Três vivas para o Team Adam!
Na temporada passada, Blake Shelton conseguiu algo que foi considerado uma proeza: manter seus três pupilos no programa até a chegada do Top 6. Ok, o mérito de Blake acabou sendo considerado maior porque seu time não era lá grande coisa, e, mesmo não sendo, seguia avançando e eliminando cantores mais fortes e mais preparados. Independentemente disso, ver Adam Levine com seu time intacto até agora é motivo de sobra para acender o otimismo do fim do cantor e, quem sabe, a esperança de vê-lo finalmente vencendo seu segundo The Voice.
E a semana do Top 6, que foi relativamente equilibrada em termos de apresentações, com destaques e decepções quase em igual proporção (dica: uma cantora não decepcionou nem um pouco, muito pelo contrário!), os candidatos do Team Adam acabaram mostrando por que mereceram chegar até aqui (ou até mesmo mais longe, quem sabe?).
Will Champlin segue como o underdog favorito de todos os tempos no The Voice, e, apesar de uma tentativa boba de tentar criar um “At Last 2.0”, acabou se dando bem devido a uma escolha bastante original de seu coach. James Wolpert vem sofrendo críticas (inclusive da minha parte) por não ter lá os vocais mais controlados do mundo, mas sua voz é cheia de personalidade e individualidade, e tem potencial para surpreender. Já Tessanne Chin é hors concours. De longe a melhor cantora da competição, Tessanne vinha sofrendo do mal que eliminou Judith Hill no Top 8 da última temporada. Agora que já está no Top 6, a cantora precisa provar semanalmente que tem, sim, o carisma e a personalidade necessárias a um bom artista.
E nada melhor para um time tão diverso do que chegar ao Top 6 e poder mostrar uma qualidade que eu muito admiro em cantores de reality: versatilidade. Isso porque, pela primeira vez na temporada, é hora de vermos duas apresentações de cada cantor numa mesma noite, e o que sempre espero é que essas apresentações se diferenciem ao máximo possível entre si. Alguns conseguiram isso com muito sucesso, outros nem tanto, mas certamente foi uma semana cheia de altos e baixos em termos de performances, que foram divididas em duas categorias: escolha do coach e dedicatória (que nada mais era do que uma escolha do próprio candidato com uma declaração a alguém que ele quer homenagear). Sempre considero a escolha do artista como algo de peso maior na competição, já que, fora do programa, ninguém terá os coaches do The Voice escolhendo músicas por eles. Assim, dividi as apresentações nesses dois grupos e fins rankings separados para cada um. Tendo em mente que a escolha do próprio candidato pesa mais na minha torcida, vamos a elas:
ESCOLHA DO COACH
6) James Wolpert – I’d Do Anything For Love (But I Won’t Do That) [Meatloaf]
Posição no iTunes no encerramento da votação: #34
Estranha. Essa é a melhor palavra para definir a performance que fechou a noite, mas abre a review da semana como a pior do Top 6. A escolha da música foi ruim (brega demais!), os passos de dança de James foram bizarríssimos, e o cantor não deu conta do tempo da música e acabou perdendo o ritmo em alguns momentos mais complicados. Aliás, essa questão do tempo até chamou mais a minha atenção do que a da afinação (que costuma ser um problema facilmente detectável nas apresentações de James), e nesse sentido até fiquei surpreso quando Adam afirmou que o cantor estava doente. Não que eu goste desse tipo de desculpa em competições de canto. Ora, todos os artistas passaram por uma baita maratona a esta altura, e certamente estão cansadíssimos, então usar o sistema imunológico como critério pra dar ou não desconto para problemas nas performances não parece ser realmente justo.
5) Cole Vosbury – Rich Girl (Hall & Oates)
Posição no iTunes no encerramento da votação: #16
Tecnicamente, não encontrei motivo algum para criticar essa performance de Cole, mas simplesmente achei o cantor extremamente desconectado, automatizado, apenas cantando para cumprir tabela. Esse é, aliás, um dos grandes problemas da maioria dos cantores que já passaram pelo Team Blake, então, no fim das contas, apatia talvez seja uma qualidade para a maioria dos espectadores do The Voice, mas eu sinto falta daquele Cole que ousava, que se desafiava, do Cole que tinha coragem de pegar uma canção de Miguel e mandar ver.
