Sempre há um “Plano B”…
Acho que é isto o que mais me encanta na família Original: sua capacidade organizativa de criar planos mirabolantes e executá-los, predominantemente de maneira correta e vitoriosa. Com Klaus, Rebekah e Elijah sempre há um plano B, um plano C, um plano D… E sempre há detalhes não revelados, jogadas surpresas e cartas na manga, o que torna a tarefa de acompanha-los prazerosamente gratificante.
E isso foi provavelmente o grade destaque dos Mikaelson durante sua passagem por The Vampire Diaries, a capacidade que tinham de se organizar, criarem planos e executá-los com maestria, enquanto que os outros personagens da série – predominantemente adolescentes e estúpidos – tinham capacidades completamente oposta, de executar de maneira errônea seus planos que nunca davam certo. Não tiro esse mérito da turma de TVD, as execuções erradas davam razão à reviravoltas e improvisações que fizeram da série o maior sucesso da história de CW e arrecadou milhares de fãs para Elena, Stefan, Damon, Bonnie, entre outros. As trapalhadas da turma de Mystic Falls é a razão de seu sucesso perante o público e, até por isso, a chegada dos Originais à pequena cidade mudou TVD completamente… Exatamente por estes últimos serem o extremo oposto dos “garotos” da cidadezinha… E entre garotos e homens a guerra é injusta.
Até por isso, pela injustiça em colocar em lados opostos a nobreza e maturidade dos Mikaelsons contra o despreparo e infantilidade de adolescentes que estão descobrindo agora o que é um vampiro, um lobisomem, uma bruxa e, sobretudo, os limites dos poderes de cada um, surgiu a necessidade de criar-se The Originals, série que, desde o tom a fotografia e a fluidez do roteiro, até a percepção da real dimensão do tamanho de Klaus, Rebekah e Elijah neste mundo fantasioso, é competente em criar um mundo em que esses vampiros exercem de fato sua superioridade em um mundo no qual são a realeza. Afinal, Klaus é um híbrido-Original e merece bem mais do que resolver problemas em bailes escolares de uma pequenina cidade.
E seguindo essa linha, de Klaus buscando o trono que lhe é de direito em New Orleans, já começamos o episódio agilmente, com o híbrido executando um plano para reaver o corpo do irmão Elijah ao mesmo tempo em que enfraquece a força de Marcel, utilizando, para tanto, seu charme aristocrata e a suposta amizade com o vampiro.
Sobre este ponto em específico, preciso assumir que estou surpreso. De início, não acreditei que fosse possível Klaus suportar por tanto tempo fingir abaixar a cabeça para Marcel… Achei que em pouco tempo a raiva lhe subiria à cabeça e ele meteria os pés pelas mãos. Ledo engano. Klaus utilizou sua inteligência a seu favor e, sem diminuir muito o seu tom, criou laços com Marcel – quem ambos sabem serem fracos – e, pelas suas costas arquiteta seu plano de vingança, seja derrubando um de seus aliados ou reavendo sua confiança. E a partir desse episódio eu entendi: Klaus guarda todos os desaforos que está tendo que aguentar apenas para, no momento oportuno, quando derrubar Marcel sem que esse percebesse que estava sendo traído, deleitar-se por sua vitória. Ou seja, Klaus aguenta as coisas calado agora para poder comemorar mais ainda mais tarde. Afinal, o híbrido nunca deixou de ser um sádico.
E aqui, é claro, merece todos os aplausos do mundo Joseph Morgan que é um ator espetacular e domina seu personagem como ninguém. A ligação entre ator e personagem, a esta altura, é bem maior do que apenas pelo roteiro. Joseph entende Klaus, sente como o Klaus, reage como o Klaus. E este é um trunfo absurdo de The Originals. Enquanto outras séries iniciantes têm de lidar com atores que ainda estão conhecendo seus personagens, em TO temos dois exemplares que já convivem com seus personagens há uns 3 anos. Isso se torna visível na incrível caracterização de Klaus feita por Joseph, a variação no tom de voz, a forma como carrega o perigo quando está mais aveludada, a forma como anda, como se porta – que mais lembra um príncipe – os olhares, o trejeito, a forma como acentua o sotaque britânico quando se apresenta a alguém pela primeira vez, a mudança nas feições que antecedem uma explosão… Bem, não conheço Joseph pessoalmente, mas sei que tudo o que eu enumerei agora não vem dele, vem de Klaus.
