
… E provavelmente as últimas.
Spoilers Abaixo:
Nem todo executivo de televisão é um monstro capitalista em busca apenas de realização financeira. Algumas vezes os caras são sujeitos sensatos, que aceitam o prejuízo de uma empreitada para poupar os espectadores de produções vexaminosas. Às vezes eles são paladinos da justiça, que apontam para a direção certa, mas não são ouvidos.
Foi mais ou menos o que a cúpula da NBC tentou fazer. Evitar que esse desatino milionário chegasse aos nossos lares. Porém, os egos são imensos e exigem reconhecimento. Como a merda já estava feita, porque não levar ao ar?
Mockingbird Lane nasceu do desejo de Bryan Fuller (criador de Pushing Daisies), de levar para a TV uma nova versão da Família Monstro. Quem assistiu Pushing Dasies sabe que Fuller tem um estilo teatral, exagerado, que flerta com o colorido e caricato. Seria como uma espécie de Tim Burton feliz, sem a obscuridade. Para Pushing Daisies essa coisa toda funcionou, embora eu continue achando que a série não foi pra frente porque se distanciava demais da naturalidade, enquanto ao mesmo tempo não se jogava no cartunismo. Ficava no meio do caminho entre ser filme e desenho, não escolhendo um dos lados e nos cansando com fantasias de inovação.
Com ML não foi diferente. Cinco minutos no ar e já dá pra ver que Fuller piorou seus conceitos e afundou essa adaptação num poço de fracassos iminentes. Ansioso por imprimir um estilo, transformou a série numa explosão de cores vivas, mesmo que a premissa de “monstros” não sugira tal coisa nos dias de hoje. Fuller insiste em nuvens negras em cima da casa, mesmo que o sol brilhe com louvor em todas as cenas. E consegue um orçamento para efeitos especiais que mesmo dignos, não alcançam o mesmo efeito que os de Once Upon a Time (mesmo piores), conseguem.
A NBC queria uma vertente mais sensata, que situasse a família num momento atual e a abordasse com menos alegorias. Fuller queria a teatralidade de sempre, e cometeu um imenso erro. A coisa toda é infantilóide, com apelos visuais explícitos demais e que lembram muito aquela sensação que temos quando vemos os filmes da Xuxa tentando reproduzir um conto de fadas. Uma sensação de falsidade, de ceticismo. Não dá pra acreditar em nada.
E eles poderiam ter um grande texto nas mãos, se tivessem ouvido os poderosos dessa vez. O tema da inadequação é apropriadíssimo para o momento e o plot do menino que não sabe que também é um “monstro”, é muito bom. Renderia muita coisa. Embora seja um desatino aquele menino achar que é “normal” numa família como aquela, há uma certa apelação romântica no enredo em que “monstros” tentam dar ao filho um lugar na normalidade do mundo.
O elenco todo é só correto. Jerry O’Connell está esforçado no papel do pai, mas aquela “maquiagem” de “colagem frankstein” é sofrível e pode ter ajudado na piora de sua interpretação. Já Edie Izzard faz um Grandpa interessante, cruel e mais sombrio. Portia de Rossi tenta ser diva, mas pegou um personagem sem profundidade e consegue ser ofuscada até pela atriz que faz sua filha (única sem poderes na família, o que também é interessante).
Se não fosse aquela explosão de efeitos e conceitos infantis, a série até que tinha chances. Uma abordagem moderna, com certeza a teria ajudado muito. Mas assim, desorganizada e multi-colorida, ela parece realmente um projeto fadado ao fracasso. Não há em Mockingbird Lane nenhuma visão de mercado, e isso já deixa claro que ela acabou virando o produto do ego de um criador, que tapou os ouvidos pra tudo e jogou 10 milhões de dólares, no lixo.












