
A 2ª temporada de Nikita foi fantástica. Sim ou claro?
Spoilers Abaixo:
Se você conhece Nikita apenas pela série da CW, é certeza que você está maravilhado. Mas se você já assistiu ao filme e a série dos anos 90, La Femme Nikita, é mais do que certeza que você está totalmente perplexo. Eu faço parte do segundo grupo. Vi o filme, que foi escrito e dirigido pelo francês Luc Besson, e vi La Femme Nikita, cujo showrruner era Joel Surnow (o mesmo de 24 Horas). Confesso que achei o filme um tanto sem graça, e considerei que a série foi brilhante em suas duas primeiras temporadas, perdendo muito do seu brilho nas três últimas.
Então quando a CW anunciou que faria um remake, imaginei que nunca daria certo. Primeiro, porque a emissora é a CW, aquela que nós seriadores teimamos em subestimar. Segundo, porque a história de Nikita já havia sido “over-trabalhada”, e o final de LFN foi muito (muito!) decepcionante. Logo, vi a primeira parte da 1ª temporada porque já era fã da espiã, e achava que nada me convenceria a ser fã desta nova Nikita também.
Foi um grande erro meu, CLARO. A série da CW, conduzida por Craig Silverstein, pegou o final da 1ª temporada de LFN, acrescentou vários personagens, enriqueceu o enredo com novos elementos, e ousou muito além da conta. Não digo que deu certo… Deu muito certo. Sempre que eu pensava que não havia mais nada de novo para Nikita, titio Silver me mostrava que eu não podia estar mais errada.
Assim foi no final da 1ª temporada. Alex descobriu que Nikki a treinou para vingança, mas ocultou dela que foi a executora de seu pai, Nikolai Udinov. Com isso, a aprendiz se virou contra a mestra e se uniu à Division. A nova parceria consistia em Alex encontrar Nikita e a Black Box, e a Division lhe dar o suporte necessário para derrubar Sergei Semak. Michael, por sua vez, finalmente se juntou à sua amada no amor e na guerra. Amanda mostrou suas garras e deu um golpe em Percy. A Oversight saiu do escuro e “tomou” o controle da Division para evitar que a agência se descontrolasse outra vez. Desta forma, a 2ª temporada começou como a caça às Black Boxes.
No entanto, a história foi imensamente ampliada. Diferente da 1ª, que foi mais procedural, a 2ª se focou no desenvolvimento de cada personagem e nos relacionamentos entre eles. Novamente, me surpreendi na ousadia da história e em como tudo se encaixou.
Ao invés de fazer algo mais condensado, preferi fazer uma review detalhando os principais tópicos desta ótima temporada (porque eu não sou fã de jeito nenhum…). Por isto, o texto foi divido em duas partes, uma postada hoje e outra amanhã. Hoje falaremos sobre o relacionamento de Nikita com os principais personagens. Amanhã destacaremos os personagens coadjuvantes, a relação de Nikita com a Division, o que podemos esperar da 3ª temporada, e algumas das referências que a série fez à LFN.
Michael e Nikita
Diferente de muitas outras séries, Nikita nos poupou do usual mimimi que existe entre os casais protagonistas. Os dois começaram firmes e fortes, no maior estilo “Bonnie and Clyde”, roubando criminosos para comprarem armas e comida, entrando no meio das missões da Division, e fazendo infinitas juras de amor. Nikita, provando que ninguém nunca será mais mandona do que ela, sempre deu a palavra final entre os dois. Nas raras vezes em que Michael tinha a honra de falar por último, ele só ousava dizer uma coisa: sim senhora, Nikita.
Mas como todo relacionamento tem seus altos e baixos, Cassandra e Max entraram para sacudir um pouco o marasmo do romantismo. Com a presença deles, veio à tona a (imensa) vontade que Michael tem de ter filhos, a descrença que Nikita tem em si mesma como mãe, e a consequente discordância deles no assunto. Para piorar, Michael resolveu ficar um pouco com seu filho, deixando Nikki sozinha em sua cruzada. E assim estava cravada a pedra na primeira “briga oficial” de Mikita. Porém, não há nada melhor que o tempo e o perigo para unir um casal de volta, e logo Michael teve que voltar à ativa para socorrê-la.
Ciúme entre os dois é que não falta. Quando Cassandra surgiu, Nikita só ficava olhando atravessado. Sempre que Owen aparecia e se derretia em elogios a ela, os olhos de Michael soltavam umas labaredas de ciúmes. Às vezes com Ryan também era assim. Mas o melhor foi quando Birkhoff tascou o beijo (de despedida ou de esperteza?) nela. A cara de Michael naquela cena é simplesmente impagável.
O companheirismo e apoio que ambos dedicam um ao outro é perfeito. A gente viu isso em várias situações, como quando Nikita achou que tinha encontrado seu pai biológico, quando ela foi capturada por Nicholas Brandt e ele se entregou para encontrá-la, quando Michael teve que dizer adeus a Max, e quando eles decidiram voltar à Division.
Podemos dizer que este relacionamento ficou estremecido umas duas vezes, mas Michael soube perdoá-la por ela ocultar a verdade e ela conseguiu “reencontrar” o futuro dos dois. Quando chegou ao ponto de esse futuro ser a Division, Michael foi quem cedeu (claro…). De acordo com Nikki, a Division é sua casa, por isso ela queria ficar lá. E apesar dos planos dele de comprar uma casa de praia, ter uma família, uma vida “normal”, ele ficou, pois a casa dele é ela. De nada adianta tantos planos se Nikita não estivesse lá para compartilhá-los.