Seria injusto se não elogiasse também Claire Holt. Claro que Klaus é um personagem muito mais sombrio e profundo do que Rebekah, o que só facilita para que Joseph Morgan brilhe ainda mais na sua composição charmosa de um vampiro que fica entre um vilão e um anti-herói, qualquer que seja ele, ambos carismáticos. Mas Claire não fica atrás e, entre todos os membros da família Original é a que melhor interage com Klaus. Acho que Elijah é o melhor oposto para Klaus, quando olhamos apenas as personalidades, mas, no que diz respeito as ações, Rebekah é a única capaz de realmente peitar o irmão.
E se há uma característica predominante de Rebekah é a força. Ela é uma personagem poderosa e determinada, capaz de se unir a Klaus para salvar Elijah ao mesmo tempo em que mantém distância considerável do irmão em quem não confia. Ela é aquela a atirar pedras em Nik, mas também é aquela que protege suas costas. É aquela que lhe atinge, mas também estende os ombros para o irmão se lamentar, quando é necessário. E Claire Holt faz uma composição tão simples de Rebekah que nada disso soa forçado e, mesmo com uma personagem no limbo da indecisão, tomando atitudes contraditórias, Claire consegue fazer isso com competência para entendermos quem exatamente é Rebekah, o seu desejo por um amor, seu coração bom e o poder de sua família em sua vida.
Juntamos então essas duas personalidades distintas interpretadas por dois atores competentes e vimos, nessa semana, Klaus e Rebekah iniciarem um plano para reaver o corpo de Elijah. Plano este que contava com a ajuda de Sophie, que deveria tentar localizar Davina, e as artimanhas de Klaus para destruir o grupo de Marcel por dentro, além, é claro, de Rebekah desenvolvendo o seu melhor papel, o de bitch, levando Camille para tentar fragilizar o vampiro-rei do Qarter.
Como o texto já está bem grande, pulamos todas as articulações do plano, que passaram basicamente a partir da importante descoberta de que Thierry, braço direito de Marcel, tinha um romance com a bruxinha Katie – em um interessante link com o episódio anterior, com a história da tentativa de aborto de Hayley – e chegamos a parte final do episódio em que, enquanto rolava uma impressionante festa de caridade, Rebekah e Klaus afim de forma a tentar encontrar Davina e o Elijah.
A festa, além da superprodução, teve direito a algumas excelentes cenas entre Klaus, Rebekah, Marcel e Cami, que já figura no centro da série ao ser um potencial ponto de desequilíbrio na série já que, além de Marcel, Nikklaus também já demonstrou certo interesse na garçonete. O problema, por enquanto, é apenas a ausência de uma trama própria que a transforme numa personagem interessante, já que até aqui pouco sabemos sobre o seu passado ou sobre a razão dessa paixão fulminante que a moça despertou em Marcel, e só temos visto cenas da moça sendo usada e depois hipnotizada, como se fosse um objeto. Mas não chega a ser uma coisa tão absurda afinal, o público gosta de mocinhas e sendo The Originals uma série tão cheia de personagens dúbios, quando Cami tiver sua história contada, certamente será bem recebida.
Assim, no final, tivemos mais um plano bem sucedido de Klaus que, acabou deixando claro que queria bem mais eliminar a desconfiança de Marcel sobre ele do que recuperar o irmão. Ainda assim, tivemos a promessa de Marcel de que devolveria Elijah, sendo o vampiro impedido por Davina, que revelou que não abrirá mão do Original enquanto não mata-lo. Para Klaus, não chega a ser um problema já que, ambicioso como sempre, acabou revelando à irmã que quer bem mais que apenas o reino de Marcel… Quer também sua arma secreta. Quer Davina.
