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Bem, já faz um tempinho que eu estou escrevendo aqui e me disseram para ficar a vontade, então vou ser “sincera como não se pode ser”: logo que eu ouvi falar em Veronica Mars eu jamais cogitei assistir a série. Eu a descartei como mais um draminha adolescente. Não que tenha algo de errado com dramas teen, mas no geral esse tipo de série não é meu estilo. Apesar de algumas tentativas (Dawson’s Creek, The O.C.) antes de Veronica Mars o mais próximo de uma série teen na minha lista de séries favoritas era Gilmore Girls.

Como eu estava errada!

Veronica Mars me conquistou na primeira fala em off da sua personagem principal.

Atenção: O que eu vou dizer agora pode ser mal interpretado como uma crítica, mas eu juro pelo último resquício de chance que o filme de V Mars tem de ser feito que é um elogio.  A série lembra um pouco os desenhos envolvendo investigação que eu assistia quando criança. Claro que aqui os casos são mais elaborados e os temas são bem mais adultos, mas ainda assim Veronica Mars desperta em mim um agradável sentimento nostálgico.

A própria narração em off contribui para essa nostalgia. Faz com que eu me lembre de algum seriado noir que eu nunca assisti.

Loucuras da minha cabeça a parte, a primeira coisa que me surpreendeu em V Mars foi a força da sua personagem título. Veronica é sem dúvida uma das personagens mais bacanas que eu tive a oportunidade de ‘conhecer’. Independente, inteligente e ligeiramente maluca V. poderia facilmente tornar-se uma grande amiga se realidade e ficção pudessem se misturar.

Aliás, ótimos personagens é o que não falta na série. Não me perguntem porque, mas eu nunca consegui odiar o Logan. Nem mesmo no início da série quando tudo o que ele fazia era tornar a vida da Veronica um inferno. E quando eu ouvi os motivos que ele tinha para tanto ódio direcionado a V. eu percebi que o personagem era ainda mais interessante do que eu pensava. Desde então, eu contrariei minhas tendências normais (reza lenda que eu não tenho coração) e torci por ele e pela Veronica até o último instante da série. Aliás, eu adorei a última cena dos dois no episódio final.

Só não me peçam para gostar do Duncan, que ele me dá sono de tão sem graça. Lilly por outro lado, chama mais atenção nos curtos flashbacks em que aparece que o irmão nas duas temporadas em que participou. Acho surpreendente como é facil gostar da Lilly. Se o tratamento dado a personagem fosse um pouco diferente ela provavelmente despertaria a antipatia do publico. Ela era visivelmente mimada, no mínimo um pouco egoísta, traiu o Logan inúmeras vezes, e dormiu com o pai do namorado. Ainda assim é impossível não se apaixonar pela Lilly, a final ela é sem dúvida Fabulous!

Eu adorei que a série não teve medo de assumir riscos. Verdade que foram poucos os momentos em que V Mars me surpreendeu, mas a série soube tratar de temas polêmicos sem fantasiar ou amenizar as situações. Já no episódio piloto a personagem principal nos confidencia em off: “Quer saber como eu perdi minha virgindade? Eu também.”

Quando eu digo que a série não me surpreendeu muitas vezes, não é uma crítica. Se eu muitas vezes fui capaz de resolver os casos junto com a Veronica, é porque ao contrário da maioria das séries de investigação que têm sempre uma solução mirabolante para seus casos, em V Mars as coisas geralmente são resolvidas com simples lógica. Eu particularmente adorei o modo como os casos eram resolvidos e, é claro, a chance de tentar resolve-los junto com a V.

Faz menos de uma semana que eu terminei a série e a saudade já é tanta que a vontade é assistir tudo de novo. Mas não vou chorar pelo cancelamento da série, ou ficar suplicando por um filme (não aqui, pelo menos), apesar de tudo eu realmente gostei do final. Ele deixou sim muita coisa não resolvida, mas é para isso que serve a minha imaginação, e se um dia o tão sonhado filme sair, bem talvez eu encontre algum de vocês leitores na fila do cinema (na estréia, é claro).

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