Alex e Nikita
Alex é mesmo uma criança. Ela acha que pode jogar jogo de gente grande. Mas a verdade é que ela é extremamente manipulável, e Percy, Amanda e Ari usaram-na várias vezes. O desejo de vingança dela era mais uma arma que os outros podiam usar para controlá-la e, mesmo que Sean tenha tentado mostrar que foco só na vingança nunca dá certo, Alex teimosa não quis ceder.
Contudo, o plano de matar Semak caiu por terra quando ela viu que sua mãe ainda estava viva. Na “combinação” de Sergei e da Division, constava matar apenas Alexandra e Nicolai, deixando a senhora Udinov viva. Além disso, assim que viu sua filha, Katya acreditava que a Division tinha lavado o cérebro dela, e Semak só estava tentando “protegê-la”. No fim, com Alex mais inteligente, esperta e madura, deu tudo certo para a matriarca, apesar de sua evidente ingenuidade em confiar sempre nas pessoas erradas.
Vale ressaltar que, com o surgimento dela na história, Alex e Nikita se reaproximaram. Depois de se encontrarem na casa dos Udinov, e Alex perceber que sozinha não chegaria a lugar nenhum, ela retornou à sombra da mestra definitivamente, voltando a fazer parte da “cruzada de Nikita”, reconhecendo que tal cruzada é muito maior e mais importante do que ela, e voltando também ao relacionamento “mãe e filha” que envolve as duas, com Nikki sempre querendo saber o que sua pupila anda aprontando. Mas antes de chegar aqui, vimos Nikita “corrigindo” a aprendiz, com direito à um braço quebrado e uma bala na perna… lições que foram muito bem assimiladas por Alexandra.
Nikita e Carla
Trabalhando o passado da protagonista, a série traz Carla, a figura materna que moldou o caráter de Nikki. Além de Carla ser a criadora da Division, ela também estava (indiretamente) envolvida na razão de Nikita ser escolhida pela agência. O 2×14 mostrou que, no meio de uma discussão na casa de Carla, o detetive Eric Deros matou Sammy, amigo de Nikki. Como num simples reflexo, ela revida e atira em Eric… Uma, duas, três, quatro vezes… Revelando já um “instinto assassino”.
Como Carla estava fugindo da Division, ela teve que sumir mais uma vez depois de deixar suas digitais na arma do crime. Assim, Nikita ficou outra vez sozinha e, nesta época, foi presa e recrutada.
Quando Carla voltou à vida dela e contou sua verdadeira história, a rivalidade “Amanda versus Carla” e a parceria “Percy com Carla” fizeram com que Nikita discordasse dela quanto ao destino da Division. Carla não só quis convencê-la de que valia à pena dar uma chance à agência, como também tentou sabotar a troca que Nikki faria, de Percy por Ryan. O resultado disso foi Birkhoff confrontá-la e acabar matando-a, tirando de Nikita, mais uma vez, sua figura materna.
Contudo, a ideia de que a Division era uma forma de “salvar vidas que o sistema jogava fora” foi semeada e cresceu dentro de Nikita. Por mais que ela negasse e retrucasse contra, a insistência de Carla colaborou muito para o que vimos na Season Finale, onde ela reconheceu que este lado bom realmente existia.
Vale destacar a continuidade que Nikki deu à “bondade” de Carla. Ela ajudou sua pupila a se livrar das drogas e a ter um rumo na vida, na esperança de que um dia ela pudesse também ajudar alguém. E esta herança acabou sendo dobrada, com Nikita salvando Alex e depois a própria Carla.
Nikita e Amanda
Para nossa (imensa) surpresa, Amanda foi tipo uma figura materna também. Assim que Nikita entra na Division e começa seu treinamento, Amanda foi a responsável por transformar aquela menina perdida em uma mulher “fatal”.
Enquanto ela enchia a recruta com suas filosofias e considerações sobre a importância e o poder que ela teria, um vínculo entre elas foi criado. Assim, para Nikki, Amanda a traiu quando a entregou para seguir as ordens de Percy. Já Amanda se sentiu traída quando a rebelde agente fugiu dali e começou sua cruzada contra a Division, principalmente por pensar que ela era a responsável pelo que Nikita se tornou.
Então, a imagem de durona dela foi traída pelo seu (inesperado) ponto fraco. Duas vezes ela teve a oportunidade de matar Nikita e recuou, fraqueza esta que Nikki usou e reconheceu como sendo seu “momento de força”. Tal falha custou muito caro para Amanda, significando o fim de sua era de poder.
No caminho inverso, Amanda também é um ponto fraco de Nikita, visto que, quando esta teve a chance de matar sua mentora, ela a deixou viver.
Nikita e Percy
Para mais uma imensa surpresa nossa, Nikita e Percy já tiveram seus momentos de identificação mútua. Quando ela começou seu trabalho na Division, ela seguia as ordens sem questionar e até guardava segredos de Michael, na época seu supervisor. Percy, por sua vez, reconheceu o “lado negro” dela, incentivou este lado, e mostrou que ela não precisava de ter vergonha em assumi-lo.
No 2×19, “Wrath” (muito propriamente denominado “ira”), vemos, pela primeira vez, ela admitir que Percy estava certo. Ela admitiu que teve satisfação em algumas de suas missões, especialmente na de Nicholas Brandt, que ela seduziu e destruiu, e ainda pediu ao chefe para torturá-lo, deixando uma bela cicatriz no rosto dele.
Ainda neste episódio, ela deixa claro para Percy que não vai desistir de impedir seus planos pois, como ele mesmo disse uma vez para ela, há monstros que precisam ser parados. O final disso nós vimos na Season Finale, onde Nikita “cansa” de ceder às chantagens dele, que sempre tinha uma desculpa para permanecer vivo. Ela, literalmente, deixa de estender a mão para o vilão, que volta para o lugar de onde nunca deveria ter saído.














