
Quando o senso do dever fala mais alto do que a própria vontade.
Spoilers Abaixo:
Há muito tempo atrás, existiu um rei chamado Davi muito amado por seu povo, ele era conhecido por ter um coração nobre e valente. Mas mesmo assim ele era um homem, e como todos os humanos, está sujeito a fraquejar. Acabou apaixonando-se por uma mulher casada chamada Betsabá. Para piorar ela era a esposa de um dos seus melhores soldados, seu nome era Urias. Para piorar ainda mais a situação, a mulher acabou grávida do rei. Sem pensar muito, o rei achou uma solução, mandou o marido de Betsabá para guerra na linha de frente. Resultado, o obediente soldado acabou morrendo na guerra e o rei casou-se com a mulher. Três personagens
Mas por que o soldado foi para a guerra sabendo que se ficasse na linha de frente morreria? A verdade é que ele seguiu para a morte certa pelo simples fato de que ele colocou o senso do dever antes da sua vontade. Provavelmente a vontade dele era fugir, salvar sua vida. Mas no fim, servir o rei era mais do que uma obrigação, era uma questão de honra.
Em Merlin, o processo é semelhante, não no sentido do rei utilizar seu cargo para obter benefícios próprios, mas no sentido da honra e do senso de dever, tanto de mestre (no caso Arthur) quanto dos servos (Merlin e cavaleiros).
Esse episódio contou com o senso do dever no seu alicerce. Merlin teve a chance de mudar a história de Camelot, quando poderia ter dito para Arthur abraçar a magia. Poderia ter contato a Arthur sobre seus poderes, quem sabe as honrarias que receberia sendo um mago tão poderoso. Mas ao invés disso preferiu aconselhar Arthur a banir a mágica de Camelot. A questão é, por que ele fez isso?
O dever com o rei falou com Merlin. Proteger a vida do rei foi mais importante do que seu próprio bem-estar. Merlin levou a sério a premissa de que servir vem antes de ser servido.
Até Mordred levou essa premissa a sério quando colocou sua própria vida em risco para salvar a vida de Arthur. Será que o jovem provou sua fidelidade ao rei? Provavelmente o conflito de Mordred, será um dos grandes pontos dessa temporada.
O episódio teve até espaço para Guinevere, cuja presença andava um pouco apagada. A jovem cumpriu a risca seu papel de rainha sensata, aconselhando e apoiando o marido. A sintonia entre o casal ficou mais do que evidente.
Apesar de esse episódio ter sido um pouco mais lento, se comparado com os demais já apresentados na temporada, teve sua importância, ao focalizar no conflito dos personagens do que propriamente na aventura.
O episódio apresentou a questão da magia. A presença das três bruxas remeteu um pouco a Macbeth. Só que em Merlin, a intenção das bruxas era forçar o rei a abraçar a antiga religião, ameaçando o jovem rei a um destino trágico caso ele não as obedecesse.
Obviamente, como nenhum tipo de imposição nunca é bem-vinda, num primeiro momento Arthur negou o pedido delas, mas quase mudou de ideia quando viu que Mordred poderia morrer. Sendo então como todo bom herói, Arthur estava disposto a curvar-se diante das bruxas. Lembrando que uma das características de um herói é o sacrifício. Todo bom mocinho está disposto a colocar a vida em perigo para salvar alguém.
Mas coube a Merlin impedir Arthur. Nesse momento, ficou mais do que provado que Merlin exerce uma grande influencia sobre o rei. Arthur em vários momentos questionava Merlin sobre o que ele faria em seu lugar. Claro que as palavras de Merlin surtiram grande efeito sobre o rei, basicamente o jovem mago, tornou-se mentor de Arthur.
Pena que o tiro de Merlin saiu pela culatra, já que ao salvar Arthur, deixando Mordred morrer (aquele supostamente fadado a matar o rei), acabou despertando a ira das bruxas que já sabendo da profecia deixaram Mordred viver.
Enfim, agora para saber se Merlin tomou a decisão certa e se o senso de dever tanto dele quanto de Mordred continuarão falando mais alto, só acompanhando os próximos episódios.











