“Vendo maconha. E esta sou eu!”

Spoilers Abaixo:

Esqueça tudo o que você viu em “Weeds” nessa temporada. Isto é, se você conseguir relevar o fato de que a ficha de Nancy demorou dez longos episódios para cair. Essa conta irrita, né? Mas já dizia o profeta: antes (bem) tarde do que nunca.

Nancy e Andy perceberam que seus novos e repentinos relacionamentos não iam dar em nada. Mama Botwin terminou com o Rabino Dave. A gente não queria e sabia que isso ia acontecer. Foi preciso ela se reunir com os amigos chatos dele e ver uma foto da falecida esposa para que o bom senso surgisse. Mas vamos perdoar, porque Nancy mostrou que é mesmo lenta.

A situação de Andy é um pouco pior porque ele se casou com o problema. O seu desconforto com a relação de Dave e Nancy foi tamanho, que de fato ele chamou a primeira maluca que apareceu e a pediu em casamento. Andy fez porque quer ter filhos. A garçonete o fez porque ia ser divertido. Só se for para ela. Andy e nós não estamos vendo graça nenhuma.

Shane e Doug continuaram correndo por fora. No caso do primeiro, a gente fica um pouco mais triste porque é um personagem que sempre prometeu. É um jovem problemático, com uma mente psicótica e desejos assassinos, que tem potencial para uma história mais profunda. Pelo contrário, preferem enfiá-lo em um punhado de acontecimentos banais e supostamente cômicos.

Já Doug, não decepciona tanto. Nestes oito anos, sua história sempre foi acontecendo de forma paralela e, eventualmente, se encaixava com os acontecimentos principais. Apesar de todo o plot com os ‘sem-teto’ ser sem pé nem cabeça, é o tipo de coisa que a gente espera de um personagem que sempre foi mais abobalhado que os demais.

Mas é até legal o que estão fazendo com Doug. Graças ao poder do Google, descobri que está crescendo o número de sem teto nos Estados Unidos. Já são mais de 47 milhões os americanos que vivem abaixo da linha de pobreza. Desde a crise financeira de 2008, cerca de US$ 25 trilhões foram repassados para programas sociais. Pela minha pesquisa, também li que é grande o número de projetos ilegais que estão abocanhando parte dessa quantia.

A crítica já estava óbvia desde o começo, quando Doug passou a receber dinheiro desses fundos. Corrupção, lavagem e desvio de dinheiro, são termos que nós já estamos bastante acostumados. Nos últimos episódios, quando ele foi obrigado a aceitar os “sem-teto” para se livrar da cadeia, a coisa ficou mais descarada. É basicamente o que deve acontecer por lá: as pessoas são aceitas por instituições, sem nenhum tipo de acampamento ou programa para a sua reinserção na sociedade. Ponto para “Weeds”!

Ri duas vezes no episódio. Uma foi quando a menina jogou o tijolo no carro, chupou o dedo, passou na bunda e apontou o médio para Shane. O outro foi no momento que o mendigo disse que tinha vindo do futuro e a foto era do filho que ele ainda terá. Aliás, me perdoem a referência, mas uma das mendigas não é a cara da Janete do Zorra Total?

Por fim, o modo como Nancy encarou o término do relacionamento com o rabino serviu para que ela e Silas tivessem uma conversa sincera e definissem os rumos de seus negócios. Com a demissão do filho da Smith Johnson, Nancy teve a mesma iniciativa e agora vai voltar ao seu negócio inicial: venda de maconha.

Ainda não sei se Jenji Kohan está me fazendo de bobo, ou se isso está sendo proposital. O fato é que “Weeds” está finalmente voltando aos rumos que ansiamos há pelo menos três temporadas. Este episódio serviu para aparar todas as pontas e se tornou um excelente gancho para as realizações que devem vir no próximo episódio: o centésimo.

Chegar ao episódio de número 100 é um grande feito para uma série, ainda mais no caso de “Weeds”, que é exibida na summer season e geralmente tem apenas 13 episódios, metade de uma temporada da fall season . Logo, apesar da trama ter se arrastado até aqui, o simples fato de ser tão longeva é algo a ser comemorado.

Há algum tempo venho reclamando que a série tem brincado de cachorro e correndo em volta do próprio rabo. A promessa de um 100ª episódio bombástico, talvez explique o excesso de personagens e a criação de tramas inúteis ao longo deste oitavo ano. Ainda assim, a escolha é preguiçosa.

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