
Em 24/09/2009 estreava a série que prometia ser o grande hit da Temporada. Grande parte do hype em cima de FlashForward foi gerado pela própria ABC, que vendia a série como A “Nova Lost”. Depois de um ótimo piloto, a série começou a despencar de nível e cometer vários tropeços e foi massacrada nos comentários da maioria dos blogueiros, o que não foi diferente aqui, no Série Maníacos, onde as reviews tinham muitos comentários, a maioria criticando a autora, Paula Potter. E é nesse clima que me apresento: Sou Thiago Leal e a partir de hoje farei as reviews de FlashForward.
Spoilers Abaixo:
Vamos estabelecer algumas regrinhas no nosso começo de relacionamento? Escrevo uma review porque acho interessante a dinâmica que gera, já que “verei a visão” de outras pessoas sobre o que eu achei, portanto sou bem honesto em minhas OPINIÕES e espero o mesmo das outras pessoas. Perceberam o destaque na palavra? “Opinião” pessoal e subjetiva, e ninguém divide uma mesma sobre um mesmo fato. Portanto não há opiniões certas nem erradas, apenas divergentes. Tratarei todos os fãs da série com o maior respeito e espero o mesmo de vocês, para comigo. Mas se não tratarem, não me importo. Podem pedir minha demissão, mandar ameaças, boicotar minhas reviews, o que for… Levo a sério cada linha que escrevo em cada uma das minhas reviews e sei medir suas conseqüências. Sempre fui assim, e o Michel sabe disso, portanto sabia o que fazia quando me convidou para assumir as reviews de FlashForward… E eu aceitei o convite dele de coração aberto, com a maior boa vontade mesmo. E prometo tratar a série com o mesmo respeito que trato The Vampire Diaries, The Good Wife, Lie To Me, e como tratei The Beautiful Life..
Lendo as reviews antigas da Paula, sou obrigado a concordar com ela em vários defeitos da série. Respeito muito a visão dela, e a conheço o suficiente pra saber que tudo o que ela escreveu não foi pra irritar ninguém e sim para fazer o seu trabalho da melhor forma possível. E é exatamente desse ponto que parto para começar a minha review, de onde a Paula parou, sem desconsiderar nenhuma linha do que ela escreveu…
Verdade é que FlashForward teve um ótimo piloto e depois uns 4 episódios bem ruins, chatos, sonolentos. No sexto episódio a coisa melhora um pouco, e melhora mais ainda no sétimo, que foi o melhor episódio depois do piloto. E fico triste de ver que o nível da série voltou a cair nesse oitavo, que foi mais um episódio chato.
Fico triste por ver o potencial que o episódio tinha. De um lado tínhamos Lloyd e Simon num pequeno duelo para decidir se revelavam ou não ao mundo que eram os culpados pelo apagão. De outro lado, no FBI, Mark se aproximava de pistas que o ligariam diretamente aos acontecimentos de seu FlashForward. Pra completar, ainda tínhamos Tracy, filha de Aaron que está viva, e tinha aparecido no outro episódio, num cliffhanger típico da série. Era tanta coisa para acontecer em um mesmo episódio que poderia ser algo único, que nos prendesse por 41 minutos na tela. Mas não foi isso que aconteceu, já que é um fato que os roteiristas da série são péssimos, e não sabem aproveitar o imenso potencial que têm em mãos.
Não foi um péssimo episódio, foi razoável, pouco acima que os primeiros, bem abaixo dos dois últimos. Faltou adrenalina, explosão, correria, desespero… Porque, infelizmente, é isso que me prende à série. E não deveria ser. A Paula já tinha cantado essa pedra, mas venho aqui repetir. Para mim, o pior defeito de FlashFoward é que o seus personagens não são nada carismáticos. Sempre focaram o roteiro no apagão, suas causas, suas conseqüências, e deixaram os personagens como meras ferramentas para se contar a história do apagão. Se no próximo episódio decidirem explodir toda a cidade e passar a investigação do Mosaico para uma agência do FBI de New York, não sentiremos a mínima falta de Mark, Demetri, Olivia, e Cia. Não conhecemos os personagens, não nos apegamos às suas histórias e não nos interessamos por nada com acontece com eles. Mark vai voltar a beber? Huuumm, que pena pra Olivia, nem sei como ele era quando bebia, mas devia ser ruim, ela não gostava… Ah, o Aaron achou sua filha? Huuum, legal, seja feliz hein? E assim por diante… São estranhos que só servem para mostrar o que aconteceu com o mundo em 6 de Outubro, e seus dramas pessoais não me interessam, muito menos me afetam.
