Parks deu uma melhorada. Glorifiquemos!

Eu fui assistir a esse episódio de Parks com um forte medo. Não é fácil ver uma série que você gosta tanto e com a qual engatou um relacionamento de quase cinco anos entrar em uma sequencia de auto-sabotagem. Para meu alívio, no entanto, esse 6×12 apesar de não ter atingido o ótimo nível da primeira parte da temporada e ter apresentado uma parcela de problemas, trouxe bons momentos e me deixou mais otimista quanto aos rumos a serem tomados nos próximos episódios.

Eu já tinha apontado nas últimas reviews que um dos dois graves problemas do retorno da série era o uso inadequado dos coadjuvantes. Vimos os roteiristas jogarem Donna, Ron, April e Andy para escanteio, o que fez com que o segundo problema ficasse em evidência, que era uma indecisão sobre o que fazer com Leslie com o fim de seu mandato. E o trunfo desse episódio veio exatamente do contrabalanço gerado pelo melhor uso de April/Andy e o resgate de Craig, que evitou que a trama insípida de Ann/Chris afogasse o episódio como um todo.

Mas antes de falar desses dois casais, vou recair sobre nossa protagonista. Que saudade eu estava de rir com as porralouquices que aparecem no caminho de Leslie e aquele merchandising pornoerótico da tenda de acelga do Mercado Verde de Pawnee já entrou para minha lista de favoritos. E o melhor foi a consequência gerada: o atrito entre Ben e Knope. O casal mantém uma relação bem estável desde os idos da quarta temporada, então toda aquela emoção de torcer para eles ficarem juntos já foi abandonada há tempos. Assim, considerei uma boa oportunidade de mostrar que a relação pode enfrentar certos obstáculos e, agora que Ben é o superior de Leslie, fico na torcida para que mais crises aconteçam.

Não, eu não sou um agente do caos a favor da destruição de lares. Eu simplesmente considero que fazer o casal enfrentar crises é uma forma de elevar o patamar narrativo de Parks, saindo do lugar comum e da fórmula estabelecida para ambos os personagens. Apesar disso, é inegável que o plot não foi explorado tão bem, pois muitas piadas não conseguiram engrenar e, da metade para o final, o estudo da relação de Ben/Leslie se sobrepôs ao humor.

Seguindo a dinâmica usual, Chris e Ann puxaram a graça do episódio para baixo. Faltando somente mais um episódio do casal na série, eu esperava que fossem criar um plot mais criativo do que Ann reclamando da gravidez. Isso é algo tão batido e clichê no universo da TV que minha mente entrou em um processo de nostalgia e ficou resgatando as boas memórias de Rachel grávida em Friends. Foi uma tarefa quase impossível manter a concentração no episódio toda vez que Ann aparecia. Inclusive, foi doloroso ver a grávida estragando a maravilha que poderia ter sido a reunion de Donna, Tom, Jerry e Ron no clube mensal do vinho e queijo. E, aqui, eu faço um apelo às galáxias para que os roteiristas entreguem um texto digno de despedida para Rashida Jones e Rob Lowe, para compensar um pouquinho o contínuo desperdício do talento de ambos os atores.

E vamos pensar e falar sobre coisa boa, meu povo! Vamo falar de April e Andy. Eita saudade que eu tava de ver meu casal favorito tendo espaço na série e com um plot decente, que deu espaço principalmente para Chris Pratt finalmente esbanjar talento. Tudo nesse plot esteve bem encaixado: o ménage narrativo com Craig rendeu belos diálogos (vide a existência de uma Queen B na 1ª série); a ingenuidade de Andy em não perceber que músicas que versam sobre drogas e sexo não seriam adequadas para festas de criança; e a forma que ele adaptou tudo para coisas (desviadamente) infantis, como colocar o dedo no nariz e esfreagr na cara do amiguinho, urinar na cama (e como ele fez isso até os 32 anos), não brincar com fósforos e o meu favorito – o retorno de BURT MACKLIN NA PATRULHA DO CHULÉ! E claro que Andy brincando com crianças só me fez lembrar da cena épica em que ele e um grupo de garotos entra para o Pawnee Goddesses <3

E esse foi o 6×12 de Parks and Recreation: um passo positivo na temporada que fez retomar o otimismo em relação a série. E agora a gente se vê na próxima semana com a despedida (Yay!) de Ann e Chris.

P.S.: Nick Offerman é um monstro mesmo: ele conseguiu tornar o simples ato de usar um iPod e fones de ouvido em uma piada impagável.

P.S.: Fiquei na expectativa de como a série fará o rearranjo dos personagens com a saída de Jones e Lowe. Torço para que isso signifique mais tempo de tela para Donna, a retomada da trama da paternidade de Ron e mais April e Andy.

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