
Nos dois últimos episódios, The Walking Dead encaminhou sua trama para um desfecho no qual os caminhos dos dois melhores personagens de sua melhor temporada irão se encontrar…
Spoilers Abaixo:
E sim, se ainda resta alguma dúvida que me refiro ao Governador e a Michonne que, mesmo sendo novatos na série, conseguiram conquistar seu “lugar ao sol” no coração do telespectador e, por diversas vezes foram o centro de algum episódio, ou até mesmo de arcos de episódios. E nada mais justo que, nessa famigerada guerra que é proclamada e se aproxima a cada episódio, os dois estejam nos postos principais de batalha, cada um de um lado, enfrentando-se, como havia de ser desde a Season Premiere.
Vamos então aos comentários do episódio que acendeu a fagulha da grande batalha final entre Governador e Michonne, Arrow on The Doorpost:
3×13: Arrow on The Doorpost
Este foi um episódio interessante, sob diversos fatores. Primeiro porque trouxe uma das primeiras interações genuínas entre Rick e Governador. É a primeira vez que os dois líderes estão cara-a-cara sem um clima de guerra ou pipocos de tiros de som ambiente. Aqui, o objetivo era justamente uma tentativa de um acordo, uma trégua dessa guerra iminente. E é aqui que ficou tudo bem interessante nesse episódio.
É obvio que o ritmo foi bem lento e a história não saiu muito do lugar (e nem vai sair até o Season Finale, ao que parece) e, sim, aos que acham esse clima mais ameno um demérito para a série, não posso contradizer. Sobretudo neste seu terceiro ano, The Walking Dead soube muito bem desenvolver suas tramas sem deixar o ritmo desacelerar. Nem mesmo a morte de Lori foi “mais lenta” ou “mais dramática” do que o momento pedia, então, aos insatisfeitos com “Arrow on The Doorpost” nada mais cabe senão dizer que têm razão.
Também não acredito, por outro ponto, que essa razão é plena. Eu, por exemplo, gostei muito do episódio. Sim, senti falta do ritmo e, sim, acredito que alguns minutos foram pura embromação… Mas não tem como dizer que um episódio que coloca Rick e Phillip frente a frente é um episódio desnecessário… Jamais! Ainda mais porque, por trás de cada uma daquelas cenas entre eles, muitas outras coisas eram deixadas ali pelo roteiro para nos fazer lembrar-se de tudo o que aqueles personagens passaram até chegar naquele ponto.
O encontro entre eles teria sido diferente se Phillip não tivesse perdido um olho e, sobretudo, sua filha Penny no pequeno duelo travado com Michonne? E Rick, teria tido a mesma postura se não tivesse passado por um dos períodos mais turbulentos de sua vida, com a morte de sua mulher, o nascimento de sua filha, um breve momento onde perdeu sua lucidez e a ameaça da perda da liderança de seu grupo? Se aceitarmos que um ser humano é a soma de tudo o que ele passou e todas as decisões que tomou em sua vida, devemos ter em mente que nunca, em nenhuma outra realidade, o encontro entre Rick e Phillip teria tido o mesmo resultado que este teve.
E mais, além de colocar esses dois personagens juntos justamente quando vivem seus momentos mais marcantes em suas trajetórias, o episódio ainda serviu para ilustrar como são as relações de diplomacia entre duas forças autônomas… Num primeiro momento trocam-se acusações, depois se trocam elogios e, no fim, mesmo com um acordo encaminhado, prepara-se para a guerra. Isso não ocorreu porque eles vivem num mundo pós-apocalíptico… Isso é da própria natureza humana… O homem sempre se meteu em guerras que causaram milhares de perdas irreparáveis sem a necessidade de nenhum zumbi para isso.
E assim, vendo aqueles dois líderes apontarem suas armas um para o outro por debaixo da mesa, não nos resta nada a não ser agir como Martinez, Daryl, Milton e Hershel, que viveram os poucos segundos de trégua como iguais – o que de fato são – antes que seus respectivos líderes dessem o aval para que se iniciasse a carnificina.
Mas, sobretudo, o melhor do episódio foi guardado para o final: a proposta do Governador para Rick, prometendo acabar essa guerra se este lhe entregar Michonne. Se a nossa espadachim andava meio apagadinha, sem o mesmo destaque da primeira parte da temporada, com essa proposta de Phillip ela é alçada a um dos postos de protagonista dessa batalha que vem se desenhando… O que podemos indagar aqui é se Rick realmente vai ser ingênuo de acreditar na promessa do Governador e/ou como o grupo do presídio vê essa imponente figura: ela é um deles ou não? Michonne já deu sinais de que quer fazer parte daquela “família”, mas será que esse sentimento é recíproco?
Foram com essas perguntas na cabeça que começamos a ver o episódio seguinte de The Walking Dead, “Prey”…
3×14: Prey
Se o problema do episódio anterior foi o ritmo, não há muito que se reclamar deste… É visível a intenção da equipe de produção de TWD de enrolar um pouco, deixando para o episódio final (ou, quem sabe, os dois últimos) o grande embate Prisão x Woodbury e, neste sentido, decidiram dar chance a alguns outros personagens de se destacarem e, com isso tirar um pouco os holofotes dessa guerra tão prometida. Pelo menos eu achei genial vermos a reação de alguns personagens que não vinham tendo destaque, como Milton, Andrea e até mesmo Tyreese e seu grupo.
