A arte de virar como se não houvesse amanhã.

Spoilers Abaixo:

O problema de iniciar um programa de TV, seja ele uma série, um reality ou um talk show, com um nível de qualidade astronômico é que a manutenção dessa situação vai ficando mais difícil à medida que os episódios passam. O terceiro episódio de The Voice mostrou exatamente isso, com candidatos e audições que mal se comparavam aos da semana passada.

Isso não significa uma queda de qualidade do programa em si, que continua muito bem produzido, mas comecei a assistir a este episódio com uma expectativa tão alta que achei que quase todos os artistas deixaram a desejar. Fiquei com a sensação de que os coaches estavam meio sem opções e começaram a virar para qualquer coisa que soubesse cantar. Também não os senti tão animados, principalmente porque, em quase todas as audições exibidas, apenas um ou dois deles viraram. Mas chega de enrolação e mãos à obra!

Na primeira audição da noite, a edição foi bem legal com a gente e nos ajudou a ter uma sensação levemente parecida com a dos coaches, sem ver o rosto da intérprete de uma versão interessante de “You and I” (Haley Reinhar… ehr… Lady Gaga) até que o primeiro deles – no caso, Cee Lo – virasse. Torço para que eles façam isso mais vezes. Sarah Golden foi carismática suficiente para me cativar, assim como ao Cee Lo e ao Blake, mas a cantora folk está longe de figurar entre meus favoritos. Destaque para o hilário quote do coach R&B: “Você não dá conta de nós dois, baby!” e para a raiva do Blake por ter perdido mais uma candidata para Cee Lo e suas falas vindas da “CeeLoLândia”.

A próxima candidata foi Ellen Duhe, que, por mais adorável que seja, é uma séria candidata à pior performance do programa até agora, sendo merecidamente eliminada.

Pip – sim, o cara que reclama por não ser considerado maduro se apresenta no programa mais visto da TV aberta norte-americana como PIP – nos presenteou com a audição mais superestimada do programa até agora. Pip tem uma voz agradável, mas nada extraordinária. O trecho final de “The House of the Rising Sun” (Haley Rein… digo… The Animals – que coisa, não?), “spend your life in sin and misery / in the house of the rising sun” foi um desastre completo, zero técnica, terrível mesmo! Tudo bem, era tarde demais e todos os coaches já tinham apertado o botão, mas, né, continuar fingindo que o rapaz tinha sido impecável pegou mal. Achei que o fato de ter escolhido uma música “diferente” o ajudou mais do que a performance em si. Mas nós, que acompanhamos todos os realities musicais possíveis, sabemos que qualquer um que assistiu ao último American Idol escolheria “The House of the Rising Sun” facilmente. E foi por esse artista que Christina queimou seu filme ao dizer que “já era um sucesso antes do Maroon 5 aparecer”. Não vi problema nenhum com isso (principalmente porque o Adam já me irritou demais com a história do “me escolha porque ganhei no ano passado”), mas, se conheço o público mais conservador de realities musicais, muita gente não deve ter gostado. A propósito, se Pip, que foi arrematado para o Team Adam, quiser aprender como se canta essa música e melhorar para as próximas fases, sugiro que ele clique aqui.

Achei a história da Erin Willett muito mais bacana do que sua performance de “I Want You Back” (Jackson 5). Isso é tão verdade que, mesmo não tendo achado nada demais na apresentação, fiquei feliz quando Blake a selecionou e emocionado com a felicidade da cantora. Vale ressaltar que até o drama dela é um pouco apagado porque, com as devidas trocas de gêneros, é idêntico ao de Chris Mann.

Em seguida, fomos apresentados à fofíssima Katrina Parker. Mas antes, quem tá a fim de ver uma eliminação? Pois é… enquanto cantores “just ok” passaram, o ótimo David Grace ficou pra trás. Fiquei inconformado, principalmente depois da cara de desprezo do Adam! Vai entender, né? Pelo menos o feedback dos coaches foi bacana, como sempre. Aliás, vale uma pausa para destacar que esse também é um belo diferencial do The Voice: especialmente nesta temporada, não me lembro de um só feedback de qualquer um dos coaches que não tenha sido honesto e útil para o artista, sem precisar, pra isso, botá-lo pra baixo.

