
“Não é muito inteligente irritar um cara que pensa em matar pessoas para viver…”.
Spoilers Abaixo:
Caso da semana, onde? Hannibal enganou a maioria de nós ou pelo menos aqueles que acharam que estavam diante de um série puramente feita de casos semanais.
Existem sim os tais casos, mas aqui ele pode durar três semanas, se é que me entendem. E assim percebemos que independente da duração esses casos estarão aí para transformar a vida e até mesmo mostrar a evolução humana de Will Graham e seu relacionamento com o dr. Hannibal Lecter.
Ganhamos de presente esse episódio onde o roteiro brilhou intensamente. A realidade é essa, o trunfo desse episódio foi novamente um roteiro coeso com diálogos intensos e bem escrito resultando em interpretações eficientes. E aí eu digo: como esse elenco de Hannibal é competente! E não me refiro somente a Hugh Dancy e Mads Mikkelsen. As mulheres da série também estão com tudo.
Caroline Dhavernas nos mostra uma dra. Alana Bloom racional mesmo com uma imensa tendência de se envolver demais com os casos e com Will. E então temos Lara Jean Chorostecki e sua Freddie Lounds, que raiva (boa) dessa mulher. Ela se mete com todos os casos e não se importa com o resultado, ainda mais se no final conseguir uma história. A maneira com a qual ela se impõe, desafia e atrapalha o Will é simplesmente sensacional e justamente o que ele precisa para se manter alerta e no topo do jogo. O confronto entre os dois foi simples mas de tamanha expressão que me fez ficar pedindo mais.
Acompanhamos o final definitivo (ou não) para o caso Hobbs. Durante três episódios esperávamos Abigail Hobbs acordar e iluminar nossas ideias quanto aos motivos que levaram o pai ao canibalismo. Também aguardávamos imensamente para saber se Jack Crawford estava certo ou errado quanto a cumplicidade de Abigail. Mas reais motivos não existem para tamanha crueldade de Hobbs, o que existe é uma loucura pura de um homem que justifica o canibalismo como uma maneira de honrar suas vítimas, afinal “comer é honrar, caso contrário é somente assassinato”. Sem contar a parte totalmente disfuncional de suas vítimas possuírem as mesmas características físicas de sua filha.
Apesar de nossas esperanças Abigail Hobbs nada tinha haver com os devaneios do pai, mesmo assim nunca poderá escapar das consequências. As marcas não se tratam somente de exclusão social, tratam-se também do eterno pensamento de não existir escapatória para o ditado: filho de peixe peixinho é, ou poderá se tornar a qualquer momento. Como bem disse a dra. Bloom, “folie à deux”.
Qualquer chance que Abigail poderia ter foram destruídas pela simples presença de Hannibal Lecter e seu controle psicológico. Dessa vez a menção honrosa vai para Mads Mikkelsen que começou a nos mostrar mais de onde Lecter estará disposto a chegar para manipular Will. Realmente ele está jogando um jogo de influência e poder com Will, e quem estiver no meio do caminho não será poupado. Como esperado por todos nós Hannibal Lecter começa a demonstrar uma eficiência sem igual na arte da dissimulação.
Claro que Lecter recebe a ajuda (involuntária?) de Freddie Lounds, que sem nenhum pudor planta a semente da discórdia no irmão de uma das vítimas do Minnesota Shrike. E é aí que entendemos o poder da série e seu roteiro e a sutileza que se conectam a dimensão dos planos maquiavélicos de Hannibal Lecter. O rapaz na realidade não era irmão de uma das vítimas de Hobbs, ele era irmão da vítima do copiador, ou seja, vítima do próprio Hannibal Lecter. Destino esse que ele dividiu com a irmã no final.
Hannibal sabe o que quer e aos pouco vai conseguir. Sua primeira seguidora/aprendiz ele já conseguiu. Brilhante é ele saber que para Abigal guardar seu segredo é necessário a criação de um segredo próprio para ela, e mesmo que Abigail seja extremamente fácil de manipular, nada tira o brilhantismo e a efetividade com a qual Hannibal resolve seus problemas.
Pobre Marissa, isso que realmente chamamos de estar no lugar errado, na hora errada e principalmente chamar a atenção da pessoa errada. Não sei quanto a vocês, mas até agora estou muito feliz com Hannibal e os rumos tomados pela série. Provando que o personagem, sua mitologia e Bryan Fuller quase nunca decepcionam. Agora resta a nós torcer para a NBC fazer o contrário do que anda fazendo ultimamente e não nos decepcionar.














