Não importa o que você fale, você não está preparado para vê-la partir.

Spoilers Abaixo:

Não há dúvidas de que estamos chegando a um final inadiável, mas tudo o que é feito até esse momento conta, principalmente para Cathy, que não quer deixar nada atrapalhar seus últimos momentos. Porém, pelo simples fato de ter decidido não realizar mais a quimioterapia, havia grandes chances de algo desse errado, algo que vimos nesse episódio.

Cathy pode até achar que está preparada para o que der e vier, mas sabemos que não é bem assim. As complicações de um câncer que não é tratado são imensas, a começar pela falta de equilíbrio e a falta de conexão com seus próprios membros. E como vimos no final do episódio, a perda de memória.

Não achava que a série iria tocar nessa problemática, até porque, estamos tão pertos do final que parece banal aumentar a dose de drama, uma vez que ela já se encontra altíssima. O mais correto seria continuar com as percepções das personagens com o ocorrido, que na verdade foi o que mais aconteceu nesse episódio.

Sean, por exemplo, nunca conseguiu lidar muito bem com a doença da irmã, principalmente por causa de sua própria doença. Já houve momentos em que ele se deixou levar pela incerteza, e o que aconteceu nesse episódio remete bem a esse sentimento. Ao decidir doar seu rim, ele simplesmente não sabe o que fazer quando Cathy por embora e, pior, enquanto ela não for. Alguém que não consegue lidar com a perda acabará sofrendo muito no futuro e Sean já possui alguns problemas que o possibilitam que isso aconteça com mais facilidade. A cena em que ele leva Cathy para ver a estrela cadente é emocionante, afinal ele acredita que ainda há chances de que Cathy consiga sobreviver, no final.

Adam nunca foi de falar muito e isso condiz com o personagem. Eventualmente, ele terá que dar adeus à sua mãe e esse momento é o mais esperado, pelo menos por mim. Ele fez graça no começo do episódio quando Cathy o relembrou de quando ele usava bastante o lenço, algo que aconteceu no passado que obviamente ainda faz parte de sua memória. Descobrimos no final que ele guardou aquele lenço, tão usado pelo personagem, mas que na verdade é algo que pertenceu à sua mãe, incluindo tudo o que eles já passaram juntos. Quando os dois realmente forem se despedir, lágrimas cairão no rosto de todo mundo.

Andrea também não sabe muito bem como lidar com a perda de sua melhor amiga. A personagem amadureceu bastante durante todas as outras temporadas e é sofrível vê-la desse jeito, sem nenhuma inspiração para uma aula da faculdade. O seu professor já se mostrou simpática com a situação da amiga, deixando claro que na verdade, você precisa relembrar que a morte é algo além de um ponto final. As pessoas precisam entender que há algo além da morte e seguir com a vida é algo importante e necessário para fazer com que a existência daqueles que foram não foi em vão.

Paul pode até ter dado um ultimato para Cathy no final da temporada passada e ele também pode até não ter se importado tanto com a mulher no episódio passado, mas tudo isso aconteceu para que ele percebesse o quanto ele sente a falta dela. Com certeza foi um choque para Paul perceber que ao ter ficado longe de casa por somente dois dias, sua mulher estava usando uma muleta. Ele com certeza não ficará mais longe de casa depois dessa.

Porém, Cathy é aquela que ainda não consegue ainda se decidir se está ou não feliz com o desfecho de tudo. Por um lado, ela quer deixar as coisas prontas para quando ela realmente for embora, mas por outro, ainda se sente na necessidade de aproveitar cada momento, deixando claro que ainda há muito para fazer. A loira decide se desfazer de várias coisas, incluindo roupas e seu vestido de casamento. Convenhamos que isso não é tão importante quando você se encontra em seus momentos finais de vida e Cathy ainda luta com a ideia de que ela não poderá ver metade da vida de Adam, seu único filho, e também não poderá ver sua amiga Andrea se formar na faculdade, não poderá cumprir seu papel de esposa para Paul e não poderá mais cuidar de seu irmão.

