O que continua positivo mesmo é só o teste.
Se na semana passada alguns ficaram aborrecidos com a analogia entre Homeland e uma rapsódia, creio que minhas “firulas” podem continuar a ser atacadas, porque diante de um episódio como esse, determinar o que essa série se tornou está praticamente impossível. Ela se estica, se retorce, se debate, mas parece que o mais certo a se fazer é abandonar tudo que já foi vivido e recomeçar. Em pleno episódio seis, a temporada permanece completamente perdida, provocando tensões que eram falsas, revelações que não se sustentam e andando em círculos na sua porção conspiratória.
A dinâmica de Homeland sempre foi a de nos perturbar com surpresas na manga. Mesmo que muito de sua defesa apaixonada parta do princípio do “essa é uma série reflexiva e humana”, não podemos esquecer que ela não é só isso, ela não nasceu pra ser só isso. Homeland sempre quis ser grande, global, explosiva, chocante. Esses são adjetivos que precisam ser ponderados, porque eles não servem apenas para descrever blockbusters. A quantidade imensa de prêmios vencidos pela série são a prova de que ela agregou à essas descrições, minimalismo, fé cênica e profundidade. Ela foi tudo isso e fez tudo isso dar certo.
Agora, no entanto, a série parece vítima de si mesma. Still Positive foi um episódio que terminou de descaracterizar tudo que a série foi e que jogou as pás de cal definitivas na verossimilhança dos últimos eventos. A começar pela sessão de Carrie com Javadi, que foi a comissão de frente desse enredo truncado. Estava claro que ela não ia passar pelo detector de mentiras e então mais uma parte do embuste é revelado: ela já sabia que confrontaria Javadi com a informação de que ele tem o rabo preso com seu país e com isso, conseguiria dele sua rendição. Até ai tudo bem, desde que toda a desmoralização de Carrie e o risco a que ela foi submetida, tenham sido para capturas relevantes.
Saul então desliza de sua relação naufragada para um latente senso de amargura. De uma hora pra outra, do nada, ele tem um “relacionamento” prévio com Javadi. O homem o traiu derramando sangue inocente, Saul se vingou tirando sua mulher e filho de suas rédeas… E de súbito eu não sei mais o que pensar. Carrie nos informou que o plano com Saul virou realidade quase imediatamente após o ataque creditado à Brody, mas ninguém nos explicou se Saul já sabia que Javadi era seu alvo ou se isso foi uma cósmica coincidência. Se ele já sabia, os roteiristas de novo confundiram “surpresa” com “desvio de continuidade”, e lançaram a ligação entre eles na nossa cara, se esquecendo do quão deslocada ela parece no contexto dos acontecimentos.
No meio disso tudo, começo a achar que o novo diretor da CIA tem razão e as coisas estão bagunçadas mesmo. Até porque, de novo, o sistema da agência falha vergonhosamente e Javadi consegue outra vingancinha pessoal indo assassinar a esposa que Saul salvou. Tudo me parece tão frágil nesse plano, nessas estratégias… Tudo parece tão errado. Uma célula terrorista explodiu dezenas de inocentes e isso já era motivação suficiente para a CIA ir atrás de qualquer um. Porém, os roteiristas de Homeland acharam que precisava de mais e Javadi vira um vilão chapado, que serve apenas para tirar Saul de sua frieza costumeira.
E ainda teve o pânico daqueles testes de gravidez de Carrie. Eu quero entender porque uma mulher inteligente como ela continuaria gastando tempo e dinheiro com uma quantidade imensa dos mesmos testes, e ainda por cima colecionando. Só pode haver um pedaço perdido de informação. Somado à isso, está o medo de que isso signifique um fruto do relacionamento entre ela e Brody e que sinceramente, seria o último prego do caixão. Não pode ser isso, até porque, vamos pensar bem: um bebê não teria aparecido no tempo em que ela esteve internada? Ela não o teria perdido por conta do tratamento agressivo? Mas se não tem bebê, porque os testes? Um bebê seria a razão para parar de novo com os remédios?
À iminência de um novo herdeiro, Brody perde o mais problemático deles. Dana continua sua saga de repúdio ao sangue, mudando de nome para não ter mais que viver “aquela vida”. Por um lado foi bom Jessica não ter feito barulho, porque isso significaria mais tempo de tela. Porém, qual mãe nesse mundo seria tão ponderada a respeito? Desconfio que Dana precisava mais de limites do que de 300 dólares. Se essa partida fosse definitiva, ótimo, mas não será. A família Brody não tem nenhuma função e nenhuma tensão, mas está ali, resistindo. Ou o patriarca volta logo ou esses personagens viram “fantasmas” medíocres, à sombra do que já foram um dia (menos o Chris que nunca foi nada mesmo).
Vou parar de me lamentar sobre não ser positivo, porque a série não está me ajudando. Ficamos vários episódios achando que o rompimento de Carrie e Saul seria histórico pra série. Depois ficamos excitadíssimos achando que o “recrutamento” de Carrie resultaria num mergulho profundo e enriquecedor dentro das células terroristas. E então, vimos tudo acabar assim… Carrie sofreu o pão que o diabo amassou para pegar um cara de quem Saul quer se vingar, que é o segundo no comando e que não tem bosta nenhuma a perder, o que significa que não precisa falar. Vão precisar tornar Javadi muito mais importante que isso, se quiserem que o samba onde enfiaram Carrie valha a pena de fato.
Sinto muito aos que ainda estão positivos… Ultimamente tudo aquilo que Homeland acha que está fazendo bem, eu coloco numa gaveta de esperanças, igualzinho a Carrie. Uma gaveta de resultados que poderiam ser promissores, mas que não importa o quanto fiquem guardados, dificilmente vão mudar.
Please Dana Die: … Só isso mesmo. Just Die.















