
Um salve à boa e velha True Blood.
Spoilers Abaixo:
Não é segredo para ninguém que, em algum momento, meu encantamento por True Blood se esvaiu. Não me decepcionei com nada em especial e nem mesmo perdi a fé na série, simplesmente passei a acha-la comum, simplória. E posso ter, no meio deste percurso, apontado um defeito “A” ou “B”, mas sem atribuir completamente a “culpa” a um ou outro.
No entanto, com o início desta temporada, meu interesse por True Blood foi ressurgindo. Vi o segundo episódio com mais expectativas do que tinha na premiere. E essas mesmas expectativas estavam presentes no terceiro episódio e, assustadoramente, ainda maiores no quarto… Este quinto episódio, então, me fez correr desesperadamente para frente do computador e ficar olhando impacientemente para o percentual do download do episódio torcendo para que minha força mental o fizesse ir mais rápido… Então me deliciei com mais um episódio muito bom de True Blood.
Depois desta epopeia, fui correndo comentar com uma amiga que, assim como eu, havia perdido o encantamento pela série, na esperança de que este tivesse retornado tão rápido quanto havia retornado para mim e tive que me segurar ao ouvir dela um seco: “Foi bonzinho, o episódio”.
Neste momento me caiu a ficha. True Blood nunca foi uma série para céticos, nunca foi um show para ser assistido… True Blood era uma série na qual deveríamos crer, senão nunca embarcaríamos de cabeça no caminho que nos fora proposto por Alan Ball. Talvez esteja aí o meu problema. Minha mente, que eu sempre imaginei ser bem aberta a toda e qualquer bizarrice que a série criava, talvez não fosse tão aberta assim e, em algum momento, entre panteras e fadas, o que eu achava fantástico se tornou ridículo e então minha fé em True Blood foi acabando. Foi se dissipando. Acabou.
Mas o negócio é que quando lidamos com fé, lidamos com algo predominantemente irracional, sem sentido para o “herege que não a têm”. E não sei se esse já prolongado discurso de abertura de review faz algum sentido para mais alguém senão eu, mas percebi que, depois de tanto tempo, estou eufórico com True Blood não porque ela está ótima… Talvez ela, de fato, esteja “boazinha”, mas uma vez que a série retornou à sua origem, deixou os outros seres místicos em segundo plano e se aprofunda cada vez mais em sua mitologia, recuperei minha fé de que estou diante de algo diferenciado, completamente diferente dos outros produtos televisivos produzidos.
Foram os vampiros que me fizeram assistir True Blood e são eles a grande espinha dorsal da série. Quando começamos a misturar toda a mitologia do mundo na pequena Bon Temps, os vampiros perderam espaço e, com isso, a série perdeu sua identidade. A retomada de True Blood – que ocorre juntamente com a retomada da minha fé na série – se deu a partir do momento em que os vampiros voltaram aos holofotes da história. E nenhum outro personagem era mais icônico para esta retomada do que Russel Egdington, o mais vampiro dos vampiros que já passou por True Blood.
E todo esse meu discurso sobre fé é completamente aplicável também a trama que tem se desenhado para esta temporada. Toda a trama da Autoridade traz essa discussão ao centro de tudo o que já aconteceu até aqui. E esta era uma característica de True Blood que esteve ausente nas últimas temporadas: a forma como a série consegue tratar temas como política e religião em seu contexto peculiar.
Já presenciamos em outros momentos – e estamos prestes a presenciar novamente, ao que indica os últimos acontecimentos que ocorreram com Sam e os metamorfos – o repúdio com que a comunidade humana recebeu a notícia da existência dos vampiros, mas nem imaginávamos que dentro da própria comunidade vampírica havia inúmeros grupos, inúmeras posições, muitas guiadas por ideais religiosos e, sobretudo, que uma iminente guerra entre situação e oposição pode ocorrer.
Qual o papel de Russel Egdington nessa guerra toda? Ele sabe que é um símbolo para aqueles que são contra a Autoridade ou é simplesmente um louco que quer poder e anarquia? Qual a verdadeira força da Autoridade? Onde ficarão os humanos se os vampiros guerrearem entre si? Essas e outras perguntas só indicam uma coisa: True Blood tem um caminho a ser trilhado. E um caminho genial, diga-se de passagem. Se o roteiro da série se ativer a essas questões políticas, religiosas e filosóficas a série poderá voltar a ser aquela experiência genial que era antes e eu espero muito por isso. Finalmente voltei a ter fé.
Inclusive, com todos os defeitos, aqui observamos o grande trunfo de uma série que já se encontra em sua quinta temporada: a maturidade de seus principais personagens. Tara, por exemplo, passa por uma transformação assustadora em sua vida, mas seus dramas pessoais estão mais densos e seu luto atravessa suas fases mais rápida e objetivamente. Não há espaços aqui para conflitos internos bobos, uma vez que já vimos diversas facetas dessa personagem… O mesmo se encaixa para Jessica, Pam, Jason, Bill, Eric e Sookie.
É tão bom finalmente ver cenas leves e divertidas entre Sookie, Bill, Eric e Alcide, sem que o roteiro tenha que destinar algumas situações com o simples objetivo de demonstrar a tensão que existe entre eles. Sookie amadureceu, Eric e Bill enfrentam problemas muito maiores do que já enfrentaram e Alcide passa por uma situação única em sua vida… Conhecemos esses personagens, gostamos deles, queremos profundidade, e isso nos foi dado. Quando se foca na história e deixam-se de lado conflitos bobos (necessários, por vezes, mas ainda assim bobos), podemos até nos divertir mais com Sookie bêbada ou Eric sarcástico.
Por este motivo, não quero fazer palpites, não quero imaginar o que vai acontecer após o encontro de nossos protagonistas com Russel, não quero pensar, não quero criticar, não quero analisar muitos detalhes… Só quero curtir que True Blood está de volta à sua velha forma.
É simplesmente ótimo ter fé em uma série novamente, porque só a fé faz do episódio “bonzinho” de um ser a alegria da semana de outro!
P.S.: Sabe quando desejei Tara morta? Feliz por pagar a língua. Tara com Pam tomando conta do Fangtasia é inacreditavelmente bom!
P.S. 2: Pam, me transforma! Quero você como maker!
P.S. 3: Não estou com tanta fé ainda para comentar Terry e os GI Joe incendiários… E nem mesmo a incursão de Andy na rave das fadas… Então vamos só desconsiderar essas partes? Porque, HAJA FÉ MINHA GENTE!
P.S. 4: Alan Ball, por favor, coloque Doug como personagem fixo! De preferência apenas em cenas que se passam em hospitais medonhos a noite. Obrigado.














