
Cópia barata? Nem tanto!
Spoilers Abaixo:
Acho que esse episódio de Hannibal veio para provar de vez que o carro chefe da série não é a caçada aos serial killers em si, e sim o efeito desses crimes na vida daqueles que investigam. Não somente em Will Graham mas também em Jack Crawford e toda sua equipe.
A série não pode ser comparada, por exemplo, a CSI onde o maior objetivo é mostrar a investigação passo a passo até a descoberta do culpado. Em Hannibal não. Nós, audiência, sabemos quem é o culpado rapidamente e então passamos a acompanhar como Will e seu time chegarão até eles, mesmo assim essa investigação não ocupa parte relevante do episódio. Hannibal é uma série de ações, reações e consequências. É uma série de suspense e não de investigação pura.
Outro ponto de controvérsia entre aqueles que assistem Hannibal é a maneira como o dom do Will é mostrado. Eu realmente não entendo qual é o problema quanto a isso. Will tem o dom extremo da empatia, ele consegue se colocar na mente e projetar as ações daqueles que ele investiga, afinal ele é um profiler do FBI. A partir disso, a maneira que foi escolhida para nos mostrar esse dom é exatamente para solidificar a ideia que Will realmente pensa como um assassino e que a linha que o separa deles é muito fina e com possibilidade de desaparecer a qualquer momento. Devemos nos lembrar que o passo a passo de Will é seu design, como ele faria no lugar daquele assassino.
Mas enfim, vamos ao episódio que é o que realmente interessa. Eu posso dizer que entre todos esse é o meu preferido até agora. A história gira em torno da investigação da real identidade do “Chesapeake Ripper”. Que felicidade essa investigação nos levar direto ao “Baltimore State Hospital for the Criminally Insane”. Quem leu os livros ou assistiu aos filmes ficou feliz, já que essa é a futura casa de Hannibal Lecter. Mas, antes de Hannibal o hospital já era o lar do dr. Abel Gideon (o fantástico Eddie Izzard), que lá está por ter assassinado a esposa e agora decidiu assumir a autoria dos crimes cometidos pelo Chesapeake Ripper. Ainda não entendemos completamente os reais motivos por trás das ações do dr. Gideon, mas logo mais entenderemos.
Minha felicidade foi ainda maior, porque além do “Baltimore State Hospital for the Criminally Insane”, nós finalmente conhecemos a versão televisiva do dr. Frederick Chilton, o personagem mais sem noção e irritante do universo de Hannibal Lecter (sim, mais do que Freddie Lounds).
Além de tudo isso foi também nesse episódio que Hannibal Lecter finalmente saiu do armário. Vimos pela primeira vez, mesmo que através de flashback, o Lecter que esperávamos ver a muito tempo, o assassino impiedoso, o real Chesapeake Ripper. A vítima em questão foi Miriam Lass (Anna Chlumsky) uma jovem agente em formação do FBI encarregada por Jack de reunir informações sobre o Ripper. Miriam divide muitas características com Will e em sua investigação chega até o dr. Lecter e a partir daí seu destino se revela doloroso. Inclusive, através de Miriam entendemos um pouco melhor o relacionamento de Jack e Will. Jack se sente culpado pelo destino de Miriam e não quer uma repetição através de Will.
A realidade é que Jack está passando por momentos delicados. Enfrentando fantasmas do passado, presente e até mesmo do futuro (já que sua mulher com câncer dispensa sua ajuda), então nada mais natural que confidenciar seus problemas com aquele que ele acredita ser o mais apto a ajudá-lo. Doce engano, Dr. Lecter esbanja dissimulação e crueldade. Afinal, usar exatamente os problemas que levam as pessoas ao seu consultório contra elas não é para qualquer um. Ele sabe exatamente como atingir, não somente fisicamente mas principalmente psicologicamente, suas vítimas como ninguém.
Participação de Freddie Lounds sempre é interessante e quando há conflito com Will é ainda melhor. Quero destacar um trecho da conversa entre eles que eu achei de uma simplicidade incrível ao mesmo tempo forte e insanamente brilhante:
Jack: Você sabe quais são as profissões que mais atraem os psicopatas?
Freddie: CEOs, advogados, o clero.
Jack: A número cinco na lista são cirurgiões.
Freddie: Eu conheço a lista.
Will: Então, você sabe qual é a número 6.
Freddie: Jornalistas. Sabe qual é a número sete, sr. Graham?
Will: Policiais (e afins).
Freddie: Aqui estamos, um bando de psicopatas se ajudando.
A questão é que tudo deu certo nesse episódio e o roteiro, que contou com diálogos ainda mais intensos e provocativos, foi a cereja em cima do bolo. Menção honrosa também para o jantar dos profissionais da psiquiatria, novamente com direito aos pratos deliciosos (só que não) preparados pelo Dr. Hannibal Lecter.
Quem conhece o trabalho de Bryan Fuller sabe que quase sempre há referências as suas séries passadas, inclusive com participações dos atores com quem já trabalhou (oi Caroline Dhavernas). Eu achei o máximo a referência desse episódio, que se fez conhecida através do próprio Bryan, que twittou o seguinte:
@AnnaChlumsky em #HANNIBAL se chama Miriam Regina Lass. A irmã de George Lass em #DEADLIKEME era Redgy Lass. O diminutivo de Regina é Redgy.















