
Não assisto muitas comédias atualmente. Além de 2 Broke Girls só assisto The Big Bang Theory, uns episódios esporádicos e sem compromisso de Two And a Half Man e sempre que possível assisto uns episódios do meu primeiro amor, Friends. Ou seja, não sou muito de assistir séries desse gênero. E também não gosto de começar a assistir uma série sem saber se ela terá futuro. Tanto é que das estreias do ano passado, além de 2BG, só assisto Once Upon A Time. Concluindo: se mesmo com esses dois “empecilhos” eu estou assistindo, é porque aí tem coisa boa. E nesse caso, muita coisa boa!
Spoilers Abaixo:
Só começo a assistir uma série se a premissa dela me atrai. Tanto é que tem séries que eu assisto que pouca gente gosta e tem muita série que todo mundo é fã e eu não assisti um episódio sequer. E apesar da trama principal ser um grande clichê, ela não só me atraiu como me fez esperar ansiosamente por toda segunda-feira para assistir um novo episódio. O ritmo da série se manteve estável na maior parte do tempo, oscilando apenas em poucos episódios, mas com um nível sempre acima da média e poucas vezes me decepcionei.
Tenho certeza que o humor de 2BG não é do tipo que agrada todo mundo. Além de inúmeras referências ao cotidiano americano, a série não tem medo de fazer piadas ácidas pra qualquer tipo de pessoa (seja ela branca, negra, gay, pobre, rica, Han ou Kim Kardashian) e ousa bastante nesse quesito, não perdoando ninguém. Hoje em dia em que o “politicamente correto” virou norma é necessário destacar um programa que foge de tudo isso e brinca com o que seria o “certo”. Talvez por essa ousadia, aliada a outros fatores, que a série tenha tido uma audiência bem sólida, tendo normalmente o segundo melhor rating da noite em que é exibida.
As duas personagens principais são o que podemos chamar de (com todo o respeito) “cú e calça”. Sozinhas não funcionam direito, mas quando juntas… Caroline em nenhum momento da série foi estereotipada como a rica-loira-burra, o que seria a solução mais fácil para querer fazer humor sobre ela. Ao em vez de simplesmente a transformarem em uma Paris Hilton, os roteiristas fizeram da personagem dela muito mais que isso. Claro que tem algumas marcas características de socialites, mas o estranho seria se não as tivesse, certo? A ex-bilionária em quase todos os episódios seguiu o mesmo roteiro: otimismo, vontade de aprender, fazendo besteira, estimulando a Max e dizendo frases clichês sobre o futuro delas. E mesmo tendo chances de ser uma personagem que pudesse irritar (em alguns momentos ela me lembra Rachel Berry), a construção foi muito bem feita e tenho certeza que são poucos que vão dizer que não gostam dela. Já a Max, provavelmente a personagem favorita da maioria, foi a que mais me proporcionou risadas durante a temporada. Não tem um assunto em que ela não solte um comentário sujo ou politicamente incorreto. Essa sim não perdoa ninguém! Acho que essa personagem desenvolveu menos que a Caroline, afinal não foi ela quem teve uma mudança drástica na vida, mas algumas mudanças, embora sutis, já são perceptíveis. A relação dela com o Earl, de pai e filha, é onde é possível notar a verdadeira Max que se esconde atrás de sátiras. E já é possível perceber isso no relacionamento dela com a amiga, quando muitas vezes foi ela quem teve que ensiná-la o que é vida. A dupla é perfeita e a química das atrizes, que parecem ser bem amigas fora do set, é o que move a série e a faz tão divertida.
Earl, Oleg e Han completam o grupo de funcionários da lanchonete e do elenco regular. Earl dos três é o que menos aparece, apesar de ter tido um episódio dedicado a ele. Apesar de ser difícil às vezes entender o que o ator fala, ele é extremamente carismático e adoro ele junto com a Max. Já Oleg muitas vezes me dá náuseas com aquelas regatas, mas as piadas de cunhos sexuais sempre são diferentes uma das outras e apesar de algumas vezes exageradas, garantem um bom divertimento. O sotaque dele, assim como o do Han, é extremamente carregado, mas faz parte da intenção da série e não chega a me incomodar de verdade. E por último o pequenino Han que é uma graçinha e acho que um dia vai descobrir que na verdade é gay. O episódio em que ele quer “se dar bem” é de dar uma dó pela inocência e pela ingenuidade. Os três são encaixados de forma natural nos roteiros e posso afirmar com toda certeza que 2BG está bem servida de personagens secundários.