De volta a Katrina, eu já havia simpatizado com ela por culpa da edição, daí ela escolhe uma música que eu adoro: “One of us” (Joan Osborne). Fui conquistado aí, mas preciso reconhecer que não achei a apresentação essa coca-cola toda. Por sorte, Adam parece estar consciente dos problemas da cantora para ajudá-la a melhorar.

Depois de ouvir Carson Daly dizendo que Christina “ainda não conseguiu encontrar ninguém para o seu time esta noite” (aham, Carson, senta lá… tá todo mundo com a mesma roupa da première até hoje!), ficou óbvio o time ao qual pertenceria Geoff McBride. O cara tem uma ótima voz, pinta de artista e se encaixou perfeitamente em “Higher Ground” (Stevie Wonder), mas deu um tiro no pé ao escolher Christina. Se ele não for para os Battle Rounds contra o excelente Jesse Campbell e perder, vou ficar de queixo caído.

A primeira excelente surpresa da noite foi Erin Martin. Quando comecei a ver seus depoimentos, pensei “Ah, essa tem cara de que vai sair fácil”. Mas a adorável princesa egípcia calou minha boca quando fez uma lindíssima interpretação de “Hey There Delilah” (The Plain White T’s, banda cujo vocalista já cantou em parceria com ninguém mais, ninguém menos que Meg & Dia). Com seu timbre único e maravilhoso, ela me deixou com sede de ouvir mais, muito mais. Ótima escolha, Cee Lo, seu fanfarrão. Erin Martin nos live shows já!!! Ah, e adorei esse gostinho que a edição nos deu da percepção dos coaches durante a entrada da artista, com Blake dizendo “Sounds like heels” e Cee Lo (já com cara de safado): “You’re right!”. E Cee Lo protegendo-a de Blake no final? E fazendo dengo naquela coisinha do papai chamada Purrfect? Enfim, a melhor audição da noite, sem dúvida!

Gente, alguém entendeu o que os coaches tanto amaram em James Massone? Ele até canta, e tem uma voz bem diferente, mas diferente nem sempre significa bom. Enfim, não gostei de vê-lo interpretando “Find Your Love” (Drake). O rapaz me passou uma forte impressão de ser extremamente limitado como cantor, mas pelo menos fiquei feliz por ele, já que, pelo tamanho da emoção que demonstrou, aquilo era realmente importante à última adição da noite ao Team Cee Lo.

Winter Rae, por outro lado, eu curti. Entendo perfeitamente que a voz dela não tenha nada diferente que chame a atenção de quem não está olhando, mas ela canta bem e, com aquele visual estiloso da cabeça aos pés (literalmente), duvido que não conquistaria parte do público votante. Agora, vamos combinar uma coisa: precisa ser corajosa pra evocar Perez Hilton, hein?

Mas nem tudo são lágrimas no The Voice! Além de ter uma história simpática com sua vovó, Chris Cauley mandou muito bem em sua interpretação de “Grenade” (Bruno Mars). Foram sábias as palavras do Cee Lo: foi a performance mais consistente da temporada até agora, agradável da primeira à última palavra cantada. A voz de Chris flui incrivelmente bem por nossos ouvidos, fiquei bem satisfeito com a performance. O único problema foi que a escolha musical permitiu que ele ficasse em uma zona de conforto – possível, mas desnecessária, já que Pia Toscano já nos ensinou que dá pra ter pontos altos em uma performance mesmo cantando Bruno Mars. Faltou um grande momento, que vários outros candidatos até piores que ele conseguiram produzir em suas apresentações. Adam, trabalhe isso com seu pupilo, que assim ele tem chance de ir longe!

