Agora a coisa ficou séria! Será que AQUELA performance figurará entre as 10 melhores da temporada?

Aqui nos comentários do blog, a reação mais comum à primeira parte da lista de melhores performances da quarta temporada do The Voice que publicamos há poucos dias foi uma postura próxima a “Tudo bem, o que vale é o Top 10”. Muitos arriscaram palpites e torcidas (e adorei ler tudo, embora o Top inteiro já estivesse pronto), e houve até quem considerasse que as posições 11 a 20 eram “um compilado de menções honrosas”, que absurdo (Luciana, estou olhando pra você! rs)! Então, achei que a melhor maneira de introduzir nossa segunda parte seria explicar a vocês o que, na minha visão, é uma boa performance de um reality show musical.

Depois de três temporadas, muitos de vocês já devem saber que o meu primeiro critério, desde antes de conhecer o The Voice – e isso explica todo o meu fascínio pelo formato – sempre foi a voz. E por “voz”, não estou falando sobre potência vocal, não estou falando sobre a mera capacidade de acertar notas (embora esteja falando, sim, da INCAPACIDADE de fazer isso). A técnica é essencial para uma boa performance vocal, mas está longe de ser tudo. O que completa – e que considero até mais importante – é a habilidade para compreender a mensagem que deve ser passada e ser capaz de transformar essas notas, esses falsetes, vibratos, melismas e inflexões, em algo que, dentro de um estilo único, tenha significado, seja importante para passar essa mensagem realmente de dentro do intérprete, e não apenas mecanicamente. É esse tipo de originalidade que mais valorizo.

Mas isso é o que me fascina em qualquer performance vocal. O que não podemos nos esquecer é de que também estamos em um reality show, e há fatores secundários importantíssimos que definem os rumos dessa nossa jornada periódica. Carisma e presença de palco contam, desde que apenas como um acessório aos vocais. Mas, acima disso, uma carta que precisa estar na manga de qualquer pessoa que embarque nessa, é a carta da inovação, das reviravoltas, da inteligência para, seja dentro de uma única performance ou ao longo de toda a trajetória, nos surpreender e arrepiar, nos fazer pensar “eu JAMAIS teria esperado que essa pessoa fizesse algo nesse nível!”. Esse é o trunfo de apresentações como a de Cáthia, com “Mr. Know It All”, ou a de Luke Edgemon, com “Teenage Dream”, que ganharam seu espaço em minha lista.

Outro detalhe que preciso levar em consideração é o impacto da performance no público em geral – para isso, uso como termômetro os comentários em blogs e fóruns gringos, mas, principalmente, os deixados aqui no SM, já que, por mais que não sejamos o público-alvo do The Voice, vocês são o “meu público”. O impacto negativo de certas apresentações “tirou” delas o potencial para figurarem na lista final.

Agora que meus critérios e prioridades estão bastante claros, fiquem com as 10 melhores performances da quarta temporada do The Voice. Será que nossas opiniões serão coincidentes? Cruzemos os dedos (ou não, já que Adam Levine perdeu Sarah Simmons E Judith Hill imediatamente após fazer isso) e vamos lá!

10. Sarah Simmons – One of Us (Joan Osborne)

Coach: Adam

Fase: Blind Auditions

Ok, por mais que eu não tenha embarcado no vagão Sarah Simmons, me senti obrigado a incluir essa performance neste Top pra não levar uma surra da Ju Apfelgrün porque não há como não reconhecer um trabalho competente e de tamanha excelência! Sarah pôde mostrar os dois lados de sua voz: seu belíssimo registro vocal mais alto (que fez Adam e Shakira virarem juntos rapidamente) e o poderoso rugido mais “áspero” quando ela decidiu subir o volume (que levou Blake e Usher a apertarem o botão). Uma excelente escolha para causar uma bela primeira impressão durante as blinds e já começar o programa com uma base de fãs bastante sólida.

9. Michelle Chamuel – Why (Annie Lennox)

Coach: Usher

Fase: Final

“I tell myself too many times: why don’t you ever learn to keep your big mouth shut?” Com essas palavras, Michelle Chamuel silenciou aquilo que, por cerca de um minuto, movimentava-se sincronizadamente em relação à cantora, passando-nos a falsa impressão de reflexo (em uma bela referência à jornada de Michelle no programa, quando Usher a fez cantar “True Colors” em frente ao espelho). É impossível não se empolgar ao perceber que, na verdade, era tudo uma pré-gravação sendo exibida em tela. Independentemente da performance, acho que nada tão legal jamais foi feito em nenhum reality musical. Mas aí Michelle veio e matou a pau em seus vocais, entregando uma apresentação precisa, emocional e carismática até dizer chega. E dominou, do início ao fim, a última segunda-feira de apresentações do programa.

