
Em nossa nova batalha das séries, chamamos ao ringue duas atuais veteranas do público. De um lado temos Castle, produzida e exibida pela ABC, (baseada, ligeiramente, em outro sucesso do canal nos anos 80 Moonlighting). E de outro temos Bones, exibida pelo canal FOX, (baseada nos livros e na vida da médica legista Kathy Reichs).
Três anos separam seus nascimentos, mas ainda assim, muitas similaridades podem ser encontradas em suas estruturas, o que permite lançar este duelo. Então vamos ao ataque.
Proposta.
Acho que neste quesito é onde encontramos a maior similaridade entre nossas rivais. Ambas são séries policiais de investigação criminalística, só que enquanto Bones foca na investigação forense, o que a designa com episódios mais destinados a apresentar a maneira como ocorreu a morte da vítima. Castle visa apresentar as investigações policiais e o contexto que envolve o crime como núcleo do episódio. Ainda assim, ambas propõem o mesmo objetivo, investigar crimes com uma dupla nada ortodoxa e muito menos compatíveis, mas que encontram em suas diferenças a chance de completar os espaços em branco que cercam a vítima de um assassinato e o seu responsável.
Diante de suas propostas, as séries abrem o leque para inúmeras possibilidades de assassinatos e formas de se cometer um crime. Bones aposta na segunda opção, apresentando desde pessoas que morreram e tiveram seu corpo enterrado até crimes mais nauseantes como matar, triturar o corpo e espalhar os pedaços em um parque. Castle mantém a linha mais tradicional de tiros, facadas e seus derivados, ainda que apresente grandes casos, como um corpo mantido congelado por anos ou, alguém que foi abençoado em ser assassinado a mordidas por um suposto zumbi.
É difícil definir para quem vai o ponto, mas o mérito vai para Bones, afinal de contas a maneira como a vítima é apresentada, ainda que apenas o esqueleto (o que reduz as possibilidades), a diversidade exposta na série é maior e mais curiosa do que em Castle. Bones abusa da biologia, química e física para explorar os crimes. Eu particularmente, já me vi inúmeras vezes pesquisando em livros ou na internet cenas e casos de crimes para avaliar a possibilidade real do fato.
Então, primeiro ataque Castle 0 x Bones 1.
Trama
Bones (Dr.ª Temperance Brennan) é uma antropóloga forense com grandes dificuldades de relacionamentos sociais, mas que é um gênio em sua área de atuação. Ela trabalha para o Instituto Jeffersonian, é escritora de Best Sellers nas horas vagas e, além disso, presta serviços, esporádicos, ao FBI para solucionar crimes extremamente complicados no que condiz à dificuldade em encontrar evidências que direcionem ao assassino. Brennan gosta do trabalho que desenvolve, mas percebe certa “aventura” em prestar serviços ao FBI, e por esta razão, chantageia o seu contato com a agência (Agente Seeley Booth) para que assim possa tornar-se um recurso ativo e participar de todo o caso até o seu desfecho.
Richard Castle é um famoso escritor de Best Sellers que decide matar o protagonista de seus livros ao mesmo tempo em que se encontra em um momento de bloqueio criativo. O destino coloca em seu caminho a detetive Kate Beckett, que investiga crimes cometidos com cenas descritas nos livros do autor e o posiciona como principal suspeito dos assassinatos. Castle acaba por auxilia-la em encontrar o verdadeiro assassino e durante o caso envolve-se na “magia” de investigar crimes, além de encontra na detetive o fim de seus problemas de criação, desenvolvendo a personagem Nikki Heat, o escritor vende a ideia e consegue negociar com o prefeito a chance de trabalhar ao lado de sua musa, para desenvolver seu novo Best Seller.
É fato que ambas as séries apresentam inúmeros plots durante o desenrolar dos episódios, e até por esta questão, torna-se injusto avaliar qual das duas é melhor e merece mais méritos. Bones cativa o telespectador diante de uma profissional que é definitivamente a melhor em sua área, mas que não sabe nada do mundo. Enquanto Castle trás o charme de um milionário que se empolga tanto com um crime transpassando esta admiração a quem assiste.
Diante disto, declaro empate.
Segundo ataque: Caslte 1 x Bones 2
Protagonista / Personagens
A Dr.ª Brennan (Emily Deschannel) apresenta-se como a melhor antropóloga forense do país, com excepcional capacidade de aprendizado e uma enciclopédia ambulante de conhecimento. Mas que é uma verdadeira “porta” no quesito relacionamento interpessoal. Ela é arrogante, agressiva, desafiadora, independente, com inúmeras habilidades físicas. E que acaba cativando o fã por possuir tamanha armadura, mas demonstra uma enorme fraqueza por ansiar desesperadamente, compreender o ser humano e não conseguir.