4) Matthew Schuler – When A Man Loves a Woman (Percy Sledge)
Posição no iTunes no encerramento da votação: #38
Ok, um clássico como esse é o tipo da performance que tem tudo para salvar a semana de alguém como Matthew, alguém que emplacou uma canção como “Hallelujah” na primeira colocação do iTunes. Mas, depois do bottom 3 da semana anterior, a verdade é que o encanto de Matthew parece ter se quebrado, e tudo em torno de “When a Man Loves a Woman” soou como desespero: da escolha musical de Christina à notável tentativa de Matthew de passar boa parte da música no limite superior de sua extensão vocal. Não dá para não se lembrar de Joshua Ledet, do American Idol, que entregou uma performance épica dessa mesma música parecendo fazer muito menos esforço. O próprio Trevin Hunte, da terceira temporada, apesar de extremamente datado, fez um trabalho vocal mais interessante do que Matthew aqui. E, depois de vê-lo sendo salvo no Top 8, eu esperava algo incrível, e não receber mais do que um bom trabalho foi um pouco frustrante.
3) Will Champlin – Hey Brother (Avicii)
Posição no iTunes no encerramento da votação: #27
A segunda apresentação de Will foi seu real grande momento na semana do Top 6, com uma canção pouco conhecida que permitiu que ele mostrasse toda a sua versatilidade, proporcionando-nos tanto momentos com vocais mais limpos como trechos com uma voz mais rasgada, mais áspera. Concordo com Adam Levine quando ele diz que o lance de Will é desafiar os limites entre gêneros musicais, e achei essa canção uma excelente escolha do coach para mostrar isso. Adam pode ter demorado um pouco, mas parece estar realmente investindo bem em seus pupilos nos últimos tempos, não é verdade?
2) Tessanne Chin – Redemption Song (Bob Marley)
Posição no iTunes no encerramento da votação: #13
É incrível como Adam Levine, que é tradicionalmente conhecido por arruinar os cantores excepcionais que escolhem seu time, conseguiu encontrar o tom certo para Tessanne Chin, que desde o Top 8 vem conseguindo se livrar do estigma de excelência técnica com ausência de carisma e transformando-se em uma aposta bastante possível para levar o programa. Tessanne acariciou nossos ouvidos com sua “Redemption Song”, acertando absolutamente todas as notas com precisão cirúrgica, como sempre, mas principalmente entregando uma performance cheia de sentimento e de emoção, livre de firulas vocais, o que nos deu o que todo artista deveria nos dar sempre: a capacidade de mergulhar na performance, curtir a música e sua mensagem e esquecer de absolutamente todo o contexto. Não consigo mais ver Tessanne fora da final depois dessa performance (não no mundo maravilhoso de Luiz Gustavo Cristino, claro, porque no cruel mundo do The Blake Shelton Show, ah se dá pra ver todos esses bons cantores fora da final!).
1) Jacquie Lee – Cry Baby (Janis Joplin)
Posição no iTunes no encerramento da votação: #20
Semana após semana, eu reclamo de candidatos sendo repetitivos e fazendo mais do mesmo. Mas vou precisar fazer o que eu tanto abomino e, pela enésima vez, repetir o quão embasbacado fico a cada performance de Jacquie Lee! Como essa menininha toda fofinha consegue fazer coisas assim? Uma canção assim poderia ter sido a perdição de Jacquie na competição, poderia ter sido uma performance vazia como foi a de “Back to Black” em tempos de Jacquie verdinha, mas a cantora conseguiu conjurar a força necessária para interpretar uma lenda como Janis Joplin sem deixar nem um pouco a desejar e entregando não só a performance mais empolgante como também a mais tecnicamente perfeita da noite! Desde o Top 20 não consigo imaginar Jacquie fora da final, e é se jogando em performances como essa que ela reafirma essa minha convicção semana após semana. Eita alegria!
