One Move. Lights Out.
Antes de começar a analisar este episódio, vou fazer uma rápida recapitulação do que achei do episódio anterior. O season finale da décima quarta temporada não chamou muito a minha atenção e acho que durante seus quarenta minutos não nos mostrou muito a que veio. O final, que foi sua melhor parte, foi bastante óbvio em minha opinião. Mas, mais do que isso, um episódio não pode se firmar como season finale só por nos deixar com um cliffhanger como aquele, em que Benson está encurralada em sua própria casa com uma arma apontada para seu rosto.
Em comparação com o season finale da temporada anterior, que teve Cragen drogado e acusado de assassinato, este foi um episódio bem parado e que me deixou sem entender muito bem o seu objetivo até o final. Para mim, os episódios anteriores à season finale se mostraram mais interessantes do que o último episódio em si.
No entanto, como o caso ainda não havia sido finalizado o roteiro ainda tinha a chance de nos surpreender com o Season Premiere da décima quinta temporada. E foi exatamente isso que aconteceu. Os primeiros quarenta minutos de um episódio duplo que deu início a mais uma temporada de SVU foram muito bem utilizados pelo roteiro, que nos trouxe o contraste entre uma narrativa ágil, com os detetives, e uma narrativa sombria, que mostrava Benson tentando sobreviver.
A agilidade com que todas as informações do previously foram passadas já era um aviso da rapidez de narrativa que veríamos no restante do episódio. Agilidade esta que foi extremamente bem utilizada porque o espectador não se sentia perdendo nenhuma informação, apenas entrava naquele clima dos detetives que estavam com os nervos à flor da pele em sua busca incansável por Olivia. Outro fator que evidencia a qualidade desta narrativa é o contraste entre tal rapidez e as cenas em que Benson aparecia, que pareciam frear um pouco a narrativa, mas sem uma quebra de ritmo.
Surrender Benson mostra a que veio em seus momentos iniciais, quando vemos a detetive presa em sua própria casa e sendo torturada por um dos criminosos que, provavelmente, mais suscitou ódio nos espectadores. Não porque ele por ser considerado mais psicopata ou mais perigoso do que outros que já vimos, mas pela maneira como ele agia com as sua vítimas, o seu ar de superior e seu sorriso debochado. Personalidade que foi explorada desde o episódio anterior, principalmente na cena em que Olivia o interrogou. Além disso, o personagem ainda possui um caráter manipulador e inteligente, de alguém que não só fez o que fez, como também foi capaz de escapar da justiça em diversos casos.
E vê-lo fazendo agindo desta forma com a detetive Benson foi extremamente angustiante. E aqui, Mariska Hargitay merece um elogio em sua atuação, que mesmo sem falar uma palavra mostrava em seu olhar uma mistura de ódio, raiva, tensão e medo, que a personagem estava sentindo.
Para mim a cena mais assustadora do episódio não foi a que Olivia bate em Billy com a barra de ferro que havia retirado da cama. Mas sim a cena exibida momentos antes em que a personagem conversa com ele e diz que saberia como agradá-lo, mas que ele tinha medo de mulheres como ela. A iminência de uma cena que nenhum dos espectadores queria ver estava ali, presente a cada palavra que a detetive falava. O que o roteiro fez muito bem já que ninguém queria se deixar acreditar que Benson seria estuprada e estava com os olhos fixos na tela esperando para ver o que aconteceria.
Outra cena forte foi a que a personagem começa a falar de Elliot para Billy, o que me surpreendeu porque o personagem não era citado há muito tempo. O que me fez pensar na falta que ele faz no seriado. Não para as investigações, porque acredito que o time atual foi muito bem trabalhado e funciona bem junto. Mas sinto falta dele em sua interação com Olivia, na cumplicidade dos personagens.
No entanto, a pior cena do episódio, que sabemos que deve ter sido a mais angustiante para Olivia, não nos foi mostrada, que foi a senhora sendo estuprada na frente da policial, que não pôde fazer nada para ajudá-la e ainda teve que assistir a tudo que aconteceu. A maneira de o roteiro encaixar uma cena como essa foi muito boa, porque ouvir tudo isso da boca da vítima foi horrível, porém, acredito que exibir uma cena como essa não era necessário.
Antes de comentar o final deste episódio, vamos ao outro lado da narrativa.