Talvez por isso, por essa falta de ligação da maioria dos personagens com o público, que eu goste tanto do Simon. É o único que tem um mistério, que tem uma áurea negra que o cerca, que nos desperte interesse. Todos os outros foram empurrados goela abaixo logo depois do piloto e nós simplesmente tínhamos que aceitar eles e seus dramas desinteressantes. Mas não o Simon, está nele uma promessa de ligação de um personagem com o público. O que, se seguirem o caminho desse episódio, não vai acontecer. Foi bem chato ver ele jogando poker TODO O EPISÓDIO, até suas frases sem sentido, que eu adoro, perderam a graça, quando era só isso que acontecia de interessante. Foi desnecessário, os mostrassem começando a jogar e a cena final, onde ele perde que estaria bom. Assim não teriam desgastado a imagem do personagem.
Toda a trama do FBI era outra que eu apostava. Afinal, depois da morte de Al, e do recebimento da carta por Celia, o mundo ficou sabendo que era possível sim mudar o futuro. Essa era uma trama que, bem trabalhada, poderia dar um gancho de uns 5 episódios. Imaginem só a onda freqüente de suicídios e homicídios que não aconteceria se as pessoas quisessem mudar algo que, eventualmente, aconteceria e não seria bom? Imagine o Estado de Selvageria que se instalaria no mundo se todos fossem se vingar de quem foi o responsável pela morte de uma pessoa querida, daqui a seis meses, ou uma pessoa que não agüentaria viver com o que viu, como Al? Infelizmente, essa “nova esperança” só serviu pro Mark bancar o babaca e matar sem dó um cara que poderia ser o que ia invadir o seu escritório, daqui a seis meses. Prendendo o cara e interrogando-o ele ganharia muito mais. Poderia até descobrir sobre aquela sociedade das tatuagens de estrelas e do anel feioso (que o Suspeito Zero também usa) que vimos no final do episódio.
E uma dúvida: Será mesmo possível mudar o futuro? Quem garante que Celia não morrerá amanhã ou depois de outra forma, por culpa de outra pessoa que não seja o Al? Ou, se o Mark conseguir matar todo homem com tatuagem de estrela no braço, quem garante que não contratarão outras pessoas para matá-lo? Essa dúvida é algo muito grande para a série e eu espero que seja respondida e, sobretudo, que seja BEM respondida.
No geral, definiria o episódio como morno. Como disse, a série já mostrou que pode ser bem pior, mas também mostrou que pode ser ligeiramente melhor. O que está faltando é uma reação dos produtores e do próprio canal. Afinal, ela vem recebendo duras críticas e a audiência cai cada vez mais, e ninguém lança um projeto grandioso desse para vê-lo tropeçar nos seus próprios levantamentos e se tornar uma piada. Ainda é o começo e há chances de salvação para FlashForward. Uma reconstrução dos personagens e uma contratação de novos roteiristas seriam capazes de salvar a série. E é o que eu aguardo, porque eu não assisto a nada que eu não confie, e ainda confio MUITO no potencial de FlashForward, por isso continuo assistindo.
P.S: Eles estão começando a abusar do recurso “To Be Continued” nos FlashForwards. Nós pensamos que vimos o flashforward completo da pessoa e dois episódios adiante descobrimos que tem mais coisa pra ver. Foi o telefonema do Al no episódio passado e nesse foi a conversa de Aaron com o médico do lado de fora da gruta/caverna/whatever. Se for interessante o que eles têm pra mostrar eu aprovo, se não, parece desespero, já que eles não têm mais como repetir o FF da pessoa, então colocam a “Parte 2”.











