Cinco minutos de episódio e uma conclusão: ninguém presta nessa série. Quarenta minutos depois e definitivamente ninguém presta mesmo.

Spoilers Abaixo:

Acho que seria bom eu começar dizendo que nunca assisti nenhuma série com esse estilo de Mistresses, até mesmo para evitar comparações com outras séries com quatro mulheres como protagonistas, algo que eu acho que seria natural se eu tivesse algum “conhecimento” nessa área. Também não vi nenhuma promo dessa nova produção da ABC. Apenas li a sinopse oficial e só vi um pôster (esse da imagem acima, que parece Pretty Little Liars), e olhe lá. Fui atrás da série apenas porque sabia que ela seria estrelada pela Alyssa Milano, atriz que ganhou o meu amor desde que protagonizou Charmed. Dito isso fica bem claro que eu não tinha expectativa nenhuma com a série e seria um baita de um tiro no escuro da minha parte. Fico felicíssima que eu tenha acertado, e bem, esse alvo!

O nome da própria série já revela bem sobre o que a série será centrada: em relacionamentos (para quem não sabe, a tradução literal de “Mistresses” é “Amantes”).  Sempre fico com o pé atrás com séries que seguem essa linha de pensamento, primeiro porque não é o tipo de gênero que eu acompanho e gosto; e segundo que, a meu ver, a linha entre um bom drama “mulherzinha” (odeio estereotipar, mas nesse caso é) com algo piegas e clichê é bem tênue. O que não é o caso de Mistresses. A série passou longe de ser algo melodramática e teve muitos momentos engraçadinhos também e já nos apresentou alguns dos arcos que serão centrados nos próximos episódios.

A história é focada em quatro amigas que, aparentemente, são bem diferentes uma das outras (menos quando o assunto é transar com homem casado), com histórias bem distintas e é isso que dá uma boa dinâmica nos plots de cada uma delas. A primeira, Savannah Davis (Alyssa Milano – “Charmed”), uma advogada bem sucedida, é casada com o muito charmoso Harry Davis (Brett Tucker – “Neighbour”), mas anda tendo turbulências na sua vida pessoal, pois o casal está tentando engravidar, sem sucesso. Depois de uma visita ao médico, é revelado que as dificuldades são “por conta” do marido, o que gera uma tensão entre os dois e um enorme aborrecimento por parte do chef. Por conta de discussões acerca desse assunto e depois de tanta insistência por parte do seu colega, Savi termina o episódio em um momento “pegação” com o maravilhoso Dominic (Jason George – “Grey’s Anatomy”). Já estava estampada na nossa cara que isso iria acontecer desde o momento em que ela levantou o vestido para ele dar uma espiadinha e mesmo com toda aquela tensão sexual não achei que o advogado conseguiria conquistar a colega logo no episódio piloto. Mas né, ninguém presta nessa série…

Josslyn (Jes Macallan), irmã mais nova de Savi, foi a que menos recebeu destaque nesse episódio, mas mesmo com menos tempo de tela já deu para perceber o estilo de vida que a corretora leva. Apesar de ter ficado o episódio inteiro dizendo que não quer saber de relacionamentos e tendo momentos calientes com um homem (não lembro o nome do rapaz de jeito nenhum, mas que também é casado, óbvio), a série já deu a entender bem que isso mudará logo logo e ela começará algo com uma de suas clientes, Alex (Shannyn Sossamon – “A Knight’s Tale”). E não, não estou vendo coisas onde não existem, a ABC não está escondendo de ninguém que esse será o futuro da moça. E tenho certeza que essas mudanças radicais serão bem interessantes de acompanhar.