Rick Castle (Nathan Fillion) é um escritor extremamente talentoso e reconhecido pelo público. É inteligente, bonito, charmoso, e no que Bones tem de fraqueza ele entende muito bem, o comportamento e sentimento das pessoas, (logo no piloto da série ele decifra a detetive Beckett). Diferente de Brennan, que nos intriga a entender porque ela se comporta de tal maneira. Castle não é obscuro, seus pensamentos e sentimentos são um livro aberto ao telespectador, junto ao seu lado descontraído, divertido, obcecado por entender as razões de um crime unido ao seu senso de justiça, torna-se praticamente impossível não se apaixonar pelo seu personagem.
A análise apenas dos protagonistas não é suficiente para dar um veredito, então vamos aos coadjuvantes.
Os coadjuvantes de Bones são… Coadjuvantes. Nenhum personagem é intenso ou significativo em sua história.
Seeley Booth (David Boreanaz) serviu ao exército como ranger para fugir de uma família problemática de um pai bêbado que batia nos filhos. Ele é traumatizado pela quantidade de pessoas que já matou e tenta compensar o fato trazendo justiça aos seus casos. Quanto ao restante do elenco, eles têm suas participações e fazem a diferença na equipe, mas nenhum apresentou uma história de destaque durante estes oito anos. É cruel avaliar Bones desta maneira, mas a série enfoca tanto na protagonista que o resto da equipe acaba se tornando um número. Angela que é a melhor amiga de Brennan, talvez seja a única que ainda teve uma chance de brilhar (não me venham falar do Sweets, pois ele surge na terceira temporada com a missão de substituir ninguém menos que Stephen Fry, e é lógico que não conseguiu).
É difícil fazer o mesmo comparativo com Castle, uma vez que sua parceira, detetive Kate Beckett (Stana Katic) é um personagem tão intenso a ponto de se igualar ao protagonista da série em sua significância.
Kate é marcada pelo assassinato da mãe, e isto não apenas é razão da storyline da série como é o que a define. Ela não seria a fantástica detetive que é ou apresentaria tamanha personalidade senão fosse por isso. Castle é responsável por descobrir o mistério em inúmeros casos, mas a própria série apoia a ideia de que Kate não precisa dele para ser a profissional que é. Além disso, podemos ainda contar com Alexis (Molly Quinn), a filha de Richard. Um personagem que nasceu para ser apenas um coadjuvante, mas que cresceu tanto que teve a honra de ser responsável pela narrativa mais importante da história de Castle. Por fim, temos Ryan e Esposito que apresentam tanta importância ao elenco quanto a dupla protagonista durante a resolução dos casos, sem contar Montgomery que não participa mais da história, mas que foi o pivô na trama de Knockout. Além de aproveitar o momento para ensinar à sua rival nesta batalha de como podemos matar ou culpar um personagem de forma magnifica, e não como responsabilizaram o coitado do Zack naquela triste e decepcionante season finale da terceira temporada.
Neste quesito o ponto vai para Castle.
Terceiro ataque: Castle 2 x Bones 2.
Desenvolvimento
A primeira e única storyline de Bones foi apresentada ao final da 1ª temporada. Brennan foi abandonada pelos pais e pelo irmão, cresceu em um orfanato e não sabia o paradeiro da família, até que por acaso, seus auxiliares do instituto descobrem a identidade de uma pessoa morta há anos, e esta vem a ser sua mãe. A trama deste caso carregou a série até o final da 2ª temporada, quando a doutora reencontra o pai e descobre toda história que envolve seu passado. A partir da 3ª temporada, Bones se apoia em grandes assassinos e crimes bem interessantes, mas que muitas vezes falham de forma pecável em seus desfechos.
A storyline de Castle foi apresentada em meados da 1ª temporada, e foca no assassinato de Joanna Beckett, mãe de Kate Beckett. Um crime que não foi solucionado e encontra-se arquivado até o aparecimento do escritor, que investiga sozinho, realizando novas descobertas, e se vê forçado em informar a parceira. Este plot ainda não apresentou encerramento, ainda que nesta quinta temporada tenha exibido o principal responsável pelo assassinato de Joanna, e devo admitir, que nos últimos quatro anos, esta história nos rendeu os melhores episódios da série, além de apresentar um excelente desenvolvimento.
Acho que pela maneira como a storyline de Castle foi mais explorada, envolvendo novos personagens a trama, e sendo responsável pelos melhores episódios da série, o que não ocorreu com Bones, que tinha uma boa história, mas que decidiu “dar cabo” da mesma muito cedo. O ponto vai para Castle.
Quarto Ataque: Castle 3 x Bones 2.
Relacionamento do casal protagonista.
Neste quesito, já vou logo avisando, é uma lavada de Castle. Mas seria injusto não avalia-los sendo que as duas séries apoiam sua audiência nisto. Então vamos aos fatos.
