
Existem vezes que um peão bem posicionado pode ser mais valioso que uma rainha.
Spoilers Abaixo:
Ter expectativas é algo bastante perigoso. Quando se espera ansiosamente por um filme ou uma série, existem duas possibilidades: a decepção e a superação. Às vezes, ficamos com aquela sensação de que não foi tão bom quanto imaginávamos… Felizmente, Criminal Minds não seguiu essa primeira opção, visto que conseguiu trazer um roteiro extremamente inteligente ao abordar o assunto mais importante neste seu oitavo ano: o psicopata misterioso que persegue a equipe e copia os crimes resolvidos, o Replicator. Escrever a cada semana que Criminal Minds tem apresentado excelentes episódios já ficou cansativo. Em Carbon Copy, houve uma grande questão. Como agir a partir do momento em que os perfis dos profilers são traçados?
Em Zugzwang, não havia motivos para se preocupar com a origem daquela ligação na cabine telefônica. O termo de xadrez fora dito por Diane Turner para atrair Spencer Reid e ponto final. Todos aceitaram essa explicação porque não havia motivos para contestá-la. Mas quando Jennifer Jareau recebeu o buquê de flores com uma simples mensagem dizendo “zugzwang,” novas perspectivas puderam ser formadas. E se o Replicator também estivesse perseguindo Maeve? Quem teria realmente feito aquela ligação? Como não foi possível identificar a voz da pessoa naquela chamada, tanto Diane quanto o Replicator poderiam ter contatado Reid. Acredito que o nosso psicopata favorito estava por trás daquela linha para atiçar ainda mais o lado emocional da equipe, preparando-se para um confronto maior pela frente.
Os agentes da BAU, em toda a história série, haviam sido os alvos centrais em duas oportunidades, estas protagonizadas por Randall Garner e Henry Grace. Depois de ter notado as semelhanças entre o Fisher King e o Replicator na review da semana passada, fiquei muito feliz ao ver que Rossi também fez a associação. Henry Grace, por sua vez, queria atingir o mesmo Rossi e toda sua equipe pela prisão de seu irmão ao adotar um padrão matemático fabuloso. Ambos eram narcisistas e tinham um passado com a BAU, algo que fez esses unsubs escolherem especificamente Hotch e companhia. O Replicator deve ter uma lógica semelhante. Preso injustamente, parente de vítima de um assassino que não foi capturado, renegado no FBI, enfim… São milhares de motivos que podem ocasionar um ódio terrível pela BAU, além de, é claro, uma vontade de fazer joguinhos.
Existem muitas pessoas, principalmente dentre os norte-americanos, que especulam Jason Gideon para esse papel, até porque ele foi lembrado em Carbon Copy. Faz sentido? Sim e não. Ele saiu desapontado com a humanidade depois de ter visto tantas coisas horrendas que o ser humano é capaz de fazer. Talvez ele tenha enlouquecido de vez e começado a perseguir os integrantes da equipe. Ele também tem um grande conhecimento na área, o que facilitaria sua vida. Mas por que agora, depois de quase seis anos? Ele e Reid sempre tiveram uma relação de pai / filho ou professor / aluno, mas agora Gideon se revoltou e tentou acabar com a vida de Reid no caso com Maeve? Aquela carta foi uma despedida, e ele deixou o FBI como herói! Isso pode acontecer? Praticamente impossível. A produção não quer ver Mandy Patinkin nem pintado de ouro devido às circunstâncias de sua saída. Recentemente ele deu uma entrevista criticando a violência presente em Criminal Minds. Ou seja, aos que sonham com esse desfecho, comecem a elaborar novas teorias. Mas já pararam para pensar como seria sensacional ele como unsub e a Prentiss assistindo nas investigações na season finale, assim como a J.J. fez para prender Ian Doyle, depois de o Replicator ter sequestrado a Garcia, por exemplo?
Quando Donnie Bidwell foi mostrado pedindo uma assinatura contra a poluição do rio e mostrou a arma, deduzi logo que ele simplesmente não podia ser o unsub. Para uma identidade que era tratada como absolutamente secreta desde setembro, mostrá-la com pouco mais de 15 minutos entrava em xeque com tudo o que fora construído. Sua personalidade também apresentava várias inconsistências: ele era instável, impulsivo e encontrou-se tremendo enquanto lavava o sangue. Os roteiristas tentaram confundir ao determinar uma profunda calma na hora da apreensão e uma arrogância em certos instantes. O surto que Bidwell deu, justificando seus motivos para odiar o FBI, e a primeira ligação ainda em casa foram somente para despistar o telespectador. Ele acabava que se encaixava no perfil pelo seu passado, exceto alguns detalhes, como a residência bagunçada, o nervosismo e a ausência do momento de glória. Enquanto assistia ao episódio, torcia angustiadamente para que Criminal Minds não cometesse um erro tão banal ao colocar Bidwell como Replicator e fechasse o caso, trazendo aquela enorme decepção pela simplicidade de um arco que poderia ser bem maior.
