Dois episódios, dois informantes expostos.
Chegamos à metade da temporada e Red tem muitas bolas no ar para cortar. Gostei da retomada no 10ª episódio, do jeito que Reddington cuidou de suas pontas soltas, é claro, muito mais rápido do que o FBI. Mas isso não surpreende a gente, que já está acostumado com o desempenho aquém da equipe mais trapalhona desde Didi Mocó e companhia.
Red é um personagem de muitas facetas e todas elas são irresistíveis. Do fanfarrão ao atirador McGyver para homem partido, todas elas são sinceras e por isso nos comovem e envolvem. O roteiro e a atuação merecem toda rasgação de seda, pois tornaram, pra mim, impossível odiar Red. E eu não me engano, ele é o vilão ali. Mas, nunca só isso.
Enquanto o resto do elenco não me empolga, as participações especiais para o papel de vilão da semana fazem o exato oposto. E em “Good Samaritan”, Frank Whaley não decepciona e interpreta um psicopata daqueles. Daquele que não pisca, que troca de persona como quem troca de calcinha, que me dá medo. Sua intencional ausência de expressão facial me deu calafrios, ele é apenas a carcaça do homem que não mora mais atrás daqueles olhos, visto que sua mãe o torturou até matar toda sua humanidade. Uma atuação fascinante e de arrepiar. Rolou uma vibe Norman Bates quando vimos o enfermeiro empurrar a mãe na cadeira de rodas, mas já reconheço em The Blacklist uma tendência a homenagear grandes vilões da TV e cinema. Vale mencionar que achei de uma fanfarronice perversa a imprensa apelidar esse assassino de “Bom Samaritano” só porque o moço ligava para a polícia para que eles tivessem a chance de salvar suas vítimas. Ele não matava, só quase. Diferente de Raymond, que matou McGyvermente os envolvidos no atentado que matou Luli e ameaçou a vida de outros queridos, nós não sentimos compaixão por Karl Hoffman, que também mata por vingança e nos traz um senso de justiça. Nos foi ensinado a gostar de Red, os outros vilões de The Blacklist não tem a mesma sorte.
Se o enfermeiro vingador foi uma distração digna para me fazer não reclamar por perder Red arrumando a casa por 40 minutos, o alquimista não teve o mesmo sucesso. Os últimos episódios foram tensos, a mudança de ritmo foi notável, mas isso não precisava comprometer a qualidade como aconteceu. E acho que todos os envolvidos estavam de acordo comigo, já que a história do assassino é pra lá de estapafurdia e o ator não é apenas pouco conhecido, ele é bem meia boca também. Foi a exceção para confirmar a regra das participações literalmente especiais. Para mim, ficou a sensação de que não se esforçaram com o nome da semana, nem se incomodaram em disfarçar isso. Com Red procurando – e encontrando – o informante do time do FBI e a tal Lucy Brooks sensualizando com Tom, quem é que queria saber do homem que alterava DNA? Por sinal, UAU, forçaram a amizade com essa história e explicação.
Sobre o dedo-duro do FBI, para mim, os dois possíveis nomes eram Aram e Meera, e fiquei bem dividida de qual eu preferiria que fosse o informante. Achava que Red iria tratar seja quem fosse com a mesma gentileza que concedeu a Skinny Pete/Grey, mas se ele (ainda) não matou Meera é porque tem planos e utilidade para ela. Yay para a gente, que não perdeu nenhum dos personagens que mesmo com pequenas participações, já tem a empatia do público.
Informantes expostos, o plot muda para Lucy Brooks, que chega disfarçada de Jolene, a professora substituta que não transa com homens casados (a ser posto a prova nos próximos episódios) e me convence de que ela não conhece Tom. Então Tom não conhece Red nem Lucy/Jolene, mas Red conhece a moça, pois foi ela que ele investigou quando Cooper lhe dá acesso ao Programa de Apreensão de Criminosos Violentos. Em The Alchemist, Red segura o anúncio do óbito de Lucy no jornal, terá ela usado os serviços do alquimista? Será que a pessoa transformada em Lucy pelo alquimista foi assassinada pelo Stewmaker? Ainda não sabemos de quem é a foto que Red tirou daquele álbum de vítimas. Será Lucy a filha de Red? O que liga Red a Tom e a Lucy? Isso não é uma grande coincidência. Só eu estou tonta com tantas perguntas?
São esses nós na cabeça que me fazem gostar tanto de The Blacklist e o cuidado em costurar todas as pistas dadas ao longo dessa metade de temporada só aumenta a expectativa de como eles irão desembaraçar tudo isso. Afinal, suspense é bom porque tem fim, você só pode prender a respiração até certo ponto.