Óbvio que as bruxas também não são bobas e se preparam para alguma reviravolta já que sabem que com a saída de Marcel não terão vida fácil com Klaus… E assim tivemos aquele cliffhanger em que, durante o enterro de Katie, foi revelada a pequena sessão de bruxaria com Hayley para descobrir o sexo do bebê que acabou com a bruxa em transe e Hayley burríssima tentando traduzir o que ouviu pro Russo, Catalão, Croata e outras línguas europeias sem sequer desconfiar que se tratava de latim, porque né gente? Bruxa, coisa e tal, línguas mortas… A lobinha nunca leu Harry Potter na vida?
Mas para o bem de Hayley, eu fiz o trabalho dela usando o translate e tentando ouvir o que a bruxa fala. Não fui tão perfeito na tarefa de escutar e fui dar uma pesquisada em fóruns gringos da série, chegando a duas possíveis frases: “Auces infantm malom. nos omnia perdetu ell eam”(OBSERVE ATENTAMENTE está criança é o mal. Nós perderemos tudo) ou “Hoc est infantim malom. Nos omnia perdetu et eam” (Este bebê é o mal. Nós todos perderemos seu herói)…
Não sei nada de latim, mas sou mais competente que Hayley em usar o Google Translate e, mesmo que a sintaxe não faça muito sentido e sobre um “herói” ali meio a parte, sei que “infantim mallom” não é uma boa perspectiva para o primogênito de Nik que deve ser, literalmente, o filho do capeta!
Assim, fico desde já no aguardo do nascimento do pimpolho e do convite pro batizado! Nos vemos semana que vem!
P.S.: Aliás, bem apagadinha a lobinha na série por enquanto, não? Entendo que pela gravidez não querem expô-la para proteger a criança, mas podem dar função melhor pra ela do que ler o diário do Elijah que, mesmo sendo um ótimo recurso narrativo não foi tão útil assim à trama… E outra coisa sem sentido: protegem-na, mas deixam Sophie exposta quando, na verdade, as duas estão conectadas.
P.S. 2: E por falar em conexão, alguém mais achou que, na cena do ataque de Katie à Marcel, ele estava conectado com Davina? Não sei se a bruxa enfraqueceu apenas para tentar salvá-lo, mas eu senti que a mesma ligação que liga Sophie à Hayley existe entre Davina e o vampiro.
P.S. 3: Falando em Marcel, vamos ganhando a cada semana novas informações sobre o vampiro. O “jardim”, por exemplo, ao qual Thierry foi condenado a ficar por 100 anos pela sua traição é uma catacumba, cheia de vampiros presos, sofrendo pela pena que lhe foi aplicada pelo Juiz, Jurí e executor Marcel.
P.S. 4: Klaus explicando para o vampiro novo o que é hipnose e o poder da verbena de bloqueá-la entra naqueles exemplos de explicações para o público novo que o povo de TVD já sabe… Mas a cena ficou até bem feita e nem um pouco absurda, já que o cara é mesmo um vampiro novo e não sabia nada disso.
P.S. 5: Falando em Público TVD x Público TO, pelos comentários eu vi que a grande maioria de vocês, leitores, se não assistem TVD já assistiram por um tempo, então abortei a ideia de fazer uma sessão de links com a história dos Originais em TVD… Mas sempre que achar necessário fazer referências à série-mãe eu farei e quero um retorno daqueles poucos que NUNCA A VIRAM pra saber se o texto está claro o suficiente para os novatos nesse universo.














![The Originals 5×13: When The Saints Go Marching In [Series Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2018/08/The-Originals-5x13-218x150.jpg)
