O completo oposto do episódio anterior.
Spoilers Abaixo:
A sétima temporada de How I Met Your Mother tem como função o desenvolvimento pleno de seus personagens, com o propósito de preparar o terreno para o eventual final da série. Nesse aspecto, a maioria dos episódios é construída de forma a estabelecer, pontualmente, a evolução de alguns deles ao longo destes sete anos. Embora HIMYM sempre tenha tratado seus personagens com um carinho incomum para produções do gênero, esta é a temporada em que isso é feito com frequência ainda maior, o que é mais um indício da proximidade do fim. É exatamente por esse motivo que episódios como The Burning Beekeeper não funcionam dentro de um todo, e outros como The Drunk Train são tão eficazes em cumprir sua proposta.
A premissa do episódio é simples: durante uma conversa no MacClaren’s, Lily e Marshall comentam sobre a quantidade de pessoas bêbadas no trem para Long Island, o que atrai a atenção de Barney e Ted, sem companhia para o Valentine’s Day. O primeiro vinha de uma noite horrível ao ser parceiro de Ted, encarando uma mulher que não queria saber dele. Enquanto isso, Robin e Kevin são convidados para passar a data comemorativa em Vermont, onde ele a pede em casamento. Mas Robin não sabe se deve aceitar, por ainda não ter contado a ele sobre o fato de não poder ter filhos. Já Lily e Marshall descobrem que mantêm uma conta de coisas que um fez pelo outro.
Ao contrário de The Burning Beekeeper, a estrutura do episódio é comum e não merece grande destaque. Não poderia ser diferente, principalmente pelo fato de The Drunk Train se focar muito mais no conteúdo do que na forma. Aliás, é curioso que este seja exibido logo em seguida àquele, já que são episódios diametralmente opostos, o que torna o anterior um ponto completamente fora da curva, caracterizando um erro de cálculo na construção da temporada.
Além da estrutura, o principal ponto que difere estes dois episódios é o tratamento dado aos personagens. Cheguei a comentar em meu review na semana anterior que o principal problema daquele roteiro não era ser considerado um filler (em uma sitcom esse termo sequer faz sentido), mas sim aproveitar seus personagens de maneira excessivamente superficial. Aqui, a situação é completamente diferente. Toda a história é construída a partir da evolução dos cinco amigos através dos anos, aproveitando as personalidades deles e seus atuais momentos de vida para criar todas as situações de forma coerente e homogênea, sem que o episódio em momento algum se mostre segmentado. Pelo contrário, a narrativa flui de forma orgânica, tornando-se ágil e bem definida.
Tome por exemplo a história envolvendo Ted e Barney. Além de incrivelmente divertida, aproveitando mais uma vez a incrível química entre Radnor e Harris, o arco possui grande relevância para o prosseguimento da temporada, principalmente pelo clímax de uma situação semeada logo no season premiere: a solidão de Ted. Ao contrário de outras ocasiões, Ted se anima, após uma relutância inicial, a tentar arrumar uma transa a qualquer custo, exatamente como Barney faria. No entanto, o amigo não pensa dessa forma, já que não consegue parar de pensar em Quinn. Se em um primeiro momento essa inversão de papeis causa estranheza, ela logo faz sentido, mostrando um Barney cansado de repetidas mentiras, e fascinado por uma pessoa que supostamente não faz o seu jogo. Já para Ted, exausto por sempre procurar a mulher certa, e mesmo assim cada vez mais solitário, é natural que ele procure exatamente o que seu amigo já não deseja mais. Ou seja, a aproximação dos dois nesta temporada possui uma função que vai além da cômica, evidenciando, através do claro contraste entre os dois, a evolução dos mesmos.
Toda a discussão envolvendo Ted e Barney não torna o plot deles menos hilário. Pelo contrário, até contribui para o desenvolvimento do humor. A começar pela volta das piadas sobre o mistério que é a vida de Barney. É inteligente a forma como o roteiro insere a linha de diálogo em que ele diz ter estudado no MIT, e, no exato momento que o espectador se dá conta de desconhecer o passado acadêmico dele, Ted também chega à mesma conclusão. A forma como HIMYM trabalha esses pontos importantes de seus personagens é algo digno de nota, uma vez que são raríssimas as comédias que cuidem tão bem de suas histórias. Além disso, a cena seguinte, quando os dois chegam à brilhante conclusão de que precisam ficar bêbados para conseguirem o que querem é construída de forma competente, levando a sonoras risadas.
À parte dessa história está Robin. Não há dúvidas que a personagem é um dos grandes destaques da temporada, principalmente pelos acontecimentos recentes, que são importantíssimos para o que ocorre em The Drunk Train. A série tinha a necessidade de se livrar de Kevin, não apenas por ser inoperante humoristicamente, mas porque a história precisa avançar para o ponto que Carter Bays e Craig Thomas planejaram, que é introduzido ao final do episódio. Aliás, essa cena é bela do começo ao fim, iniciando com uma triste narração de Future Ted, passando pelo momento de profunda depressão de Robin (atente para o cigarro), que se dá conta de que as exigências dela para seu futuro afastariam grande parte dos homens. Até que chegamos ao momento que Ted finalmente assume o que Victoria insinuara tempos atrás. Apesar do espectador já saber que os dois não ficarão juntos no final, a história precisava passar por esse momento, o que mostra certa coragem da dupla de roteiristas.
Novamente, quem se mostra ligeiramente deslocado é Lily e Marshall. Embora a trama envolvendo os dois seja importante para o momento em que o bebê nascer, a pequena briga entre os dois é introduzida de forma repentina, ao contrário dos plots envolvendo todos os outros personagens, que apenas dão seguimento ao que já acontecia. Aliás, por conta da série não ter dedicado arcos ao casal, eles parecem ser os mais estagnados. É verdade que a importância deles deverá ser reestabelecida em breve, mas no momento eles geralmente representam momentos fracos dentro dos episódios.
Mesmo assim, é indiscutível que The Drunk Train seja importantíssimo para o final da temporada, aproveitando de forma completa seus personagens, como HIMYM sabe fazer com primazia. Diante dele, The Burning Beekeeper surge como uma pálida figura do que a série pode representar.














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