Diferente das imagens escuras e do silêncio que vivenciamos nos momentos em que Benson aparecia, os outros detetives pareciam estar em outro universo. Um universo em que as cenas eram mais claras, repletas de diálogos, e tudo acontecia em um frenesi. Tudo acontecia com uma agilidade precisa, as informações eram passadas rapidamente, os detetives agiam com uma rapidez misturada com intensidade de brutalidade. Mas foi tudo tão bem feito que não houve a sensação de uma velocidade exagerada.
Agora, vamos as desfecho de Surrender Benson. O desfecho deste episódio jogou com a moralidade do personagem de Olivia. Sempre ouvimos de todos os detetives, em todos os seriados policiais, que as vítimas devem acreditar na polícia e no sistema de justiça ao invés de tentar fazer justiça com as próprias mãos. Porém, é lógico que quando o caso envolve os detetives ou seus colegas e família, essa afirmação muda de perspectiva e sempre entramos em uma área em que nada está em preto e branco, ou é julgado como certo e errado.
Portanto, mesmo que essa barreira entre vingança e justiça já tenha sido quebrada anteriormente em SVU, a maneira como isso aconteceu neste episódio foi muito intensa. O desejo de Olivia em fazer justiça com as próprias mãos foi muito bem explorado, assim como a insanidade em seu olhar quando a personagem olha seu reflexo no espelho e volta para o quarto onde Billy estava com a barra de ferro na mão.
Se a detetive tivesse atirado nele no momento em que consegue escapar da cama, todos teríamos entendido a cena como defesa, no entanto, ao escolher algemá-lo na cama e mais tarde espancá-lo com a barra de ferro, a mensagem muda. Naquele momento, Benson era um ser humano com sede de vingança e não apenas uma detetive com senso de moralidade aguçado. Aqui, fica claro que o lado animal da personagem venceu, mesmo que momentaneamente, já que a detetive não mata Billy.
Além disso, achei outro acerto do roteiro tê-la feito escapar sozinha, evidenciando a força que Benson possui. Uma força que está presente desde o início do seriado e que só se prova mais forte a cada momento de sua vida.
Agora, vamos a segunda metade deste episódio duplo. Eu fiquei em dúvida sobre a validade destes 40 minutos, que vieram não como uma continuação do caso anterior mas como um retorno de Benson ao squad room. Acredito que Imprisoned Lives veio para amenizar a intensidade com que tudo aconteceu no episódio anterior, um objetivo que consegue completar porque nos faz desviar o foco do que havia acontecido e focar no que estava acontecendo naquele momento.
Porém, ao fazer isso, ao mesmo tempo nos impede de processar direito tudo o que havia acontecido. Acho que teria sido melhor exibir estes 40 minutos na semana seguinte e não imediatamente após o Season Premiere.
O episódio vem para nos mostrar como Olivia estaria após tudo o que aconteceu, como a personagem lidaria com a sua vida e, principalmente, como seu trabalho e com os outros detetives. Os flashbacks e a loucura ainda aparente em seu olhar em algumas cenas, como no momento em que ela está interrogando a personagem chamada de “Ma”, foram bem utilizadas.
Mas como todo o foco do episódio e também do espectador estava em Benson, o caso fica bastante de lado. Até por isso, o considero bem simples e óbvio, sem maiores dificuldades os reviravoltas interessantes. O que foi feito de propósito para que a atenção estivesse em Olivia e as suas reações ao caso.
Dito isso, o episódio concluiu o objetivo a que veio. Só achei que o momento que escolheram para exibi-lo foi um erro.
PS: Em função da pergunta da leitora Flávia, na minha última review, fui pesquisar um pouco mais sobre o personagem de Munch e sobre o ator que o faz: Richard Belzer. Assim como você, Flávia, e também como muitos outros espectadores assíduos da série, a lenta, porém, constante, tentativa de afastar Munch do roteiro principal também foi percebida. A verdade é que não acho que o personagem tenha um espaço dentro da série. Apesar de ser sargento ele só aparece tomando decisões quando Cragen não está presente para tomá-las. E como detetive ele também não encontra seu lugar, não tendo um parceiro fixo e sendo pouco utilizado pelo roteiro. Não sei muito bem porque sua situação chegou a esse ponto, mas não encontrei nenhum motivo pessoal ou de saúde do ator para suas poucas aparições. A única coisa que encontrei foi que o ator já interpretou Munch em outros seriados, como: Homicide: Life on the Street; Law & Order, Law & Order: Special Victims Unit; Law & Order: Trial by Jury; 30 Rock; The X-Files; Arrested Development; Jimmy Kimmel Live!