A mais comportada de todos e a única que não cometeu nenhum pecado nesse piloto é April (Rochelle Aytes – “The Forgotten”), uma viúva que ficou com medo de seguir em frente com sua vida, mesmo após três anos da morte do marido, por conta de algumas ligações estranhas que ela vinha recebendo. A April podia dizer o que quiser, mas a minha opinião sobre alguém que acha que está recebendo ligações do seu marido morto faz parte de uma deterioração mental. Eu até cheguei pensar na hipótese do marido não estar morto, seria melhor do que um fantasma do falecido que faz ligações porque não deixa sua mulher sair com outro homem. Felizmente, nenhuma dessas opções estava certa e eu fui surpreendida pela resposta do mistério. Retomando o pensamento de que todo mundo pula a cerca em Mistresses, é nos revelado que o defunto estava tendo um caso com uma moça, estava apaixonado por ela e ainda conseguiu engravidar a amante, e era ela a responsável pelas ligações misteriosas. Pois é, fiquei com uma dó da April de saber aquilo assim, de repente, prestes a ter um encontro ainda.

E para finalizar com chave de ouro (e safadice), Karen (Yunjim Kim – “Lost”), a psicóloga que teve um caso com um paciente terminal (!). Por mais insensível que isso soe, a pergunta é válida: quem em sã consciência vai começar a se relacionar com alguém que está com os dias contados? É pedir para sofrer! Claro que ele também era casado, mas o problema foi que o seu filho, Sam (Eric Stocklin – “First Day”), descobriu o caso e foi atrás da terapeuta do pai para falar sobre o assunto. Se a situação já estava ruim para doutora piorou quando o rapaz a chama para sair e o seguro do (outro) finado começa a investigar a morte – afinal, era ela quem receitava altas doses de morfina para o amado. Por enquanto, das quatro amigas, Karen é quem tem mais histórias para render futuramente e estou curiosa para ver qual será a reação do Sam quando souber que seu interesse amoroso era a amante do seu pai.

A série já me ganhou na sequência inicial do episódio, que foi bem dinâmica e engraçada, apresentando as quatro personagens e seus rolos amorosos. Aliás, algo que eu não esperava eram tantos momentos com alívios cômicos. A série tem um humor que serve para fazer o básico: divertir e rir. Nada sutil (pelo contrário), nem muito inteligente (sem desmerecer) e até caricato, mas funciona com eficácia.

Não teve nada que tenha me incomodado nesse piloto e eu gostei de absolutamente tudo que eu vi. Acho que a série tem alguns bons trunfos na manga para desenrolar nos próximos episódios, tem uma protagonista muito carismática, que é adorada pelos americanos (e por mim s2s2) e tem tudo para ser um grande divertimento nessa época magra de séries. Eu já planejava acompanhar Mistresses até o fim da temporada, independente da qualidade, mas foi ótimo ter sido surpreendida positivamente e ter gostado mesmo da série. Fiquei interessada no que irá acontecer e já estou esperando pela próxima semana. Mas e vocês, leitores, o que acharam?

Obs: Mistresses é baseada na série britânica homônima que foi exibida pela BBC entre 2008-2010. Tirando apenas algumas mudanças em nomes e detalhes pequenos, a Mistresses americana deve seguir exatamente a mesma linha da sua série inspiradora.

p.s.1: esse pôster oficial da série enganou bem a idade da mulherada, hein?!

p.s.2: Savi (em um funeral): “[…] te deixamos centenas de mensagens. Achávamos que você tinha morrido” > ri dessa piadinha boba umas quatro, cinco vezes rs

p.s.3: o Dominic tinha 5s pra olhar a lingerie da Savannah e passou 3s olhando para o rosto da colega…

p.s.4: olha só, tocaram até samba no episódio!

p.s.5: adorei a vinheta da série que tocou ao longo do piloto.

p.s.6: Alyssa Milano tem quarenta anos. Choquei, sociedade!

p.s.7: contei, pelo menos, 7 pecados aqui: 4 adultérios, 2 mentiras e 1 desejo a mulher alheia. E tudo isso em menos de quarenta e cinco minutos. Deve ser um recorde.

Artigo anteriorPrimeiras Impressões: The Fosters
Próximo artigoTeen Wolf – 3×01: Tatoo [Season Premiere]