Todos se apaixonam por Paris.

Spoilers Abaixo:

Já temos Apartment 23 de volta, e enquanto permanece a sensação de que é uma questão de tempo até o cancelamento ser anunciado, vamos acompanhando o aliciamento desses roteiristas, que continuam na saga para provar que o Chloe Way Of Life tem muito mais vantagens do que desvantagens. Porém, dessa fez as coisas foram um pouco diferentes.

Geralmente, a dinâmica da série é a de estabelecer uma competição entre os valores morais de June e a falta deles em Chloe. Uma interfere na vida da outra, com June aprendendo que um pouco de malícia não faz mal a ninguém, e com Chloe ficando passível de entender que respeitar algumas convenções ajudam a melhorar a vida em sociedade. Claro que a bitch não está nem aí para viver bem coletivamente, mas a relação com June, além de fazê-la sentir-me melhor consigo mesma, permite que ela possa, veladamente, estabelecer uma ligeira parceria. Parceria que não existe com James, já que ele apenas alimenta os devaneios da amiga.

Dessa vez foi a hora de June perceber a necessidade de mudar o ritmo, sozinha. Assustada com a perspectiva do novo ambiente de trabalho, June liga o modo simpatia no máximo e acredita já ter feito sua mais nova melhor amiga: Paris. O problema é que Paris só é falsamente apaixonante, e Chloe sabe disso. June insiste numa crença cega pela humanidade e demora (dentro da proporção de uma série de 21 minutos) a perceber o potencial Chloe de Paris. Qual a melhor atitude diante disso? Deixar que as duas bitches cuidem uma da outra.

Paris é a Cidade-Luz, mas sua homônima é toda trevas. Sendo assim, Chloe encontra uma aliada para o lado negro de sua força. As duas se unem e June se vê obrigada a lidar sozinha com a situação. Daí pra frente começa um show de situações engraçadas em que June tenta de novo agir com uma pequena dose de filhadaputice, mas sempre se dá mal. Numa dessas, acaba protagonizando um pastelão macabro. Essa é uma das grandes qualidades de Apartment 23: numa cena com bolo, numa outra série, alguém ia acabar caindo de cara nele. Aqui não… Na cena com bolo, June acaba esfaqueando a inimiga num absurdo acidente. Maravilhoso!

A loucura funciona e Paris é deportada para sua insignificância. O papel de Chloe então passa a ser apenas o de se desculpar. Fica evidente que embora June tenha decidido agir sozinha, o sucesso de sua transgressão só foi possível, ainda, pela via do acaso. Talvez até o final da temporada (e da série, pelo jeito) a caipira tenha coragem de fazer uma maldadezinha pura e proposital.

Já com James a semana foi de menor importância. De todos os personagens de Apartment 23, o Mark é o que eu menos gosto. E por conta disso, essa parceria com Dawson não é a coisa que eu mais queria ver no show. James sem fazer referências ao Creek e ainda por cima de amiguinho do Mark, não me fará tão feliz. Mas, ele sempre rende momentos muito bons e aqui não foi diferente.

Para descobrir como ajudar Mark a escrever um cartão para June, James vai desde uma ótima atuação de June até um exercício teatral peculiar, que traz certas memórias desconfortáveis para James. O astro termina sentado em escadarias muito parecidas com as de Carrie Brashaw e reflete solitariamente sobre mais essa deliciosa loucura de Apartment 23.

Assim, terminamos mais um bom episódio e ficamos nos perguntando por que raios as pessoas não começam a assistir o programa, valorizando um tipo de humor mais ácido, menos inocente, mas que seria muito bem vindo em meio a tantas comédias mais conservadoras.

2×09: The Scarlet Neighbour

 

Seu futuro lhe condena.

Quando a gente tem uma personalidade mais conservadora (leia-se uma pouco de medo de ultrapassar limites) temos a tendência de julgar quem decide assumir mais riscos. Ao mesmo tempo, tem muita gente que vive de assumir riscos e só vê com desprezo as pessoas que sabem a hora de parar. Ninguém compreende exatamente a beleza do meio-termo, que em alguns casos, não é fraqueza e sim, sabedoria.

Essa foi exatamente a dinâmica desse episódio de Apartment 23, que continua sendo cuspida na programação como se a NBC quisesse se livrar dela como de uma doença venérea. Esse cancelamento provavelmente já é uma realidade nos corredores do programa, ou esses produtores não estariam tão tranquilos com essa bagunça de exibir episódios completamente fora de ordem.

Em The Scarlet Neighbour June ainda está trabalhando no café. Esse tipo de postura não ajuda ninguém a preservar a integridade de seu programa… Por mais que o episódio tenha sido bom, não é bacana dar de cara com esse tipo de negligência. É como se a própria Chloe estivese organizando essa grade, planejando livrar-se de seu próprio mundo.

Aliás, sabotar-se é uma coisa que ela entende. Basta June querer se dar bem com a vizinhança para que ela interfira com seu comportamento polêmico. Aqui, no entanto, a questão é outra, já que o episódio acaba virando uma busca pela tentativa de frear a inconsequência de Chloe, mostrando que seu futuro pode sofrer as consequências diretas dessa vida sem raízes. June a leva para um choque de realidade e apavorada com a ideia de virar uma velha caquética sem noção, Chloe aceita o desafio de buscar um homem apropriado.

O escolhido acaba sendo Mark. Logo Mark… E eu que já tinha falado que não ia muito com a cara dele… Por conta de loucas alucinações, Chloe elege o estranho como possível pretendente. E lá se vão todos os personagens para um brunch na casa do sujeito. Mark se salva sendo minimamente interessante no episódio, mas como sempre, o show é de Chloe.

A preocupação em mostrar como ela e June se interferem continua em pauta. James, que passa o episódio todo lidando com o fato de não ter mais a amiga como parceira de balada, atenta para a evidência de que Chloe jamais se interessaria por um homem que fosse apropriado. O roteiro então se direciona nesse sentido e logo arruma um jeito de mostrar que Mark é inapropriado porque está apaixonado por June. A informação desses sentimentos latentes dele teriam feito mais sentido e seriam mais coerentes se a ordem dos episódios estivesse certa, mas enfim… Pra quê ficar lutando contra a imbecilidade hierárquica.

Ao final do episódio, fica a lição de que Chloe jamais poderá ser mudada. Lição essa que não se estende para June, que vive sofrendo a interferência massiva dessas transgressões em sua personalidade. No episódio passado, ela aprendeu que lidar sozinha com certa dose de maldade pode ser bom, mas com essa inversão de ordem, a vimos sendo totalmente ingênua novamente. Isso definitivamente é péssimo.

E a próxima review vem aí, porque a pressa de se livrar do show está beirando a loucura. Três episódios praticamente seguidos.

Dawson’s Notes: James Van Der Beek bem que poderia mesmo ter sido, ou ser, jurado convidado do Project Runway. Mas esse James.

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