Toda vulnerabilidade será revelada.

Spoilers Abaixo:

Que episódio. Tirou nosso fôlego e prendeu nossa atenção do início ao fim. Novamente, começou com um caso que parecia não se relacionar com nada da trama principal, e terminou tendo tudo a ver com tudo, como Continuum vem fazendo desde o começo.

Depois do episódio anterior que, pode até ter sido útil, mas não foi lá muito interessante, “Playtime” conseguiu ser útil e atraente ao mesmo tempo. Nele pudemos ver a vulnerabilidade da tecnologia de Kiera. Como qualquer outra, ela não é infalível e é uma arma terrível se hackeada.

Mas, né, quem Kiera tem do lado dela? Ninguém mais, ninguém menos que O CARA. Sim, aquele garoto que resolve dançar sozinho – numa cena hilária – para comemorar algo que ele nem imaginava que podia fazer. Alec, mais uma vez, salvou o dia e a pele de Kiera, e de bandeja salvou Carlos, Kellogg e Fred, o programador que negociou com o Liber8.

O problema é que com esta solução, a vulnerabilidade da tecnologia de Kiera foi resolvida, mas Kagame percebeu que há outro meio de atingir a Protetora. E, para ele, não está difícil chegar a Alec porque existe um Julian na história. Julian admira o trabalho de Edouard, e ultimamente destila ódio toda vez que encontra o meio-irmão. Ou seja, contando que o simpatizante com certeza já é um aliado, e que para o Liber8 descobrir onde está Sadler não é nada difícil, a maior vulnerabilidade de Cameron foi, agora sim, descoberta.

Alec é apenas um menino. Ele tem certa ideia de que homem ele será no futuro, mas Kiera nunca falou abertamente disso. Ele apenas cata uma peça aqui e ali e monta o quebra-cabeça sozinho. Acontece que, mexendo na tecnologia dela, ele percebeu que aquilo só pode ser obra sua e encontrou um documento escrito pelo Alec do futuro para o Alec do presente.

O Alec do futuro sabe sobre o que já aconteceu. Sabe o que deve ou não dizer para seu eu jovem. E se esta linha temporal é a mesma daquele 2077, Kagame chegou à ele em sua juventude (porque podemos confiar que ele chegará), acontecimento do qual ele pode prevenir sua versão jovem. Ou não. Certas coisas devem acontecer espontaneamente.

O que me intriga é o que está naquele documento. Será que através dele já saberemos se Alec é mesmo um vilão? Será que através dele Alec saberá tudo sobre Kiera e o Liber8? Será que através dele Alec passará a ter um “propósito próprio”?

“Playtime” não teve só Kiera hackeada e Alec herói, teve Kellogg mandando muito bem também. Não, ele não deixou de ser mau elemento, só virou um mau elemento melhorzinho que os demais. Primeiro, ele insistiu na investida em Cameron. Olha, as intenções dele são sempre muito esquisitas, mas o fato de ele roubar a peça do dispositivo, não usá-la como vantagem, e ainda chamar a Protetora para um belo café da manhã, vai além do esquisito. Estaria Kellogg interessado nela ou fazendo jogos com ela?

Segundo, ele realmente tentou salvá-la. Que momentos agoniantes quando ele ligava para contar sobre o hackeamento e ela não atendia. No final das contas, ele foi lá dar o recado pessoalmente. E até conseguiu ajudar na bagunça que Kiera fez, mas saiu com um grande saldo negativo, pois Kagame o viu.

Por todas essas ações, começo a perguntar qual é a verdadeira vontade de Kellogg. Sabemos que ele não quer sair de 2012 e conhece muito bem este ano, que sua avó morreu nos dias atuais e ele continua vivo, e que ele é uma incógnita. Ora age como confiável, ora age como cobra. Será que tudo o que ele faz é apenas para garantir sua estadia no presente ou tem algo mais?

Este episódio mostrou também mais interação pessoal entre Kiera e Alec, cenas que aguardamos sempre com muita curiosidade. Nestes encontros, ele vem aprendendo sobre o futuro e sobre a tecnologia que ela usa, incluindo a super-roupa e o AMC. Além disso, agora ele aprendeu sobre o controle humano através de um videogame, situação parecida com uma tentativa da SadTech futuramente. Ou seja, Kiera está, mesmo sem perceber, criando o Alec do futuro. Ironia?

Betty e Lucas foram as coadjuvantes que fizeram a diferença desta vez. Betty, sempre atenta ao mundo da informática, foi ouro nesta investigação. Lucas, a vulnerabilidade do Liber8, deu de presente para Kellogg os segredos que Kagame guarda a sete chaves. Não deu todos, mas pelo menos foi o suficiente para Kiera sobrevier naquele dia.

Faltam dois episódios para acabar a primeira temporada de Continuum. A série vem intercalando episódios bem mornos com outros cheios de ação. Neste, por exemplo, Carlos até levou surra de mulher (sim, sei que é a Kiera, mas não podia perder a piada), que de tão boa deu dó do homem. Mas momentos como estes precisam ser mais recorrentes, e eles podem fazer, sim, parte de episódios com conteúdo mais “histórico”. E vocês? Acham que Continuum está regular ou concordam que neste primeiro ano ela ficou desigual?

Observação:

– Foi interessante o diálogo final, entre Alec e Kiera. Ela pede para ser reinicializada novamente, e ele diz que vai fortalecer o firewall dela. Conversa estranha, que faz sentido aqui. Ficou exatamente como uma conversa entre criador e criatura.

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