8. Grace Askew – These Boots Are Made For Walking (Nancy Sinatra)

Coach: Blake

Fase: Blind Auditions

Em meio a todo o bando country genérico do Team Blake, havia uma cantora muito especial, conhecida como Grace Askew. Ela chegou com tudo, mostrando uma influência do blues que não podia ser ignorada ou contida e apresentando um estilo jamais visto em candidatos country de realities musicais. “These Boots Are Made For Walking” foi interpretada com gritinhos agudos que, somados à imensa personalidade da cantora, conferiram à apresentação uma expressividade ousada, quase atrevida, que tornou a performance absurdamente atraente.

7. Monique Abbadie x Luke Edgemon – You And I (Lady Gaga)

Coach: Shakira

Fase: Batalhas

A meu ver, a melhor batalha deste quarto ciclo, a performance de “You And I” uniu simplesmente os dois melhores cantores do Team Shakira, inaugurando a série de cagadas cometidas pela coach ao longo da temporada. Apesar de os excelentes vocais de Monique terem sumido perto do talento e da técnica absurda de Luke, foi ela quem deu à apresentação a pimenta necessária para torná-la não apenas um show da arte de cantar, mas também um belíssimo exemplo de como atingir excelência no quesito entretenimento. Luke e Monique seguiram os ótimos passos de Cody Belew e DOMO, que, coincidentemente, também batalharam ao som de Lady Gaga na temporada passada.

6. Sasha Allen – Before He Cheats (Carrie Underwood)

Coach: Shakira

Fase: Top 6

Ok, Sasha Allen havia escolhido uma canção country para conquistar os coaches em sua blind audition. Mas, ainda com esse fato na mesa, eu duvido, mas duvido com força, de que alguém fosse capaz de prever algo minimamente semelhante a essa performance vindo de Sasha Allen! Os vocais foram espetaculares, mas só mais um aspecto diante da perfeição que foi a apresentação de Sasha, que transformou o country de Carrie Underwood em uma canção completamente diferente, com arranjos ESPETACULARES em um estilo mais urbano, puxando para um blues que se encaixava muito melhor no estilo da cantora nova-iorquina. Tudo isso sem deformar a canção ou torná-la irreconhecível. E quem esperava vê-la arrancando o vestido no alto de uma escada? Sasha teve inúmeras performances excelentes ao longo da temporada, mas, em “Before He Cheats”, vemos uma Sasha Allen em sua melhor forma, uma nova Sasha, com ares de superestrela, que só foi possível graças à contribuição de Shakira. Fiquei completamente boquiaberto.

5. Michelle Chamuel – True Colors (Cyndi Lauper)

Coach: Usher

Fase: Live Playoffs

Como deixar de fora deste Top o grande breakout moment de Michelle Chamuel no programa? Claro, há um sem número de performances incríveis da cantora, a começar por sua blind audition e terminando com seu dueto com Usher (que, aliás, ficou fora desta lista apenas porque acho que seria covardia comparar uma parceria com um coach com muitos artistas que não tiveram essa oportunidade, mas certamente ela tem cacife para estar aqui). Mas, justamente no momento em que eu clamava por algo mais intimista, menos “pipoca pulando ao som eletrônico”, Michelle nos entregou uma das performances mais emocionais da temporada. A conexão entre Usher e Michelle já era clara, mas ficou escancarada depois de uma performance tão incrível, que certamente foi o que abriu as portas para que a cantora pudesse ir até a final. Linda!

4. Sasha Allen – At Last (Etta James)

Coach: Shakira

Fase: Knockout Rounds

Falando em breakout moments, é claro que o de Sasha Allen também não poderia ficar fora desta lista. Alguns viraram a cara para ela depois das blinds, outros se decepcionaram com seu desempenho nas batalhas, mas nenhuma alma viva em plena sanidade mental pôde questionar a excelência da performance de “At Last”, o momento em que Sasha realmente acordou para a competição e percebeu que deveria fazer o que fazia melhor: DIVAR. Entre as diversas performances divescas que ela apresentou ao longo da temporada, achei mais justo escolher “At Last” porque foi o momento em que ela arrepiou e se diferenciou de todo e qualquer candidato que já passou pelo The Voice. Foi aqui que ficou claro: era o início de uma belíssima jornada, de uma parceria que daria muito certo. E como deu!

3. Amber Carrington – Skyfall (Adele)

Coach: Adam

Fase: Top 8

Quando uma cantora de reality tem a capacidade de te fazer esquecer completamente que existe Adele enquanto canta uma música da própria, é superinjusto deixá-la de fora de um Top 3 daquela temporada. Na verdade, a única razão por que essa apresentação não superou as do Top 2 é o fato de que foi realmente um cover. Mas Amber incorporou tanta expressividade à canção, mostrou vocais tão matadores (não importa quantas vezes eu assista, SEMPRE vou ficar com frio na espinha durante os 30 segundos finais da performance) que não dá pra não compreender Adam Levine (ou até me juntar a ele) em sua postura no final, com os braços erguidos em sinal de “vitória”. Amber realmente mata qualquer coach de orgulho. Aliás, mata qualquer Adele de orgulho.