Com foco quase que completamente em Woodbury, o episódio mostrou que a insanidade de Phillip começa a criar pequenos conflitos em sua comunidade, que pode não estar tão satisfeita assim com esse conflito que seu líder criou. Grande exemplo disso é Milton que, mesmo não traindo o Governador e preferindo manter-se ao seu lado – mesmo após a proposta de Andrea dele se juntar ao grupo do presídio – ainda assim não concorda com as atitudes mais recentes do Governador que, convenhamos, nada tem de altruísta. Por esses motivos, Milton decidiu contar a Andrea o plano de Phillip de pegar Michonne e fazer sabe-se lá o que – o abatedouro dele deu certo medo… Deu para imaginar algumas das torturas que ele planejou – e, com isso, ajudou moça a se decidir completamente por qual lado lutar nessa briga.
O problema é que, se o Governador não aceitaria bem uma virada de casaca de Andrea em qualquer outro momento, na atual situação e com sua atual falta de sanidade, isso foi completamente inaceitável, e aí começou a caçada de Phillip à Andrea. Achei isso tudo genial porque, ao ficar ao lado do Governador num primeiro momento, Andrea ia trilhando seu caminho em direção àquela que deveria se tornar sua melhor trama em toda sua trajetória na série e nesse episódio a moça teve ter seu momento de protagonista.
Mas Andrea não foi o grande destaque desse episódio apenas por ter decidido de que lado está não… Além disso, a moça fica responsável por plantar uma pequena semente de discórdia na cabeça de Tyreese que, mesmo sem muito destaque até aqui, se mostrou um homem muito íntegro e justo e, com as dicas de Andrea, começou a abrir os olhos para os problemas que existem dentro do muro de Woodbury. The Walking Dead tem hoje tantos personagens e, sobretudo, muitos com motivo para odiar Phllip (Hershel, Glenn, Maggie, Rick, Merle, Michonne Andrea) que duvido muito que Tyreese vá ter muito destaque nessa grande batalha, mas com certeza pode ter atitudes que o colocarão dentro do grupo de Rick.
Quem também promete alguma reviravolta é Milton. Sua insatisfação com Phillip alcançou o auge nesse episódio, mas, se num primeiro momento ele se manteve fiel, duvido que isso vá continuar assim agora que o Governador acha que foi traído por seu “conselheiro”, depois da história do churrasquinho de zumbi… Essa é uma pitada de pimenta interessante nesse caldeirão borbulhante que vem sendo esse conflito, afinal, se o Governador deve morrer nessa Season Finale – e isso não é um spoiler, mas sim um palpite, uma vez que vilões devem desenvolver seu papel e depois saírem de cena – agora temos mais um candidato ao posto de executor… Seria Milton capaz de matar Phillip para, sei lá, salvar Andrea? Acredito que uma traição de alguém do seu grupo seria o final perfeito para Phillip, mas eu ainda prefiro que quem o mate seja Andrea ou Michonne.
E se tinha alguém que achava que Andrea talvez não tivesse tantos motivos assim para matar Phillip, depois desse episódio, esses já não lhe faltam. E já ficam aqui os meus parabéns aos roteiristas desse episódio, Glenn Mazara e Evan Reilly, bem como ao diretor Stefan Schwartz pelo excelente trabalho naquela sequência do galpão, onde a imprevisibilidade era absurda e temíamos muito pela segurança de Andrea… E, sobretudo, meus parabéns ao impressionante trabalho de David Morrissey que soube construir um Governador de maneira tão magnífica no decorrer dessa temporada que, nesse episódio, no auge de sua insanidade, conseguiu transmitir ao público o pavor que o personagem deveria passar. Fantástico!
Agora, elementos técnicos à parte, só podemos agradecer pelo final genial do episódio que colocou Andrea naquela cadeira de tortura e que mostra que The Walking Dead pode sim surpreender muito nessa reta final. E, convenhamos, esse final de temporada merece ser memorável, pois, com poucas derrapadas até aqui, essa foi uma temporada praticamente irretocável para a série.
E agora só nos resta roer todas as nossas unhas e aguardar os dois últimos episódios que The Walking Dead ainda tem para nos mostrar… Tenho certeza que Glenn Mazzara ainda tem muitas surpresas preparadas para esses dois episódios que encerram esse terceiro ano de TWD… E vocês? O que aguardam? Também acham que o Governador vai morrer no Season Finale? Quem seria seu executor? E no grupo do presídio, teremos alguma baixa importante? Vamos lá… Tão perto do fim é a hora ideal para especularmos.
P.S.: Achei muito interessante o flashback mostrando Andrea e Michonne e entendo a importância dele para criar uma ligação entre as duas personagens (que deve motivar grande parte da batalha final), mas fui só eu que achei que ele tá uns dez episódios atrasado? Achei meio deslocado, mas nada que prejudicasse o episódio.
P.S. 2: O que prejudicou o episódio, mas nem tanto assim a ponto de merecer espaço na review foi a burrice de Andrea que nem pensou em roubar o carro de Phillip pra fugir… Tá bom, a chave deveria estar com ele, mas sei lá, pelo menos tentar ela deveria… Mas nem culpo o roteiro por isso não, acho que a burrice foi de Andrea mesmo, que nunca foi um poço de inteligência, mas vinha numa crescente impressionante pra se deixar capturar assim tão facilmente.
Por fim gente, gostaria de dizer que foi um prazer escrever sobre The Walking Dead… Amo demais a série e sempre sonhei em escrever sobre ela, mas não sei se conseguiria ser seu reviewer oficial, afinal, esse fardo é muito grande para se levar. Meu amigo e xará Thiago Lourenço teve alguns empecilhos e não pode – com muita dor no coração – fazer essas últimas reviews de TWD. Com prazer, e sabendo que seria temporário, aceitei tapar esse buraco e escrever essas duas reviews… Semana que vem o Lourenço volta e eu também, mas a partir de então, aí com vocês, comentando a review dele. Grande abraço!














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