formatura. Quando os roteiristas estabeleceram, no penúltimo episódio, que  a personagem ia se deslumbrar pela independência precoce, já nos avisaram que as perspectivas de Carrie partem sempre da experiência, então, ela ia precisar viver o fracasso, para sentir o fracasso. Quem não sabia que ela ia se dar mal? Ela merecia essa puxada de tapete, já que a construção de seu ego perdia o controle e o futuro não poderia ser definitivamente afetado por isso. Carrie não podia pular etapas, fugir do crescimento gradativo.

Mas ela sofreu consequências sérias… O roteiro não a poupou com soluções de última hora que lhe devolveriam a faculdade. Carrie perdeu o emprego e só poderia tentar a faculdade novamente depois de 7 meses. Assim, parecia que a manobra pretendia entregá-la de vez aos braços de Sebastian, o que sempre foi meu pior medo. Ainda que exista para apenas se inspirar na série clássica, Carrie Bradshaw é uma instituição dramatúrgica que precisa ser reverenciada. Agora, definitivamente, não é o momento da menina se dar bem no amor ou construir fortes laços que perdurem. A visão tão crítica que ela terá, no futuro, sobre a assepsia afetiva de Nova York, tem que ser parte dela, ou ela jamais a compreenderia tão bem.

Talvez por ter isso em mente, os caminhos dessem season finale levaram Carrie até os três homens mais importantes pra ela, desde que a série começou. As ótimas argumentações entre ela e o pai tinham sempre o mesmo resultado. Ele, no entanto, encontrou no amigo que um dia foi um péssimo pai, a máxima que o ajudou a entender os conflitos da filha mais velha: os pais servem para quando tudo está perdido. Nesse aspecto, apenas mais um monte de acertos, até com Dorrit, que nunca foi tão carismática quanto nesse final.

Ir atrás de Weaver foi outro movimento natural de Carrie. Sem emprego, sem faculdade e com a possibilidade de deixar Nova York, a personagem precisa sentir-se afetada pelo que a define. Sebastian não é capaz de se comunicar com ela dessa maneira. Weaver não diz nada que ela já não soubesse sozinha, mas ele é um pedaço do destino urbano de Carrie e também um sinal de que ela não deve sair do lugar. A certeza, ironicamente, acaba vindo com o monólogo de Larissa no casamento. Quem das relações de Carrie representa tanto a cidade quanto Larissa?

Sendo assim, a segunda – e talvez última – temporada de The Carrie Diaries terminou com a melhor resolução de todas: o estabelecimento daquilo do qual a protagonista nunca poderia fugir: sua relação de amor com a cidade de Nova York. Anna-Sohia fez um trabalho simplesmente APAIXONANTE em toda a trajetória da série, mas sua emoção na última cena com Sebastian era tão palpável e real como nosso amor por essa personagem. Lindo demais….

O episódio foi bom em quase todos os aspectos. Continuo implicando com Mouse, que nem no season finale conseguiu um plot menos infantil, mas Maggie e Samantha brilharam com suas histórias de redenção pessoal. Maggie encontrou a felicidade num casamento e acho justo que os roteiristas tenham entendido que não há problema nenhum em construir a própria trajetória reconhecendo as próprias limitações. Já Samantha teve envolvimento emocional antecipado pela iminência do cancelamento. Sobre ela, só posso dizer que foi um prazer imenso acompanhar o frescor da personagem e o trabalho ESTUPENDO de Lindsey Gort.

Na última cena, o mesmo espírito otimista que encerrou tantos episódios de Sex and the City e que faz a gente sorrir e sentir uma felicidade genuína. The Carrie Diaries é uma série boa e que faz bem. Sermos privados de um trabalho tão bonito, tão dedicado, tão bem contextualizado é uma grande pena. Terei esperanças até o último instante… Essa não pode ter sido a última crônica da Senhorita Bradshaw. Nós merecemos e queremos mais.

The Last Page: E o casamento de Larissa no aeroporto? Achei INCRÍVEL!!

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