“Até mesmo um assassino em série pode ter boas qualidades e um rosto bonito” (Gibson, Stella).

Spoilers Abaixo:

Paul passou boa parte da vida criando o contexto perfeito para cometer seus crimes sem ser descoberto. A família, a formação acadêmica, o trabalho com pessoas emocionalmente abaladas, o planejamento dos crimes, a preparação física, o estudo das vítimas, a mudança de nome, a falta de registro de endereço em Belfast. Ele sempre pensou em todos os detalhes e sempre foi sagaz o suficiente para conseguir usar o contexto para se livrar de enrascadas.

Inventar um caso com a babá para justificar suas mentiras foi estranhamente genial. Assim como ir ao parque com a filha para observar sua vítima, fazer Liz denunciar o marido para não perder o emprego, dar um jeito de a esposa voltar para ele e ainda convencê-la a mudar de cidade (a gravidez pesou, mas as promessas de mudança pesaram mais). A questão é que nenhum crime é perfeito e seria impossível Paul não deixar rastros.

Achei todos os meios usados por ele para se livrar das provas de seus crimes bem clichês e bastante arriscadas também. Jogar objetos no rio, no bueiro e queimar um carro poderia facilmente levantar suspeitas, mas aparentemente ninguém percebeu nada, então a gente deixa para lá. Até porque, como Stella já havia comentado, Paul possui uma inteligência acima da média, acredita sinceramente que está acima de qualquer suspeita e que jamais será descoberto. Tanto que, além do descarte pouco cuidadoso dos objetos, ele não se recusou a ir à delegacia e não perdeu a oportunidade de ligar para Gibson para confrontá-la.

Durante esta season finale, pensei que ele fosse ser pelo menos perseguido. Claro que a probabilidade de ele ser pego era zero, pois comprometeria a segunda temporada, mas imaginei que o inspetor que conversou com ele na delegacia veria o retrato falado feito por Rose e faria Stella ir atrás dele. Imaginei também que ela fosse, coincidentemente ou não, comparar a carta que Paul escreveu para Ian com a lista de orfanatos feita durante o interrogatório e descobriria que foram escritas pela mesma pessoa. Não rolou.

Em compensação, o diálogo entre os dois foi muito bacana. Ambos muito seguros de si, analisando um ao outro. Paul com sua rara expressão de prazer ao confrontar Stella e ao dizer que eles são parecidos. Stella concentrada, atenta aos detalhes do discurso do assassino e cheia de pistas para provar que ele não é tão bom quanto pensa. Ela sempre soube que conseguiria desestabilizá-lo. Ele não esperava por isso.

Acho interessantes os acessos de fúria que ele tem quando seus planos não saem como ele gostaria. Neste episódio ele perdeu o controle duas vezes: uma ao quebrar o manequim e a outra ao jogar o celular fora para interromper o papo com Stella. É bacana ver o sempre tão frio Paul perdendo as estribeiras, sem saber lidar com o que ele não pode controlar, tendo que encarar o fato de que o seu poder sobre as coisas é bastante limitado.

Interessante também é a postura de Stella com relação aos casos. Ela é sempre muito prática e muito focada tanto na vida pessoal quanto na profissional. Foi importante a chamada que ela deu em Jerry quando ele lhe mostrou o vídeo em que Annie diz gostar de sexo selvagem e ser tolerante à dor. A piadinha dele é muito comum. Não é difícil ouvir homens dizerem que mulheres que se vestem de determinada forma estão pedindo para serem tratadas como vadias, que estão pedindo para serem estupradas ou coisas similares. Ao dizer a Jerry que eles não estavam ali para julgar a vítima, mas para encontrar seu agressor, ela deixa nas entrelinhas um recado: independentemente do comportamento que uma pessoa tenha, ninguém tem o direito de desrespeitá-la, agredi-la, maltratá-la, matá-la.

The Vast Abyss foi um bom episódio. Atou algumas amarras e deixou bons casos para a próxima temporada. Será que Paul vai realmente parar com os assassinatos ou vai apenas mudar de estilo e continuar com sua arte? Qual será a relação dos Aaron Monroe com os dois policiais mortos? De que Burns tem medo ou que tipo de apoio ele espera receber de Morgan Monroe a ponto de beneficiá-lo daquela forma? Será que Annie ficará com sequelas cerebrais ou será capaz de ajudar a polícia a identificar seu agressor? Qual será a estratégia de Stella para localizar Paul?

Muitas boas questões. Resta-nos esperar para ver.

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