
Papai Mickey sendo o catalisador das mudanças na vida de Ray.
Spoilers Abaixo:
Depois da chegada de Papai Mickey à casa do filho no episódio anterior, vimos que a convivência dele com a família de Ray se estendeu por um dia de aventuras em Malibu. Não tem adolescente que não se apaixone por um avô descolado, que apareceu de repente e que dê conselhos tão polêmicos quanto o: “uma boca é uma boca”. E o interessante é que essa interação já deve alterar a dinâmica familiar de Ray, pois seu filho Conor já está de papinho constante com Tommy, o boqueteiro astro de filmes de ação. Será que Con vai por em prática os sábios conselhos de vovô-sabe-tudo?
O que ainda acho intrigante no seriado é que ele não revelou de cara o que move cada um dos personagens agora que Mickey voltou ao convívio de todos. Abby se mostrou receptiva, ficou até claro que ela se comunicou com ele enquanto este estava na prisão, mas o que foi que realmente aconteceu entre Mickey e Ray é um grande mistério. Não podemos, entretanto, perder de vista algumas pistas que vão sendo reveladas. Ao que parece, Ray, Ezra e Sean, o grande cliente dos dois que teve a casa invadida neste episódio, armaram algo que enviou o líder do clã Donovan pra prisão. Afirmar algo mais que isso seria apenas dar um tiro no escuro.
Uma pena que a tendência agora é que haja cada vez mais uma divisão interna dentro da família. Ao descobrir que foi seu meio-irmão, a mando de seu pai, que invadiu a casa de Sean, Ray não hesitou em mandar um sangrento recado para o seu irmão recém-descoberto. Agora ele precisa ter consciência que isso foi uma declaração de guerra não apenas a Mickey, mas também a seus irmãos Terry e Bunchy, já que eles têm grande estima tanto pelo pai quanto pelo meio-irmão. A impulsividade de Ray está enviando-o para um caminho que pode não ter volta e talvez seja mais interessante jogar com a inteligência e não com a agressividade contra Mickey, ou tudo que ele vai conseguir é que todos se distanciem dele, o que, convenhamos, deve ser exatamente o plano de seu pai.
Uma confirmação que foi dada aqui também é a de que Ray sabe lidar bem melhor com o problema dos outros do que com aqueles que lhe afligem. Ao tratar do travesti Chloe, que estava chantageando o astro boqueteiro, Ray deu até conselhos de vida para o jovem travesti e, por fim, forneceu o dinheiro que ela buscava para poder mudar de sexo. Já quando ele descobriu que o pai estava com sua família, a primeira coisa que fez foi preparar uma arma para matá-lo. Gostaria de saber o porquê dessa desproporcionalidade em reações, senhor Donovan. Sem bons argumentos contra, a natureza ardilosa do papai Mickey acaba me atraindo cada vez mais.
Esse episódio conseguiu uma boa subida de qualidade em relação à estreia da semana passada. Tudo isso se deve ao foco que a narrativa tomou. Ficou claro que o conflito entre pai e filho vai ser a força motriz, pelo menos dessa temporada, e o seriado acertou porque essa é de longe a trama mais interessante. É um prazer ver que agora que “Ray Donovan” já se livrou da obrigação de nos apresentar tramas e personagens, ela pode se concentrar na história que veio contar: um briga familiar de alta periculosidade onde nenhum dos dois sabe bem a hora de parar e ceder.
Em Tempo de Audiência: o número de espectadores nesse segundo episódio teve um aumento de 15%. Ainda é cedo para dizer, mas teria a Showtime conseguido o seu hit?
Em Tempo de Britney Spears Epiléptica: a cantora só apareceu uma cena aqui e funcionou bem mais do que no episódio anterior.
Em Tempo de Verborragia: o personagem mais caricato e cansativo desse seriado é, com certeza, o advogado Lee. Infelizmente, foi-se o tempo em que uma pessoa que só se comunica por meio de gritos e palavrões era engraçada. Debra Morgan elevou em muito esse padrão.













