Realmente não tenho do que me queixar desta season finale de Longmire.
Após apresentar uma temporada bastante consistente dentro de sua proposta, a dúvida era se Longmire conseguiria nos trazer uma season finale que correspondesse às expectativas geradas, e confesso que fui positivamente surpreendido, e isso tendo em vista que eu já tenho plena confiança nos roteiristas da série.
Eu vi neste episódio tudo o que faz a série ser boa e a diferencia dos demais procedurais: novamente a cultura cheyenne estava em evidência, mas aqui veio para ajudar a desenrolar um dos arcos da trama, que é o atropelamento de Cady, além de desenvolver também um pouco do principal mistério da série, a morte de Martha.
De fato, esta season finale serviu para aproximar todos os arcos da série, revelando alguns mistérios, mas principalmente para abrir um novo grande mistério, e nos dar as diretrizes dos personagens para a próxima temporada. Incrivelmente, tudo funcionou e deu liga neste episódio, mesmo abordando tantas tramas paralelas.
Novamente tivemos um caso que foge um pouco da fórmula tradicional da série, uma vez que não nos é apresentado um caso da semana, assim como ocorreu no episódio Election Day, tendo aqui aparentemente um suicídio, mas tanto Walt como Branch sabem que pode haver um dedo a mais nesta história. O caso, apesar de simples, foi o suficiente para manter o público interessado na trama, principalmente com o desaparecimento do corpo. Algo que vem me agradando muito desde o episódio acima citado é como vem se desenvolvendo a relação entre o xerife e seu assistente. Gostei quando Branch finalmente desembuchou toda a verdade para Walt de suas suspeitas sobre o acidente de Cady. A cena da captura de Branch pelo Mathias teve algo de cômico, me lembrando um adolescente problemático que o pai tem que ir buscar.
Eu já havia levantado a hipótese, em uma review anterior, de que Henry não estava por trás da morte do assassino de Martha e que ela teria sido morta por encomenda, e que o assassino matou Miller para cobrir os rastros. Claro que ainda pode sair muito coelho deste mato, mas Walt já está compartilhando de minha teoria, e a menos que tenhamos alguma grande reviravolta, a próxima temporada deverá nos trazer essa abordagem de forma muito mais incisiva. Enquanto isso, ficamos roendo os dedos (porque as unhas já foram faz tempo) para ver o que acontecerá com Henry, preso pelo detetive Fails.
Além do arco envolvendo a morte de Martha, também tivemos um melhoramento na abordagem do arco de Vic e Ed Gorski. Também o mistério da natureza do relacionamento entre eles foi um pouco mais desnublado, revelando ao público algo que muitos poderiam ter achado óbvio, mas confesso que eu não: Vic e seu algoz tiveram um trelelê no passado. A participação de Sean foi irrisória, fazendo apenas o papel do marido ciumento, mas a participação de Ed Gorski começou a dar margem para o tipo de participação que eu estou esperando do personagem. Finalmente ele está se revelando pelo que é, e pela primeira vez consegui vê-lo como uma ameaça de fato (talvez o ótimo trabalho de maquiagem tenha ajudado na impressão). Ver o trabalho que Hector fez na cara de Gorski foi estupendo, tanto na parte de make-up como nas consequências que isto trará para a série. “See you soon” deixa claro que o personagem retornará na terceira temporada, e deverá ser um dos principais vilões a infernizar a vida dos nossos cowboys no condado de Absaroka. Fico muito feliz com a escolha de Lee Tergesen para um papel tão importante, pois certamente o personagem não merecia ser deixado nas mãos de um ator qualquer.
Outro ponto positivo para o ótimo roteiro foi o personagem Hector ter servido de ponte entre o arco principal (não apenas do episódio, mas de toda a série) que é a morte de Martha, e o arco da Vic, com a surra sofrida pelo Gorski. Embora houvesse uma questão ética de fundo, sobre entregar o verdadeiro culpado ou não, isso foi apenas um gancho para a revelação de que realmente Henry não matou Miller, e agora, nem o mercenário Cheyenne.
Além disso, os últimos cinco minutos do episódio se mostraram belíssimos, praticamente coroando o ótimo episódio, com a música de fundo que chama muito a atenção e os cortes de imagens, entre Henry sendo preso pelo detetive Fails e Walt quebrando o escritório, além da Vic carregando a arma, como que esperando Gorski invadir sua casa, tudo isso numa aura meio slow motion que agrega e muito a estética do episódio. E quando parecia que estávamos tendo o final perfeito, temos aquela cena do Branch baleado. A despeito do que eu disse na chamada da review, acho que o único final melhor seria se o episódio tivesse interrompido abruptamente sua narrativa no momento em que Branch pede ajuda ao Walt pelo telefone, muito embora a cena com o então falecido caracterizado como um Dog Soldier tenha sido belíssima.
Com um episódio que encerra de forma digna a segunda temporada desta ótima série, podemos esperar uma terceira temporada ainda melhor, principalmente se a série mantiver o que a torna legal, em especial quando trata da cultura indígena da região, mas também explorar de forma mais enfática seus arcos, principalmente a morte da Martha e o retorno de Ed Gorski.
Em tempo 1: DOG SOLDIERS: Eram uma das seis sociedades militares Cheyennes, servindo de resistência à expansão americana no Kansas, Nebraska, Colorado e Wyoming, onde se passa nossa história. Espero que a série explique melhor a mitologia, costumes e crenças indígenas, como o “suicídio” de David Ridges para voltar no tempo e consertar seus erros.
Em tempo 2: Com a confirmação de que Longmire foi renovada para a terceira temporada, espero nos encontrarmos aqui na cobertura da próxima temporada. Espero que tenham gostado da minha cobertura até aqui. Como diria Gorsky: See you soon!






