O fato é que em Bones, o relacionamento do casal protagonista foi um fiasco declarado. Durante as três primeiras temporadas da série, nos iludimos com aquela tensão sexual, com as brigas de soltarem faíscas entre Brennan e Booth, sem contar episódios fantásticos como Two Bodies in the Lab. Mas nosso desejo de ver os dois juntos se esvaiu tão rápido quanto à maneira como isso ocorreu. Depois de seis longas temporadas, a atriz Emily Deschanel (recém-casada) engravidou e não tinha mais como resolver o problema senão nos enfiar goela abaixo que Brennan e Booth estavam juntos e você –telespectador- não iria ver isso. Bones é o completo exemplo de o que não se deve fazer com um casal em uma série.
Castle, por outro lado, vem e nos dá uma lição de como isso é feito. A química do casal se desenvolveu de forma fantástica entre as três primeiras temporadas, (com direito a episódios como Knockdown e Knockout), além de enormes frustrações durante a quarta temporada, e ao final da mesma recebemos de presente aquela season finale que não preciso nem defini-la, porque o Lucas já definiu: Perfeita.
Na avaliação deste quesito o desejo que tenho é de zerar a pontuação de Bones e todo o resto, porque, pelo “Amor de Deus!”, o que fizeram nesta série foi um descaso com os fãs.
Uma vez uma colega disse que os fãs de Bones nunca terão a chance de ver e sentir um episódio como Always e por tal razão, o nosso escritor dá um show durante este assalto, levando sua rival à lona.
Dito isto: Quarto ataque, Castle 4 x Bones 2.
Elenco
Eu pensei seriamente em não julgar este quesito, mas acho que é injusto não fazê-lo, pois o elenco de qualquer produção televisiva é um fator essencial ao sucesso da mesma, é o tempero final, se errar a refeição pode ser um fiasco.
Então, proponho ao julgamento de quem interessa. O casal protagonista.
Ao lado de Bones temos Emily Deschanel, que no início de seu trabalho chegou a ser reconhecida como uma das grandes promessas no elenco de jovens atrizes. Mas a verdade é Bones encontra-se em seu 8º ano e é muito difícil perceber alguma evolução interpretativa da atriz. Acredito que ela venha a merecer grandes louvores pelos episódios “The Doctor in the Photo” e “Aliens in a Spaceship”, mas devo admitir que seja pouco para os atuais 149 episódios gravados da série.
Ao lado de Emily, temos David Boreanaz, o eterno Angel, preciso dizer qual foi seu primeiro trabalho?
Boreanaz já era figurinha carimbada da FOX muito antes de Bones ver a luz do mundo, ele participou das três primeiras temporadas de Buffy, depois ganhou cinco temporadas em seu próprio seriado Angel, além da realização de pequenos trabalhos secundários. Trabalhando em Bones ele começou a investir em aulas de atuação e também direção. Não podemos negar que o cara se esforça, mas ele é muito mais bonito do que um grande ator. Chega a ser paradoxal utilizar o adjetivo “grande ator” relacionado ao nome David Boreanaz.
Do outro lado temos Nathan Fillion, que estudou e se formou em arte e drama. Surgiu nas telinhas gravando a novela One Life to Live, papel o qual lhe rendeu uma indicação ao globo de ouro. Além disso, protagonizou a série Firefly eternizando o capitão Malcolm Reynolds. Também participou de Two Guys and a Girl e Buffy, além de vários outros trabalhos. Nathan é um grande ator e tem aquele diferencial que sabe atuar bem tanto em um drama quanto fazer uma boa comédia.
Sua “parceira” Stana Katic, estudou atuação no Chicago’s Goodman School of Drama, não havia feito nenhum grande trabalho antes de Castle, mas realiza excelente atuação na série, com uma evolução interpretativa admirável, seu trabalho em Castle é marcado por cenas memoráveis chegando ao ponto do espetáculo que ela nos proporcionou gravando Kill Shot.
Definitivamente, neste quesito, o ponto vai para Castle, pois além de Nathan e Stana se apresentarem como melhores atores do que Emily e David, é indiscutível que os personagens de Richard Castle e Kate Beckett, tornaram-se mais marcantes ao longo dos anos do que Brennan e Booth.
Dito isto: Quinto ataque, Castle 5 x Bones 2.
Veredito
E no final dos ataques, Castle ganha esta batalha em larga escala de sua concorrente (Castle 5 x Bones 2). Apesar de ser uma série mais jovem, Castle apresenta sinais de que não pretende errar em pontos em que Bones errou, espero que assim seja!
PS: E para você, leitor? Qual série é a melhor e por qual motivo? Opine e discuta. Respeitando sempre as opiniões dos outros.













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