
Nem tudo é o que parece.
Enquanto era exibida na extinta UPN, Veronica Mars era considerada uma produção menor e obscura, o que talvez justifique um pouco a baixa popularidade desse terceiro episódio em sites como o IMDB, por exemplo. Estou citando esse fato porque me parece chocante que um roteiro tão bom e que guarda pequenas surpresas até o final não seja bem pontuado. É claro que esse tipo de nota não quer dizer absolutamente nada, mas fica a observação, porque “Meet John Smith” é um episódio divertido e extremamente criativo, o tempo todo. E mais: muito bem desenvolvido se levarmos em conta que a série estava começando a engatinhar e apresentar trama e personagens.
Um exemplo disso é o tratamento dado a Duncan e seus traumas após a morte de Lily. Além dos problemas psicológicos e do destaque para o uso de medicamentos, Duncan ainda lida com a pressão de ser o filho único e a obrigação de ser aquele que realizará todos os desejos e expectativas dos pais, em relação a seu futuro.
As mudanças comportamentais de Veronica também ganham mais foco. Keith é chamado na escola, inclusive, para tratar do assunto, já que sua filha vai de doce cheerleader a audaciosa “solitária”. Sempre achei interessante o modo como a morte de Lily afeta a personalidade de Veronica, na verdade, como essa tragédia ( e o estupro que sofreu) a tiram de um estado de letargia social. Quase como se sua inocência fosse corrompida e ela abrisse os olhos para a realidade que sempre a cercou, mas que antes aparecia pintada de cor-de-rosa.
Vale notar também o comecinho da relação entre Veronica e Troy, que não é dos mais satisfatórios (pelo menos, não para ele), porque no fundo, ela ainda tem sentimentos guardados por Duncan ou talvez um sexto sentido em relação às intenções desse novo admirador. Esses mesmo sentimentos aparecem para atrapalhar as investidas do próprio Duncan com outras garotas e as fantasias com Veronica (e o nome dela) surgem a todo instante. A coisa é tão intensa que Duncan resolve tentar até um ‘twist duplo carpado’ para estragar o primeiro beijo de Veronica e Troy. Funciona que é uma beleza e essa é uma faz cenas mais marcantes desse começo de série.
Como um dos tópicos mais constantes da série são as relações entre pais e filhos, Veronica começa a ir mais a fundo para descobrir sobre o sumiço da mãe e seu envolvimento com Jake Kane, chegando até uma das paradas de Lianne, em sua fuga que parece de uma covardia sem sentido. O ressentimento de Veronica, que fica muito claro em diversos momentos, cai por terra quando ela falha em encontrar Lianne. É impressionante como ela é forte na maioria das vezes, mas assume essa postura quase infantil e desprotegida ao pensar no abandono que sofreu.
O caso da semana é um dos meus favoritos de toda a série e conta com a participação da atriz Melissa Leo. A coisa começa como uma simples armação de um colega de escola para se aproximar de Veronica e contar vantagem para os colegas, mas a falsa investigação sobre o paradeiro do pai de Justin tem reviravoltas muito interessantes e um desfecho inesperado.
Depois de muitas manobras maravilhosas para atrair o suposto pai de Justin e fazê-lo aparecer (incluindo falsas cartas de aceitação em faculdades!), eis que a grande revelação não era sobre o cara estar morto ou ser um bandido, mas ter se afastado da família para assumir-se transexual. E Justin fica ainda mais chocado ao perceber que o pai o via constantemente e era cliente na locadora de vídeos e DVDs (2004 manda beijos!) em que ele trabalhava. Essa relação distante e próxima ao mesmo é um dos fatores que incentivam Veronica em sua busca pela verdade e pela mãe, é preciso ressaltar, mas nesse caso, a frustração continua e por enquanto ela só pode mesmo contar com Keith.
P.S*Nota 10 para os desaforos, provocações e observações cruéis de Logan durante todo o episódio.















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