A partir do 14º episódio Jennifer Coolidge entra no elenco como recorrente, o que para mim foi uma das melhores sacadas da série. Já gostava muito dela desde uma participação pequena em Friends (e o maravilhoso e hilário erro de gravação envolvendo ela e a Lisa Kudrow) e a personagem sem-noção que ela dá vida, apesar de ser exagerada ao extremo (seja em beleza, cupcakes ou dinheiro), encaixou de forma perfeita no pequeno elenco de 2BG. A adição da Sophie abre várias novas possibilidades de histórias. Começando com a que Max e Caroline acharam que ela era uma cafetina que ouvia Bee Gees e morava com suas prostitutas (eu confesso que achei essa uma possiblidade bem plausível) até o relacionamento com o Oleg. A tensão sexual entre eles funciona muito bem e por eles serem totalmente o oposto um do outro deixa ainda mais engraçado. As indiretas sujas, a maneira como ela o trata, tudo se encaixa muito bem dentro das caracterizações dos personagens e faz deles a segunda melhor dupla da série. E não adianta a Sophie dizer que o sexo não era bom porque ela não engana ninguém!
Não vou entrar no mérito de discutir se é a melhor série de comédia atual, se é melhor que X série ou coisa do tipo. Não tenho coragem de enfrentar fãs xiitas mal-educados e, principalmente, não tenho bagagem suficiente para falar sobre séries desse gênero. Mas, das séries atuais que eu assisto de comédia ou episódio aleatórios que eu já assisti, é a melhor para mim (destaquem essa última parte!!!). 2 Broke Girls cumpre bem o seu papel que é divertir por 20 minutos. Em todos os episódios não teve um em que eu não tivesse dado uma risada e pelo menos vários sorrisos. E é isso que uma série de comédia tem que fazer, entreter a sua audiência, mas são poucas as que conseguem fazer isso comigo. Tem alguns probleminhas? Claro, como qualquer série. Mas são tão pequenos que não conseguem ofuscar o que a série tem de bom!
p.s.1: Johnny e Chestnut meio que sumiram da série por um tempo. O cavalo eu acredito que seja por causa de orçamento, mas o rapaz podia aparecer mais. Não pareceu que ele e a Max terminaram de verdade
p.s.2: Peach é um sarro. Ela e seus filhos, BRANGELINA
p.s.3: no ritmo que está a série acaba antes das meninas conseguirem o dinheiro suficiente pra abrir a loja. Tem vezes que o assunto cupcake nem é mencionado no episódio haha
Em minha opinião, os destaques da temporada:
Melhores Episódios: And The ‘90’s Horse Party (E05) | And The Really Petty Cash (E09) | And The Pop-Up Sale (E12) | And The Drug Money (E20) [o melhor da temporada em minha opinião] |
Melhores Frases/Diálogos (principalmente graças a Max, foi bem difícil resumir a um número pequeno): Caroline: me desculpe, eu não sabia que machucava tanto. É rosa! | Caroline (entrando na casa da Max): OMG, você foi roubada! Max: sempre foi assim. Caroline: OMG, muito fofo! | Max: ah ótimo, você é como uma luz noturna. Você é tão loira! | Max (ao entrar no closet da Caroline): WHAT? WHAT? This is Narnia? | Caroline (para Max): por acaso a sua infância foi baseada em “Precious”? | Max: você não ganha permissão pra ser FDP só porque é velha | Max (para Caroline): somos tão pobres que tenho uma meia que eu chamo de “minha meia boa”! [sou pobre também então] | Caroline (para o oficial da prisão): Caroline Channing plus one |Han: sou hétero. Se acostumem! | Caroline: Han eu não sabia que você gostava de cavalos também. Por que nunca falou disso? Han: Por que você nunca me pergunta sobre meus interesses!? Vou te dizer o por quê. Porque as duas só falam do “nosso negócio de cupcakes” | Sophie: qual é Max? Dar a luz em uma privada é a sua cara |Max (para Caroline): espera um pouco, estaremos ricas e continuaremos vivendo juntas?