ESCOLHA DO CANDIDATO
6) Matthew Schuler – Story Of My Life (One Direction)
Posição no iTunes no encerramento da votação: #43
O que aconteceu com Matthew Schuler??? One Direction está no seleto grupo de artistas cujas versões originais podem ser facilmente superadas por covers, e por isso fiquei muito surpreso por ver alguém como Matthew fazendo uma versão absurdamente pior do que a dos rapazes do 1D. Não consigo afirmar categoricamente que o problema foram os arranjos, talvez o próprio Matthew tenha tido um desempenho vocal ruim, apenas, mas o fato é que os primeiros versos estavam tão baixos (e não estou falando de volume, embora aqui uma coisa tenha afetado a outra) que mal parecia que a música tinha começado. Aí o coral (que é algo que eu amo em realities musicais, só que ao contrário) entrou e fez com que a voz de Matthew desaparecesse completamente. “Ah, ok, quando subir o tom essa situação muda”, pensa o telespectador mais otimista. Pois não aconteceu. Matthew subiu, subiu e continuou sendo ofuscado pelas milhares de vozes atrás dele. Aliás, mesmo que não fossem tantas vozes, sinto que Matthew teria sido ofuscado por quem quer que estivesse cantando com ele ali – talvez até mesmo o próprio One Direction.
5) Jacquie Lee – The Voice Within (Christina Aguilera)
Posição no iTunes no encerramento da votação: #46
Ok, é muito fofinho ver Jacquie homenageando sua coach dessa maneira, até porque nenhuma canção combinaria mais com ela em termos de perfil do que “The Voice Within”. Mas Chris Mann, finalista de Christina na segunda temporada, já havia feito essa mesmíssima homenagem na ocasião e, além da sensação de deja vu, não consigo não reconhecer que a performance de Jacquie deixou muito a desejar não apenas à versão original como também à do próprio ex-participante. Aqui, pela primeira vez achei a voz de Jacquie realmente estridente demais – talvez devido à minha familiaridade com cada detalhe da canção original e por saber que ela segue continuamente crescente em relação aos vocais, do início ao fim – e logo no meio da canção já comecei a entrar em pânico, preocupado com a voz de Jacquie no momento em que a menina chegasse até o assustadoramente alto trecho final da música. Até que Jacquie errou menos notas do que eu esperava, mas ainda achei o resultado um pouco aquém do que ela entregou até agora. Definitivamente, não foi uma boa escolha.
4) Will Champlin – A Change is Gonna Come (Sam Cook)
Posição no iTunes no encerramento da votação: #25
Da série “o que NÃO fazer em um reality musical”: você, um cantor de pop rock, inesperada e merecidamente estoura com um clássico do soul e, na semana seguinte, tenta repetir o fenômeno escolhendo outro clássico. Meu principal sentimento durante a performance de Will foi “Cara, move on!”. “At Last” foi incrível, sem dúvida, mas boa parte do brilho daquela performance teve a ver com a surpresa. “A Change is Gonna Come” foi uma apresentação respeitável, mas nem de longe teve o impacto de sua antecessora. Talvez se Will tivesse ficado ao piano, teríamos aproveitado melhor sua performance – e sem dúvida alguma não teríamos tido o sofrível começo dos primeiros versos, ocasionados novamente pelo “senta-levanta” que Will já mostrou que não dá conta de fazer. No mais, o cantor alcançou notas ambiciosas, como Adam adora dizer, mas parte da performance pareceu um pouco estridente demais para o estilo dele. O fato é que o momento dos clássicos do soul já passou, e é hora de Will aproveitar o fato de ter chegado às fases de se apresentar duas vezes por noite e tentar trazer uma outra novidade, ousar novamente, e não se prender a um estilo específico.
3) Cole Vosbury – Better Man (James Morrison)
Posição no iTunes no encerramento da votação: #21
Ok, ainda não podemos dizer que “Better Man” teve aquela dose de originalidade da qual venho sentindo falta em Cole. Mas, por menos memorável que tenha sido a performance, não podemos negar que ela foi belíssima, que Cole claramente sentiu cada palavra que cantou naquele palco, independentemente da história triste apresentada sobre o cantor dedicar a música a alguém que partiu seu coração. Pra mim, foi mais do que suficiente para fazer com que Cole merecesse estar de volta no Top 5 (não que os Blakettes se preocupem com isso). Em tempo: o que foi aquela alfinetada de Blake Shelton em cantores como Jacquie, Tessanne e Will ao dizer que “não é uma questão de segurar notas altas”? Inacreditável!