2. Judith Hill – What a Girl Wants (Christina Aguilera)

Coach: Adam

Fase: Blind Auditions

A melhor blind audition da história do The Voice, e, que isso conste nos autos, a hipérbole passa longe dessa minha afirmação! Judith Hill, a moça que eu já tinha achado incrível cantando com Michael Jackson no filme “This Is It”, mas cujo nome eu não fazia ideia, mostrou que não era só uma baita de uma vocalista (embora essa blind também tenha provado isso). A mulher é uma verdadeira artista, uma cantora que é tão merecedora – ou mais! – do mesmo sucesso dos maiores nomes da música da atualidade. Transformar um popzinho chiclete dos anos 1990 em uma versão puxada para o soul que, ainda assim, preserva todas as qualidades da canção é algo que não se vê todos os dias em reality musical algum. Tanto os arranjos da original de Christina quanto os da ótima versão reggae criada pela própria cantora são trabalhos de respeito, mas não chegam aos pés da versão de Judith Hill! E tenho dito!

1. Amber Carrington – Sad (Maroon 5)

Coach: Adam

Fase: Top 5

Aquela que considero a performance da temporada não poderia, jamais, estar em outra posição que não fosse esta. Um grande símbolo da excelente parceria entre Amber e Adam, um coach que se preocupa mais em desenvolver os próprios pupilos como artistas do que em chartar no iTunes. Em sua gravação original, Adam Levine mantém os vocais de “Sad” realmente simples, intimistas, vocais que demonstram a mais pura tristeza possível. Amber foi além e criou sua própria concepção da música. Com inflexões próprias e extensão de certas notas (cantadas de maneiras bem diferentes a cada repetição do refrão), Amber consegue ir da tristeza à frustração, da frustração à raiva, da raiva de volta à tristeza, numa complexidade muito mais humana, muito mais intensa, do que o que se nota na versão original. O trabalho de iluminação foi belíssimo, enfatizando a única coisa de que Amber realmente precisa para ser incrível: a própria voz. E, para quem havia demonstrado certa dificuldade nos graves, a cantora fez questão de mostrar que cresceu absurdamente nesse quesito, acertando absolutamente todas as notas cuja emissão a canção permitiu. De quebra, ninguém nunca havia cantado essa música em um reality musical antes (a única versão oficial de “Sad” existente além da original é a de Amber), o que é e sempre será um belíssimo bônus. Adam Levine que me desculpe, mas a versão que carregarei sempre comigo, a partir de agora, é a de Amber Carrington!

Menção honrosa:

Candice Glover – Lovesong (The Cure)

https://www.youtube.com/watch?v=7acuT6Sydc4

Agora, façam o seguinte: separem o Top 2 da minha lista, peguem as outras 18 performances e somem todas as suas qualidades. Isso vai dar uns 10%, talvez 20%, do que “Lovesong” foi no American Idol este ano. As duas performances que pedi para vocês separarem podem competir em uma batalha “um contra um” com Candice – e perder, lógico, mas com dignidade. Com um misto de alegria (porque Candice, contra todas as minhas expectativas, VENCEU!) e tristeza (porque é a primeira vez que considero alguma temporada do American Idol melhor do que alguma do The Voice – única e exclusivamente pela participação e vitória de Candice Glover), afirmo publicamente que sou um RECALCADO ASSUMIDO em relação ao fato de que Candice preferiu o Idol ao The Voice – que ótimo para todos os envolvidos, já que, diante das preferências do público do The Voice, provavelmente ela pegaria um Top 8, com sorte. Alô, Candices do mundo afora, o The Voice precisa, mais do que nunca, de gente como vocês! Obrigado! Observação: Em 1:35, Candice estica uma nota. Literalmente. Com as mãos. CANDICE ESTICA UMA NOTA COM AS MÃOS! Fico trêmulo toda vez que vejo! Julguem-me.

E é isso, pessoal! Passo a bola pra vocês. Podem brigar comigo dizer que apresentações vocês não teriam deixado de fora de um Top 20, e chorar vendo Candice Glover mostrando que poderia ter entrado nesta temporada do The Voice como MENTORA dos artistas. E, agora, sim, que venha a Season 5, pessoal!

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Guto Cristino
Guto Cristino é engenheiro químico, jornalista e administrador. Nessa salada toda, o tempero constante é a paixão por séries e por Christina Aguilera, sempre presentes em seu cada vez mais curto tempo livre. No Série Maníacos desde 2011, é especializado em cretinice televisiva, com foco em novelões e realities, mas garante que vê série boa de vez em quando.