As coisas materiais não importam, desde que o que você viveu valeu a pena. Cathy teve vontade de retomar o que ela vendeu, mas aquele vestido, que já foi tão importante para ela, acabou se tornando um desejo de uma noiva. Aquilo que Cathy deixou para trás não vai morrer com ela. Ela esteve aqui, mas seu legado continua aqui, nem que seja nos pequenos detalhes.

Essa semana é o último episódio da série. Já sabemos como vai acabar. Felizmente, fomos presenteados com um ótimo episódio melancólico, trazendo de volta momentos e diálogos, abrindo portas para um final sofrível, mas totalmente lindo. Quem diria que uma coisa tão fútil como um desfile de moda se transformaria em uma cena tão emocionante? Cathy passou o episódio inteiro se deparando com a morte e suas diversas formas, e não tinha melhor forma de encerrar uma trajetória igual a loira fez. Ao entender e temer a morte, você dá mais valor à sua vida.

O terceiro episódio já começou divertidíssimo, com Cathy tentando de tudo fazer com que ninguém ficasse triste pelo fato de que ela estaria se internando. Momento de sempre alegria nunca pode faltar na falta de Cathy e não poderia ter sido melhor: correndo na rodovia para ser parada pelo policial e ainda fazer graça com a cara do coitado.

Essa mudança não seria fácil para ninguém, mas achava que Cathy estaria mais transtornada por não passar mais seus últimos momentos ao lado de sua família. Na verdade, ela estava aliviada por não causar mais desentendimentos em casa. Além disso, o hospital é onde ela pode ser ela mesma, sem mesurar as coisas e não precisa mentir quando está com dores, para não preocupar Paul e Adam. Ela poderia muito bem se preocupar somente com ela nesses últimos momentos, mas Cathy não é esse tipo de pessoa. Ela coloca as necessidades dos outros acima das dela, ajudando aqueles que não precisam ser necessariamente ajudados.

As conversas de Cathy com a psicóloga sempre trazem ótimas reflexões, mas foi a aparição do Dr. Sherman que deu o tom do episódio: Se não tivéssemos medo da morte, não aproveitaríamos aquilo que temos. Desnecessário dizer que Cathy já viveu uma vida plena, mas ninguém nunca realmente está pronto para ir.

A melhor relação da série é a de Cathy e Adam e ninguém pode reclamar que o menino não expressa direito seus sentimentos. Na verdade, ele ainda não conseguiu fazer isso totalmente, mas os acontecimentos desse episódio com certeza deixam claro o tanto que ele quer a mãe tenha o melhor final possível. Muito bonito da parte dele em trazer todas as fotos que estavam grudadas no teto do quarto da mãe para o hospital, tentando fazer com que Cathy não passe o resto do tempo sem nenhuma prova física do tanto que ela foi amada o tanto que ela amou.

Desnecessário dizer que os momentos no hospital foram ótimos, principalmente quando Cathy se socializa com os enfermeiros, para descobrir o tanto que alguns não se importam com o trabalho que estão fazendo. Não é porque essas pessoas estão morrendo que elas podem ser tratadas desse jeito. Todo mundo está sujeito a morrer à qualquer momento e todo mundo já foi alguém na vida, bem antes de uma doença violenta aparecer.

Os diálogos de Cathy com sua colega de quarto ajudaram a loira a entender e estar de acordo com sua situação. Mesmo que tenha sido completamente trágico, não tem como não rir quando a velha sai ‘correndo’ atrás de Cathy pelos corredores, que também estava super rápida tentando fugir da velha louca, dando seus últimos suspiros antes de passar dessa para melhor.

Adam e Paul também lutam com a falta de Cathy, mesmo que Paul tenha problemas em lidar com tudo, no geral. A depressão não parece ser algo que condiz com o personagem, uma vez que ele não se importa tanto com a mulher… Pelo menos não nesses últimos episódios. Porém, a mudança de Cathy foi o que faltava para Paul perceber o tanto que sente falta daquilo que os dois uma vez já foram, enquanto luta desesperadamente para não cair aos pedaços ao perceber que o amor de sua vida está indo embora.

Enquanto isso, fico aqui, pensativo e refletindo o tanto que The Big C me faz sorrir e chorar, ao mesmo tempo. A série com certeza deixará saudades.

P.S: Como não amar a nerd subornando Adam por causa de sexo e ainda achar que a troca de favores é igualitária?

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