2) James Wolpert – Fell In Love With a Girl (The White Stripes)
Posição no iTunes no encerramento da votação: #48
Ok, agora é hora de reconhecer que James Wolpert conseguiu fazer uma senhora escolha e entregar uma apresentação que tirou uma perfeita vantagem das suas forças. Sua versão folk de “Fell In Love With a Girl” caiu como uma luva tanto para sua voz como para a mensagem contida na canção, e achei que a voz de James deu muito mais vida ao personagem por trás dessa letra do que a própria versão original, o que é a minha maneira de dizer que James Wolpert finalmente emplacou uma de suas músicas na minha biblioteca. James não é perfeito vocalmente e nunca vai ser, mas será que a própria versão do The White Stripes faz algum tipo de alusão à perfeição? De forma nenhuma, e, por essa sábia escolha e excelente execução, declaro James Wolpert merecedor de mais uma semana na competição.
1) Tessanne Chin – Unconditionally (Katy Perry)
Posição no iTunes no encerramento da votação: #30
Agora, sim, estamos falando de alguém que consegue pegar canções ruins de vocalistas ruins e transformá-las em algo absolutamente incrível! Tessanne Chin é mesmo uma força da natureza, uma cantora que não conhece limites para sua capacidade. Em sua tentativa de arrancar o máximo possível de uma música que não permite muita demonstração de bons vocais, Tessanne acabou surpreendendo, usando sua voz na potência máxima e entregando uma performance digna de qualquer grande show ou premiação mundo afora. Aliás, dá até vontade de voltar no tempo e trocar a própria apresentação de Katy Perry no AMA pela de Tessanne, não? Seria um ganho para nós em todos os aspectos possíveis!
Assim, encerram-se as apresentações do Top 6, e com aquela sensação de “tudo pode acontecer”. Ok, nem tudo: James certamente estaria no bottom 2, enquanto Cole certamente estaria salvo. Mas o resto podia, sim, acontecer, e eu não apenas previ que Matthew seria o companheiro de James a disputar pelo Instant Save como também torcia para que o cantor do Team Xtina fosse eliminado, infelizmente, porque a decepção nesta semana não foi pequena. Mas será que o público do The Voice deu uma segunda chance a Matthew?
RESULTS SHOW
No results, duas coisas interessantíssimas que vale muito pontuar: nossa sempre linda Kelly Clarkson (que veio do American Idol e mesmo assim Carson tem a pachorra de chamar de família!), grávida e maravilhosa, e o retorno daquela fofura chamada Xenia, da primeira temporada. Ok, foi uma canção aleatória de Natal, o que significa que não foi grande coisa (até porque nem precisava), mas é bom ver Xenia de volta ao palco do The Voice depois de 2,5 anos (e não tão bom ver que em 2,5 anos ela continua tão tímida e sem jeito como era quando entrou. Seria bacana ver mais ex-The Voices no programa, espero que eles comecem a convidá-los.
O resultado em si não foi diferente do esperado: Matthew e James no bottom 2. Desta vez, porém, eu não tinha noção de quem sairia vencedor, e ainda estava apostando um pouco em Matthew. Mas, no The Voice, as votações não são tão tradicionais assim. Se na concorrência alguém do bottom 3 que acabou escapando dificilmente sai na semana seguinte, no The Voice esse detalhe é exatamente o contrário: ninguém salvo pelo Twitter conseguiu mais do que uma semana de sobrevida, e não há porque ser diferente com Matthew, que entregou performances muito aquém do que já estávamos acostumados. Ainda assim, torci para que ele fosse salvo (e, segundo o Twitter do The Voice, a diferença entre os dois nos votos do microblog foi menor que 1%!!!), já que não consigo não pensar em “Hallelujah”, Cosmic Love” e “Wrecking Ball”, todos trabalhos excepcionais que deveriam ter garantido, no mínimo, um Top 5 para o rapaz.
Assim, Christina passa a ter apenas uma cantora, enquanto Adam preserva seus 3 no Top 5 (um recorde oficial no programa!). Isso significa que o Team Adam está desde já garantido na final, mas alguma coisa me diz que o vocalista do Maroon 5 manterá a tradição e perderá 2 integrantes do time ao mesmo tempo no Top 5. Vamos ver!
12 – Jonny Gray
11 – Josh Logan
10 – Austin Jenckes
9 – Kat Robichaud
8 – Ray Boudreaux
7 – Caroline Pennel
6 – Matthew Schuler
5 – James Wolpert [7; 9; 7; 6]
4 – Cole Vosbury [8; 3; 3; 5]
3 – Will Champlin [4; 6; 5; 4]
2 – Tessanne Chin [6; 7; 4; 3]
1 – Jacquie Lee [1; 1; 2; 1]

















