O celular cuja bateria não acaba nunca.
A vida é o resultado das nossas escolhas. Essa máxima é a premissa para o sétimo episódio de OITNB, que mostrou ser genial na arte de emocionar e terrível na arte de fazer flashbacks e contou pra gente a história das escolhas burras tomadas por Watson e das escolhas sábias tomadas por Piper.
Uma das melhores ideias de Jenji Kohan ao criar OITNB foi decidir que seria legal se cada episódio voltasse no tempo para contar um pouco mais sobre uma de suas personagens. Assim como era feito em Lost. É uma pena que ela não esteja sabendo executar de forma apresentável essa ideia.
Em Blood Donut, a oportunidade de conhecer o passado de Watson serviu de base para estruturar o arco de vários outros personagens. A ex corredora, em busca de aceitação social, abriu mão de um futuro promissor para se aventurar com o único menino que demonstrou interesse por ela. Tudo bem, a própria série em si já é uma lição de que tudo na vida tem consequências. Estamos falando de uma prisão. Mas esse episódio teve algo a mais. Fez o público sentir que, mesmo que haja resultados ruins para as nossas escolhas, não há motivo para que a vida não seja vivida. É tudo um enorme jogo de política e tratamento. Por isso, sabemos que o mundo é dos espertos. Mas também é dos honestos. E também é dos ricos. Piper é um exemplo disso, fazendo com que a pista de corrida seja aberta novamente. Alex é um exemplo disso, colocando Pensatucky no lugar dela com a melhor ameaça já feita na história da televisão mundial. E, por falar em honestidade, Yoga Jones é um exemplo disso. Fiel à sua verdade, pegou Watson pelo braço e mostrou pra ela a importância de se perdoar. Porque a vida segue. As merdas acontecem e a gente tem que lidar com elas.
O conselho das prisioneiras, por sua vez, não aconteceu como Piper planejava. Nessa onda de destrinchar a arte da política e das causas e consequências, a loira fez o que estava ao seu alcance para atingir seus objetivos. Tal atitude, que obviamente vai desencadear um rolo bem pesado com o Mr. Healey, foi colocada em cena no momento mais oportuno possível. É justamente essa relação que pode gerar o clima que precisa para entravar um belo final de temporada. O timing de OITNB tem sido bastante impecável no desenvolvimento da trama de Piper. Mas tenho estado bastante preocupado com o andamento dos flashbacks. A série é um amontoado de características super incrivelmente boas estruturadas de uma forma questionável. Explanando: de todas as séries que assisto ou já assisti, Orange é a que tem a maior quantidade de personagens que eu adoro.
O problema é que são muitos personagens disputando um espaço pequeno de tempo para desenvolver plots. Com isso, esses flashbacks se tornam superficiais e desnecessários. O que não aconteceu antes, com Sophia ou Red, quando ainda não havia tanto personagem para trabalhar.
Blood Donut foi importante para o desenvolvimento da série justamente no que se trata em timing para desenvolver as tramas. Diferente dos últimos episódios, tomou seu tempo e contou para o público a história da personagem da vez e teve cuidado para fazer com que esse flashback tivesse uma relação com os acontecimentos em Litchfield. Fiquei bastante feliz em ver isso acontecendo. Mas também preocupado com a possibilidade de OITNB cometer esse erro novamente no futuro.
Em tempo de lésbicas: Até eu fiquei com tesão com a ameaça que a Alex fez de dar um orgasmo inesquecível para Pensatucky. Melhor cena do episódio, de longe.
Em tempo de demissões: Produção, peço encarecidamente para demitirem o cabeleireiro dessa série. A pessoa que fez o aplique da Watson não merece respeito nem da tia do salão de bairro ali da esquina.
Por falar em cabeleireiros: 26 cortes de cabelo em 2 anos? Caraca, Rihanna!!!
















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