Sobre mulheres.
Existe uma dinâmica muito estranha em Banshee que me incomoda um pouco: a maneira como a série aborda suas mulheres. Em um primeiro momento, elas são caracterizadas como mulheres fortes, independentes, capazes de tudo, capazes de enfrentar qualquer homem, seja de maneira intelectual ou física. O grande problema da série, é que em determinado momento, todas elas padecem, culpa de uma força maior, chamada Lucas Hood. É impressionante como ninguém consegue resistir ao protagonista. Rebecca, Nola, Carrie, Siobhan, todas são enfraquecidas ao chegar perto de Lucas Hood, dando a entender que o personagem é uma espécie de kriptonita, que ataca o desejo sexual e transforma qualquer mulher, antes forte, em um pobre animal, cuja única vontade é saciar sua fome. Banshee quase acerta em construir mulheres fortes, mas peca feio ao fazer com que a maioria delas sejam tão submissas ao homem que praticamente as controla. O sexo casual faz parte da constituição da mulher moderna (e do homem também), mas não consigo ver Banshee usar isso de forma orgânica.
O próprio episódio consegue transmitir esse sentimento: Carrie precisa de Hood até mesmo em sua viagem para a prisão, trata-se de uma fraqueza emocional que a família da personagem não consegue suprir, até aí tudo bem, pois o longo envolvimento acabou gerando um senso de confiança entre os dois. Independente disso, Carrie depende de Hood, enquanto ele, já não parece ter as mesmas intenções que se via no início da série, em relação ao seu antigo grande amor, aqui, a necessidade é muito mais emocional do que sexual. Outro momento que transmite esse sentimento é o resgate de Rebecca, se não fosse pelo magnífico xerife, ela estaria nas mãos do (provável?) grande vilão da temporada, que apesar de ser cruel, também é sensato o suficiente para não se encrencar com Hood sem grandes necessidades. O interessante é que apesar da série não saber lidar perfeitamente com suas mulheres pelo motivo que antes citei, ela consegue acertar por inúmeros outros: a audácia de Nola ao capturar e libertar Rebecca; Carrie e Siobhan demonstrando aptidão para lidar com seus respectivos problemas e até mesmo Rebecca e sua vontade de ter uma vida mais fácil e moderna, o grande problema desse ponto, é que a personagem talvez procure isso no seu tio, em uma relação estranhamente luxuriosa e sexual.
Um ponto positivo que estampa o início da segunda temporada é a abertura da série à interpretação do espectador, se na temporada passada a série nos dizia (através de diálogos, intenções e ações) que Lucas Hood era o “mocinho” e que Mr. Rabbit era o “vilão”, nessa, deixa em aberto: Alex Longshadow, Lucas Hood, Kai Proctor, Racine, todos estão nesse emaranhado de tramas que provavelmente se encontrarão, e que até agora não deixa claro quem deverá se transformar no grande antagonista, e quem se aliará. O que fica claro é que Banshee é explosiva, e no decorrer da temporada, é muito provável que essa explosão vá aumentando, encaminhando-se a um ápice narrativo muito empolgante. É difícil ver séries utilizarem o senso de urgência de forma tão interessante como Banshee utilizou no fim da temporada passada. Espero que repita nessa.
Tratando especificamente da direção de The Thunder Man, fica clara a competência dos realizadores da série. A maneira como as cenas de luta que Lucas Hood trava ao resgatar Rebecca são feitas de forma muito diferente do que se está acostumado a ver em outras séries, deve-se elogiar Antony Starr (ou seu dublê?) pela dedicação e pelos movimentos tão bem feitos. O escritor que vos fala não suporta cenas de luta, pois elas tendem a se estenderem muito e perderem seu propósito, mas alguns planos-sequência apresentados nas lutas e a força e violência dos atores tornam tudo mais legal, mais real e consequentemente, mais divertido.
Outras observações:
A série parece disposta a esquecer que Carrie tinha uma nova família. Isso seria maravilhoso, pois Gordon, Deva e Max não fazem falta alguma.
Racine, o grande personagem da premiere, sequer deu as caras nesse episódio. Espero que seu sumiço seja compensado em grandes momentos que estejam por vir.
Cena pós-créditos: O sorriso de satisfação e alívio de Siobhan após destruir seu ex. Grande personagem, boa atriz, trama interessante. É bom vê-la com mais tempo de tela.
Ah, e vai uma sopa de carne aí? Está borbulhando.
















