
O submarino que não é amarelo.
Spoilers Abaixo:
Last Resort aos poucos está conseguindo caminhar cada vez mais rumo à coesão narrativa. Evidentemente, alguns problemas ainda podem ser encontrados em alguns pontos caso seja feita uma análise mais profunda, mas podem ser facilmente esquecidos em prol de um restante que conseguiu ser eficiente e premiar a série com, de longe, o seu melhor momento destes primeiros episódios.
A trama do episódio gira em torno de uma opção de dispensa dada por Marcus aos seus marinheiros, a fim de acalmar os ânimos acirrados da tripulação, ao mesmo tempo em que este tenta, ao lado de Sam, fazer com que as baixas não sejam significativas para o contingente de homens que o USS Colorado possui.
O foco narrativo aqui é óbvio: Uma série que possui como premissa as aventuras de uma tripulação de uma embarcação militar precisa se amparar em uma relativa estabilidade entre os seus membros. Obviamente, desavenças podem e devem vir a ocorrer (os momentos de briga entre Kirk e Spock são o que Star Trek tem de melhor), mas não podem ser fragmentadas a ponto de gerar uma dúvida constante sobre determinada liderança. Neste sentido, este é claramente um episódio de Marcus Chaplim, estabelecendo-o como o comandante que o submarino precisa e pontuando os problemas que enfrentará aqui por diante.
A exemplo do que tinha comentado na review anterior, o grande momento do episódio não precisa de explosões ou uma grande tomada de ação para ocorrer. Toda a ação é mais psicológica, um medo do que pode vir a ocorrer diante do estabelecido, fazendo o espectador temer pela vida dos seus membros mesmo sabendo que racionalmente isto é pouco provável. Basta para isto a atuação de Andre Braugher, uma decisão que moralmente é difícil de ser tomada, além de uma trilha sonora que funciona ao complementar o que está sendo mostrado ao claramente emular os batimentos desenfreados de um coração.
O roteiro concebido por Patrick Masset e John Zinman acerta ao utilizar apropriadamente o chamado fenômeno da identificação. Sabendo que o espectador se identifica por aquele que se encontra fragilizado em tela, elabora uma situação onde todos os membros do elenco se encontram nesta situação. Até mesmo Brannan, que poderia a princípio servir como um falso algoz, expõe esta característica ao mostrar sua clara instabilidade após os eventos vistos em “Eight Bells”, fazendo a tentativa de sequestro mostrada ser basicamente uma chance de estabelecer a paz com seu próprio ego.
Dentro de toda essa sequência de exposição de fragilidade, quem se destaca é Andre Braugher. Mantendo sempre uma postura forte, voz ríspida e serena, dando uma impressão de controle quase que total da situação necessária para indicar sua posição de liderança. Assim como é natural uma identificação com o fragilizado, o mesmo ocorre com uma admiração por aquele que se mantém firme diante das situações enfrentadas. Como resultado, ao final do episódio se tem a percepção de Marcus como uma liderança natural e necessária àquela tripulação e é perceptível o porquê de tantos marinheiros mudarem de ideia quanto à estadia em Sainte Marina.
Vale salientar uma cena emblemática do episódio, quando o Capitão claramente mostra toda a mensagem política da série ao questionar sobre o juramento que Brannan jurou ao se alistar. Não é uma questão de ser um soldado fiel seguindo ordens, mas respeitar o fundamento máximo de um país chamado a Constituição Federal. Se Washington se esquece disso e ordena operações inconstitucionais, como pode ela querer estar certa? E em nenhum momento nada disso é exposto de forma maçante, sendo sempre orgânico ao episódio e não atrapalhando o intercalar da história.
Com todas essas qualidades, é fácil você esquecer os equívocos como todo o plot envolvendo James King, ou a esposa de Sam e seu advogado/pretendente, ou a caricatura chamada Julian Serrat, são aspectos quase que periféricos de um episódio que consegue ser consistente em seu todo. Sendo melhor esperar para fazer críticas mais contundentes caso o foco passe a residir nessas tramas e elas não conseguirem se encaixar.
Por hora, Last Resort é só alegria. Uma mistura de ação, com drama político inteligente, sem que em nenhum momento um acabe comprometendo o outro. De que mais precisamos?