Donnie Bidwell era um singelo peão para deixar a equipe bastante ocupada, enquanto o verdadeiro Replicator desenvolvia seu modus operandi e preparava novas armadilhas. O “fotógrafo” escolhera um indivíduo fraco psicologicamente para brincar com os agentes. Pegou algo que ele não suportava (o FBI), o motivo de seu fracasso (as enfermeiras) e deve ter feito uma bela proposta, manipulando ao melhor estilo Joe Carrol de The Following. Após inúmeras tragédias em sua vida, Bidwell acabaria matando, o nosso psicopata somente deu um empurrãozinho. Até porque drenar o sangue em uma cidade totalmente diferente de São Francisco, não apontar as vítimas para obras de arte e matar compulsivamente fugiria muito do seu estilo. Para alguém tão metódico, uma mudança tão brusca seria radical demais. Bidwell era somente um associado do Replicator, que foi convencido a matar em troca de algo superior.
Alguém percebeu a mudança brusca na trilha sonora quando o terceiro corpo foi encontrado? Passaram duas duplas na cena do crime, totalizando quatro pessoas. Será que o verdadeiro Replicator estaria infiltrado para acompanhar os passos do FBI ou um daqueles seria somente mais um de seus amigos? Será que esse foi somente algo para enganar o telespectador novamente? Vejo em mais um associado a alternativa correta. Confesso que já revi esses detalhes e tentei comparar as expressões faciais com a que vimos tirando retratos há alguns episódios. Não vi semelhança e, por esse motivo, penso em outro “amigo”.
Após o suicídio de Bidwell, ficou evidente para os agentes que o perseguidor ainda estava à solta. Garcia fez suas magias, conseguiu um telefone em comum com os contatos de Donnie e as flores de J.J. e definiu uma localização. Tudo estava fácil demais para um assassino tão complexo, mas isso não retirou a tensão nos últimos minutos. O que estava no armazém? Mais uma vitima morta depois de ter sido sufocada e golpeada com um martelo, copiando o unsub de The Apprenticeship. E o que estava ao redor do corpo? Fotos de todos os agentes com uma única palavra, esta escrita diversas vezes: “zugzwang.” Logo esta palavra! Ele já era ousado, mas, desta vez, ele ultrapassou os limites. Criminal Minds mostrou que, mesmo com certa previsibilidade, tem a capacidade de montar finais espetaculares. Todos olharam com aquela expressão de que pareciam não acreditar naquela cena.
A review ficou bem extensa, mas acredito que um episódio como esse deve ser tratado com uma análise bem detalhada. Foi, sem sombra de dúvidas, excelente. Gosto desses casos desafiadores e complexos. Roteiro perfeito, bem amarrado e sempre coerente. Ainda não saiu sinopse do próximo, mas a única certeza que temos é a volta de Criminal Minds no dia 20 de março! Pelas contas que fiz, só teremos este e mais um hiato de uma semana até o final da temporada. Se Criminal Minds mantiver o nível, certamente teremos a melhor temporada. Muitos abandonaram a série pela saída da Prentiss e pelas inúmeras besteiras que a CBS fez. Eles não sabem o que estão perdendo. Criminal Minds demonstra que, mesmo em seu oitavo ano, sua fórmula não se mostra desgastada e só tem espaço para surpreender cada vez mais. Muitas novatas sentem inveja dessa maravilhosa capacidade.
Observações:
– O escritor do episódio foi o mesmo do The Apprenticeship. Como considero este o mais fraco da temporada, creio que Virgil Williams tentou dar mais atenção ao seu trabalho quando reeditou a morte. Somente acho estranho que o Replicator tenha matado em uma cidade diferente. O crime original foi em Miami, não em Pittsburg.
– Volto a comentar sobre audiência. Criminal Minds alcançou os piores números de sua história na quantidade total de telespectadores. O índice da demo 18-49 anos, bem mais relevante, foi exatamente o mesmo da semana passada. E teremos uma folga de duas semanas! Como assim? Presumo que o telespectador norte-americano voltará com todo o fôlego para o final da temporada. Basta esperar.
– Comentei sobre The Following na review. A série estreou esse ano e já tem seis episódios. Quem gosta de Criminal Minds, vai gostar de The Following. Recomendo!
– Rossi foi o alivio cômico do episódio. Depois de sugerir um abraço ao detetive, disse que seria difícil matar a Strauss. Até hoje, acho a relação deles muito estranha…
– Finalmente voltaram no caso que quase arruinou a carreira da Blake. Strauss estava toda bem intencionada para pedir as desculpas, mas não pôde fazer isso. Vimos que Blake ainda tem um ressentimento com a atual chefe, visto que fez um comentário sarcástico ao lado de Hotch. Espero um desenvolvimento desse arco.
– Strauss confiando no Hotch? Muito estranho!!! Depois de querer tirá-lo a todo custo no final da segunda temporada do comando da BAU, agora ele pergunta a ele se a equipe está bem para resolver o caso. Falou até que se alguém os tirasse da investigação, seria devido a sua demissão ou por cima do seu cadáver. Aaron, get this son of a bitch!
– E mais Strauss… Isso que acontece quando uma personagem que amamos odiar volta. Repararam a expressão que ela fez quando viu as mortes no monitor? Lembrou muito o 3×02 – In Name and Blood, quando ela desmaiou ao ver a garota morta num beco.
– O título do episódio foi, mais uma vez, muito inteligente. Fizeram a relação entre a cópia dos assassinatos e o papel carbono. Ótimo!
– Morgan mostrou muito de sua personalidade ao prender Bidwell. Segurou-o com toda a raiva que ele havia demonstrado com Billy Flinn da season finale da quinta temporada (na minha humilde opinião, um dos melhores unsubs de Criminal Minds) e na morte de Emily Prentiss. No 8×18, teremos mais dele, retomando um caso muito antigo…














