
Não mexam com os velhinhos, sejam eles os executivos do excelente canal TCM ou os criadores da clássica minissérie V – A Última Batalha. Os primeiros pela sacada genial de estrear a minissérie em meio a todo o hype da nova versão, que estréia nesta fall season, e os segundos pelo programa bem construído, inovador e divertido que é V.
Eu posso não ser o melhor aluno do curso de Letras, pra falar a verdade estou longe de ser, mas se tem algum gênero literário que sempre me empolgou foi a ficção científica. Passando por George Orwell, H. G. Wells e Aldous Huxley, é perceptível a influência de suas obras sobre o resultado final da série. E o que mais me fascina neste tipo de literatura é perceber que os extraterrestres, efeitos especiais e parafernálias nada mais são do que acessórios para se narrar histórias do funcionamento de setores digamos que“ tensos” da nossa sociedade, entrando aí o mérito de V, que é aliar a diversão dos lasers e répteis com a discussão política.
Para quem não teve a oportunidade de assistir, no piloto o mundo recebe a visita de seres alienígenas que alegam vir em missão de paz, apenas querendo alguns recursos da Terra, oferecendo em troca o elevado conhecimento que possuem. Seria excelente, se não fosse uma farsa. Neste primeiro episódio ainda não ficamos cientes dos planos do seres comedores de porquinhos da Índia, mas os vemos caçar a elite intelectual da época (que seriam os cientistas) e utilizar a mídia para manipular a opinião pública (como uma Rede Globo), colocando-se na posição do Estado, em um V de Vingança da vida.
Não é difícil relacionar o enredo de V com momentos históricos importantes, como a nossa ditadura (período inclusive em que a minissérie foi exibida pela primeira vez) ou como um dos próprios personagens, que o tempo todo relembra o Nazismo. Se até mesmo hoje em dia, com o auxílio da internet, ainda sofremos do mal da alteração do ponto de vista da notícia em benefício de alguns, que dirá o povo que dependia única e exclusivamente da televisão na época?
Do lado técnico, preciso ressaltar o quanto a série era desenvolvida. Óbvio que mais de 25 anos se passaram, os efeitos evoluíram e muito, mas é fácil perceber o grande investimento que a minissérie deve ter sido na estréia. Os atores, com algumas exceções, não são dos melhores, mas a história é tão fluida que esse é um detalhe que passa batido. E agora eu entro no ponto: e a nova V?
Bom, eu não levo muita fé. Analisando o trabalho de Scott Petters em The 4400, a impressão que não sai de mim é que o apelo alienígena vai ficar em alta, mas a trama política do embate dos Resistentes humanos vai ser dissolvida. Espero estar enganado, mas esse piloto bem construído, devagar o bastante para desenvolver o clima e sutil nas brincadeiras e na ação tende muito a ser simplificado (ou “falsamente complicado”, para embarcar os fãs futuramente órfãos de Lost). Se a antigo V era um belo prato de Spagueti, meio receio é que a nova V seja um grande miojo. Feito em 42 minutos.












