
“Well, a boy’s best friend is his mother”
Spoilers Abaixo:
Definitivamente podemos chamar 2013 de o ano dos serial killers, entre novos e antigos, nós o público é quem ganhamos. Eu não gosto de comparar produções, mas é óbvio que para começarmos as reviews de Bates Motel, não podemos deixar de mencionar o clássico Psicose de 1960, dirigido pelo mestre do suspense Alfred Hitchcok, já que a série foi vendida como um prelúdio dos acontecimentos mostrados no filme, ou seja, acompanharemos os anos formativos de Norman Bates e o que fez ele se tornar um dos mais enigmáticos, complexos e interessantes psicopatas do mundo cinematográfico.
O filme foi inspirado pelo livro de mesmo nome escrito por Robert Bloch que por sua vez escreveu a história inspirado em Ed Gein, assassino e ladrão de túmulos que deixou sua marca em Wisconsin nos anos 50. Os crimes de Ed, foram tão impressionantes na época, que ele serviu de inspiração não somente para a criação de Norman Bates, como também de Leatherface (Massacre da Serra Elétrica) e Jame Gumb/Buffalo Bill (O Silêncio dos Inocentes). Precisam de mais?
O que torna o personagem Norman Bates ainda mais interessante e até mesmo mais amedrontador é que num primeiro momento quase não acreditamos que escondido atrás daquele rosto exista um grave caso de distúrbio mental com dupla personalidade e leves toques de travestismo e relacionamentos incestuosos. Quando conhecemos Norman, conhecemos um personagem que eu me atreverei a dizer, é carismático, portanto a reviravolta é impressionante e simplesmente fantástica.
E foi a exploração dessa característica carismática e até mesmo um pouco inocente de Norman, que fez do piloto de Bates Motel interessante e cheio de possibilidades. O roteiro foi satisfatório e cumpriu a missão de nos apresentar o universo de Norman aos 17 anos e aos personagens que o cercarão.
No final de Psicose o psiquiatra forense nos explica a real dimensão e causa dos distúrbios de Norman. E é desse final que podemos pegar a informações necessárias para entendermos o objetivo e direção tomada por Bates Motel. Quem assistiu ao filme, sabe que a personalidade problemática de Norman começou a piorar após a morte do pai, e foi exatamente dali que os criadores da série decidiram começar a jornada. E já com um aparente segredo, quem matou papai Bates? Norma, Norman num acesso de raiva ou o irmão avulso? Só o tempo nos dirá.
Os fios soltos deixados por Psicose e que aparentemente serão utilizados por Bates Motel são promissores. Sabemos que antes de seu encontro com Marion Crane, Norman Bates matou duas garotas, Norma e seu namorado. Seriam as garotas Bradley ou Emma? Seria o namorado Zach Shelby?
Todas essas perguntas não tiraram o foco maior da série: o relacionamento totalmente disfuncional de Norman e sua mãe. Afinal, como bem mostrado pelo filme e por esse piloto, a história realmente trata-se de Norma e Norman juntos e felizes. E todo mundo sabe onde isso chegará.
Mas não podemos esquecer, que aqui Norman Bates está no auge de seus 17 anos, onde seus sentimentos estão mais amplificados e que presenciaremos de uma maneira ainda juvenil o seu cotidiano. Desde a primeira vez em uma festa adolescente até mesmo em como lidar com seus hormônios descontrolados. Tudo necessário para a formação de seu caráter quando adulto.
De início achei sim um pouco estranho e até mesmo confuso a história que é para ser prelúdio se passar nos dias atuais, mas tenho certeza que é so questão de costume, porque na realidade a história da relação de Norman e sua mãe é atemporal. Não me lembro de nenhuma menção anterior a um irmão na vida de Norman, mas se pararmos para pensar, de fato não sabemos muito sobre a sua vida, e é aqui que está o trunfo dos roteiristas da série, pois eles podem tomar certas liberdades criativas sem manchas maiores na história já estabelecida. Exatamente por isso vejo grandes possibilidades para a série.
Afinal, eu gostei de saber que Norman aprendeu muito de seus truques homicidas com a ajuda de um “mangá” achado embaixo do carpete de um dos quartos do motel. E que quarto era aquele minha gente? Sim, era o quarto número 1. Foi só eu ou mais alguém ficou confuso com a menina algemada do final do episódio? Situação do passado (do dono original do “mangá”) ou é Norman iniciando as atividades? Ou então é obra de uma terceira pessoa? Desde já, tenho a leve desconfiança que o irmão avulso também tem culpa no cartório (não sei do que, afinal ele ainda nem apareceu).
Confesso também, que apesar de acreditar totalmente no potencial de Freddie Highmore, foi um tanto quanto estranho vê-lo na pele do jovem Norman, mas esse sentimento foi embora assim que vi seu olhar nos minutos finais do episódio e o jeito com que ele fala: “yes mother”. Sem contar que há sim uma vísivel semelhança entre Freddie e Anthony Perkins.
Quanto a Vera Farmiga não há como negar que a escolha foi certa, as nuances entre a mãe carinhosa e a mãe sufocante/possessiva e os acessos de violência, foram sutis, precisos e tudo que eu espero em Norma Louise Bates. Essas sutilezas ditaram o tom do relacionamento que veremos entre Norma e Norman. Desde simples olhares, quanto a atitudes mais agressivas e até mesmo a cumplicidade em cometer crimes.
E para os fãs mais exigentes, já nesse piloto tivemos várias referências ao clássico de 1960, exemplo real foi a figura de Norma na janela. E quem não deu pulos de alegria quando Norma esfaquiou o ex proprietário do motel? Se a clássica música tocasse naquele momento eu gritaria que Bates Motel é a melhor série do mundo, mas todo mundo sabe que ainda é muito cedo, tanto para o meu grito quanto para a música.
Fico feliz também que, por mais liberdade que os criadores da série tenham em mãos, eles resolveram não modificar peças chaves do universo Bates. O motel em si, é o ícone maior e nada mais justo permanecer intacto como lembramos!
Menção honrosa para Nestor Carbonell e seu xerife Romero. Percebemos a qualidade de um xerife quando esse faz xixi ao lado da vítima de assasssinato e nem percebe. Tudo bem que foi um tanto quanto forçado ele não ter aberto a cortina, afinal é o que toda pessoa normal teria feito. Mas nem me importei muito, porque estava prestando mais atenção no cenário em questão: cortina da banheira e na banheira uma pessoa morta, e sim, de novo no quarto número 1. Aí pensamos, quantas pessoas mais sofreram nesse quarto, tudo bem que o ex proprietário morreu na casa, mas enfim a poesia está ali bem nos olhos de todos.
A questão é que se a série conseguir manter pelo menos metade do sentimento nervoso de roer as unhas que o filme tem, estará no caminho certo. Sejam bem vindos de volta a nossas vidas Norman e Norma Bates!














