
Após uma pausa de duas semanas, em que pudemos ver como é um mundo sem Glee, Wheels vira o jogo e se mostra como o episódio mais melancólico da série até agora. Mas que fique bem claro que meu pênis continua funcionando.
Spoilers abaixo:
Muita coisa aconteceu nesse episódio, e todas ou estavam relacionadas com dinheiro, ou com a diferença. Pela primeira vez tivemos o foco no Artie, e não sei se se lembram, mas ele foi o único do Glee Club que não chegamos a ver a audição. Ele sozinho na cadeira de rodas cantando Dancing With Myself foi de uma doçura comparável aos bolinhos emaconhados do Puckerman. Esse por sua vez lutou para mostrar-se responsável e assumir o bebê da Quinn. Eu não sei vocês, mas se eu fosse o Finn e descobrisse que tô me fingindo de paralítico para bancar um bebê que não é meu eu fazia a loca e jogava a Cheerio na cova da Sue, no mínimo.
– Você acha que isso é difícil? Tente fazer um teste para Baywatch e ouvir que eles estão indo em outra direção, isso sim é difícil.
E quem diria, Sue Sylvester tem um coração. Bom, acho que todos sabíamos, na verdade, e o tom de engajamento social do episódio já levava a crer que isso fosse acontecer. A primeira vez que eu vi a garota com Down comprando o doce eu fiquei com medo do Ryan Murphy fazer o Manoel Carlos e termos uma cena numa aula de biologia ensinando que eles também são pessoas normais. Mas verdade precisa ser dita, acho que esse negócio do politicamente correto já me afetou tanto em relação a isso que qualquer cena da garota eu não ria, dava um sentimento esquisito de culpa. Talvez seja só comigo.
Continuando no eixo do Grupo de Debate de opressões, tivemos também o Kurt sofrendo preconceito. Interessante a série não apelar em nenhum momento pro drama fácil do pai querendo heterizar ele na bifa, e se ele é o único pai que aparece na série, pelo menos é um pai bastante bacana. Mas eu ainda acho que deveria ter no mínimo uma cena do Kurt com os pais gays da Rachel, imagina se fosse um número musical?
No meio de todos esses temas era imaginável que os ditos “normais” que não são gays, deficientes ou grávidos ficassem um pouco de lado. Rachel e Finn tiveram algumas frases soltas, e a Emma nem deu as caras. Só sinto saudade mesmo da Terri e sua vozinha angustiante. O próprio Schuester nem toca mais no tema da gravidez, quando que vai ter a troca do bebê da Quinn pra ela?
Agora se houve um porém nesse episódio foi o fato dele ter sido um dos menos musicais de todos, o que comparado a carga dramática nem é tão alarmante. Não dá pra cantar o tempo todo também, né, vamos guardar pras seletivas. E no histórico que a série vem construindo, essa diminuição de ritmo não poderia vir em hora melhor. Por mais engajado, crente e triste que o episódio tenha sido, cada diálogo, cada personagem mantém a essência irônica e subversiva da série. Eles precisavam ganhar dinheiro para o cadeirante ir em um ônibus especial. Causa nobre, mas só conseguem a partir do momento que colocam maconha no bolo. É a série invertendo as regras em prol de sua personalidade.
No mais foi um episódio preparador de terreno, para conhecermos mais ainda aqueles personagens que estamos vendo toda semana, para que nos nacionais, a cada nota cantada, a cada passo ensaiado, torçamos juntos como torcemos pela audiência da série, pela renovação para uma segunda temporada. Nesses nove episódios tivemos grandes momentos brilhantes, mas também tivemos algumas passagens um pouco pedregosas. Mas nessa altura do campeonato todos sabemos que, mais do que tudo, Glee é uma série com alma, e garanto que mesmo procurando nessa fall season por produtos mais bonitos ou descolados, é aqui no clube dos perdedores que o melhor da televisão atual está sendo feito.













