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O reality show Ídolos chega a sua quarta edição aqui no Brasil, e segunda pela Rede Record. O programa em si é até bom, mas falha homericamente em sua principal proposta, a de revelar um novo ídolo da música brasileira. Afinal, qual a relevância de Leandro Lopes, Thaeme Mariôto e Rafael Barreto no cenário musical brasileiro?

Para um programa de talentos possuir credibilidade, ele precisa conseguir alavancar a carreira daqueles que se propõem a participar dele. Sei que muitos dos problemas que impedem uma carreira bem-sucedida não são do Ídolos em si, mas sim da indústria fonográfica brasileira atual. Apesar de tudo isso, ano após ano surge uma nova temporada, e mesmo com a consciência de que dificilmente um grande sucesso surgirá dali, continuo acompanhando o programa por gostar bastante de seu formato.

Como em todo Idol pelo mundo, começamos pelas audições. Ano passado elas foram um tanto confusas, ao ficar num mesmo episódio transitando por diversas cidades e depois retornando aos mesmos locais que já haviam sido mostrados. Este ano consertaram esse defeito e uma ordem está sendo seguida, assim, parte-se para a cidade seguinte apenas quando já terminou a anterior.

Alguns candidatos interessantes já surgiram, mas poucos com real potencial de Top 10 (ou 12, já que ainda não sei como será esse ano). Os próprios jurados comentaram em ambos os episódios que as audições ainda não haviam atendido às suas expectativas.

Minha favorita do primeiro dia foi Natália, que apesar da insegurança, já mostrou que possui uma ótima voz e pode crescer muito na competição. Também passaram pra próxima etapa duas irmãs gêmeas que cantaram Age of Aquarius, do musical Hair. Juntas elas apresentaram uma boa performance, mas quando desafiadas a cantar individualmente fizeram apenas o necessário para passar de fase, sem surpreender muito. Romero também mostrou-se bom em seu estilo, o samba, e pode conseguir chegar longe.

No segundo episódio tivemos o retorno dos (não tão) conhecidos Saulo e Bárbara Amorim. Ele chegou ao Top 30 no ano passado e acabou eliminado pelos votos do público. Esse ano voltou bem melhor, mostrando que durante esse período amadureceu musicalmente e acredito que agora sim está preparado para a competição. Já Bárbara participou da segunda edição do Ídolos do SBT, chegando ao Top 32. Meio ignorada pela edição no passado, desta vez teve direito até a vídeo com sua história de vida.

Surpreendente também foi a audição de Lívia. A garota disse que nunca havia cantado na vida, e ao iniciar a audição, teve sua voz comparada à Maria Bethania pelos jurados e recebeu três “sins”, juntamente com inúmeros elogios. Após, sua mãe comentou que espera que sua filha seja julgada pelo que canta, e não por sua sexualidade. No momento pensei que a garota fosse lésbica, mas em seguida nos foi revelado que Lívia na verdade é um travesti. Do jeito que os jurados gostaram dela, acredito que ela chegará até a fase da votação popular, e a partir daí poderemos ver se o público irá julgá-la pela voz ou se o preconceito acabará sendo um fator determinante.

Como sempre, também tivemos os candidatos ruins que tornam as audições divertidas. Francisco chegou dizendo que tinha extensão para cantar Celine e Whitney, mandou uma música de Gal Gosta e nem a letra conseguiu lembrar. Também tivemos o cantor de heavy metal Davi, com seu impagável hit “Meu Ursinho”. Mas o grande destaque mesmo foi Manoel Neto, que possuía a voz “entupida”, segundo palavras dele próprio. Não bastasse ser ruim, ainda precisou ir ao banheiro no meio da audição.

O que espero para os próximos episódios é poder ver mais candidatos realmente bons, que eu consiga enxergar como possíveis finalistas. Com uma boa edição, boa trilha sonora e um bom time de jurados, Ídolos tem tudo pra dar certo. Só falta mesmo aparecer um grande ídolo.

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