Lembram-se dos combos de artistas eliminados?  Pois é, com 12 pessoas pra mostrar em duas horas, a edição optou por um combo de artistas APROVADOS. Por isso, não se apeguem muito aos três artistas do próximo parágrafo, pois, se a regra da temporada passada se repetir, audição mal exibida significa derrota nos Battle Rounds (foi justamente esse o motivo de as batalhas que aprovaram Xenia, Dia, Jeff, Beverly e Vicci terem sido 100% previsíveis no ano passado, o que me deixa meio p. da vida). Por outro lado, torçam para os seus favoritos batalharem contra esses caras, hahah.

Nathan Parrett, cuja performance não parece ter merecido mais do que a ediçãozinha meia boca que ele ganhou, foi a quarta adição do Team Adam.  Brian Fuente, o único dos três cuja audição eu lamentei não ter visto direito, mandou muito bem no rock e garantiu sua vaga no Team Blake. Já o rapper Moses Stone mostrou que Christina esqueceu-se de tomar algum remedinho antes da audição e garantiu sua vaga no time da cantora pop. Chamem-me de preconceituoso, mas garanto que já ouvi vários rappers melhores que esse e fiquei boquiaberto ao ver a diva da bancada virando pra ele. Mas é verdade que já ouvi vários piores também, então, what do I know?

O pimp spot da noite ficou com Jordis Unga. Assim como Adam, gosto muito de “Maybe I’m Amazed” (Paul McCartney). Detectei uns momentos meio assustadores na performance, mas, de forma geral, ela mandou bem. Não suficiente pra ganhar o pimp spot, na minha opinião, mas acontece. Ou será que o critério para o pimp spot é a vergonha alheia? Tivemos, até agora, o reencontro #fail dos membros do Clube do Mickey, uma mãe maluca surtando nos bastidores, e agora a hilária dancinha do pai de Jordis. Hahah. Na verdade, tenho que reconhecer que a disputa dos coaches por ela foi a mais legal da noite. E alguém além de mim se diverte demais com as reações do Blake quando os outros coaches viram depois dele? Eita cara carismático! E, com esse carisma e um dos maiores elogios que alguém já fez a um artista no The Voice, conquistou mais uma artista para o seu time (ok, foi porque ele virou primeiro, mas enfim).

Hora daquele momento feliz, em que analisamos o panorama geral dos times e da competição:

Team Adam:

Tony Lucca, Kim Yarbrough, Angel Taylor, Pip, Katrina Parker, Chris Cauley, Nathan Parrett

Team Blake:

RaeLynn, Gwen Sebastian, Jermaine Paul, Erin Willett, Brian Fuente, Jordis Unga

Team Cee Lo:

Juliet Simms, Jamar Rogers, Angie Johnson, Sarah Golden, Erin Martin, James Massone

Team Xtina:

Jesse Campbell, Chris Mann, The Line, Lindsey Pavao, Geoff McBride, Moses Stone

Na minha opinião, o Team Xtina não andou um único passo nesta noite, e a força da equipe da cantora continua nos quatro primeiros artistas. Já o perfil do Team Adam está ficando cada vez mais claro e satisfatório, enquanto o Team Cee Lo ainda manda bem e conta com os artistas mais singulares da competição. Só o Team Blake que ainda não tem ninguém que realmente tenha me cativado. Por enquanto, minha preferida é Gwen Sebastian, mas mesmo a ela acho que falta algo.

À minha lista de favoritos, que já tinha Chris Mann, Jamar Rogers e Lindsey Pavao, adicionei Chris Cauley e Erin Martin nessa noite.

Com 39 audições exibidas e 25 aprovações, passamos da metade do caminho. Restam-nos mais dois episódios de Blind Auditions. Torçamos para que apareça mais gente que nos cative!

 P.S. – Quem aí assistiu a “Two and a Half Men” esta semana e também concluiu que a CBS está oficialmente com medo do The Voice?

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Guto Cristino
Guto Cristino é engenheiro químico, jornalista e administrador. Nessa salada toda, o tempero constante é a paixão por séries e por Christina Aguilera, sempre presentes em seu cada vez mais curto tempo livre. No Série Maníacos desde 2011, é especializado em cretinice televisiva, com foco em novelões e realities, mas garante que vê série boa de vez em quando.