Melhores Cenas: Max acidentalmente beijando uma mulher no metrô; Caroline atacando Max com uma arma de choque também no metrô (E01) | Caroline imitando o “choro” da Max (E02) | Caroline jogando lenços de papéis no chão para não ter que pisar no chão do dentista dentro do metrô; As duas dançando no closet da Caroline (E04) | Han dançando flash mob (E05) | Caroline cantando “Happy Birthday” (E09) | Han lendo opiniões dos clientes sobre os empregados (E12)| Caroline jogando café na parede do hospital para distrair o atendente (E16) | Caroline e Oleg se encontrando no corredor depois de nenhum dos dois terem dormido em casa; Todos da lanchonete contando segredos dos outros [isso já tinha dado certo em Friends] (E18) | Todas em que a Max cita Law & Order ou se comporta como advogada, etc (E20) | Caroline na lixeira, óbvio (E21)
Pontos que podem ser melhorados ou que podiam ter sido melhores: Abertura da série (não me agrada muito essa atual) | Algumas situações têm resoluções muito forçadas, como aquela em que a Max reclama da gorjeta para um cliente e a sua acompanhante desmancha com ele por causa disso ou então a que Caroline vende CDs do Earl | Teve uma cena que foi totalmente vergonha alheia. As meninas estavam tentando acender o forno à distância, jogando fósforos acesos dentro do forno (até aí vai) e no final, quando elas fazem isso novamente, o forno estava fechado!!!!!! | Os meninos judeus que mais pareciam dois rappers
Comentários sobre a season finale: gostei bastante desses dois episódios. Estava um pouco desconfiada com a tão anunciada participação da Martha Stewart, pois é muito fácil roteiristas errarem a mão com participações como essa e estragarem o episódio. Não foi o que aconteceu e até que a apresentadora fez o seu papel certinho. Johnny e Chestnut voltaram, só porque eu já havia comentado que eles tinham sumido; os amigos se juntaram pra ajudar as meninas a chegarem à festa; indiretas de Oleg para Sophie e vice-versa; e muuuitas piadas sujas da Max. O episódio contou com a fórmula básica, mas satisfatória da série, que fez com que esses 40 minutos fossem extramentes divertidos. Destaco a cena que mostra Max e Caroline provando vestidos, uma das minhas preferidas nessa SF. Adorei a cena porque além de ter momentos muito engraçados, me deu a impressão de que as atrizes não estavam atuando e sim sendo elas mesmas. O que é bem legal e acaba interferindo de forma positiva no próprio andamento da série, dando uma química maior ainda para as protagonistas. Outro ponto importante é o pai da Caroline, que aparece apenas em uma foto, mas já é um progresso. Por falar em progresso: elas ganharam 5 dólares vendendo cupcake, uau! Também destaco o secretário que estava muito engraçado ora falando algo, ora colocando a mão no microfone e desmentindo. Não ficou nada de grande importância pendente para a próxima temporada, fora a possível ligação da Martha Stewart dizendo que vai ajudar as meninas na empresa, porém um cliffhanger não é algo necessário em séries de comédia a meu ver. Ficarei muito feliz se a série continuar com o nível apresentado até aqui já que é algo que consegue me divertir e um monte!
p.s.1: o decote do vestido da Max era totalmente obsceno!
p.s.2: uma confissão, quando vou tirar fotos com pessoas altas faço a mesma coisa que o Han fez ;x
p.s.3: pena que o HugE Jackman não apareceu :/
p.s.4: amei a referência a Janelle Monae
Após muito pensar resolvi que na próxima temporada irei assumir as reviews de 2 Broke Girls aqui no blog. Então é isso, até setembro!














