A HBO tem a tradição de adiantar, se não muitas vezes resolver, todos os conflitos centrais do arco narrativo no penúltimo episódio das temporadas de suas séries. Euphoria quebra essa tradição, com um penúltimo episódio deslocado que aposta em uma morte chocante como impulso para uma trama que já estava morta e só faltava ser, literalmente, enterrada.
Na semana passada foi Alamo. Nessa semana tivemos a história de origem de Ali.
Não me levem a mal, mais uma vez, como obra isolada seria algo que atestaria a qualidade da série. Mas nos últimos momentos da “corrida” gastar tempo explicando as motivações de um personagem coadjuvante que até então não tinha importância pra narrativa, não poderia importar menos.
Todo esse passado deveria ter sido mostrado na temporada passada, quando Ali era alguém com peso narrativo, o que explicaria por si só as motivações pra ele ajudar Rue. Mas agora, perdeu todo o peso emocional da vida conturbada do personagem. E de quebra entregou uma participação especial pífia de Natasha Lyonne, no esquema piscou perdeu.
Quem também continua perdida é Rue.

Quem consegue engolir essa jornada “religiosa” da personagem, no mais puro clima de “Xô Satanás”? Porque foi tirado de onde o sol não bate essa mudança repentina da personagem. Ok, desde o começo da temporada foi instilado um elemento religioso, mas de uma maneira tão porca e mal feita, que não serve como base pra essa nova atitude dela. Só nos resta ser como Lexie, porque não dá pra acreditar, principalmente por Rue trair sua amiga e tirar o dela da reta quando a corda aperta, como habitualmente ela faz.
Quem está numa situação apertada é o trio Cassie, Maddy e Nate.

Apesar de totalmente errada, a trama de camgirl de Cassie era uma das mais bem desenvolvidas até então. Aí tudo culmina com a queda e ascensão mais rápida da história da ficção, numa escolha narrativa que destrói tudo aquilo que tinha sido construído.
Nate tinha a chance de ser um contraponto interessante nisso tudo. O personagem estaria numa situação delicada, mas interessante, ao se tornar dependente da esposa, principalmente devido ao ramo profissional dela. Mas só serviu como saco de pancadas e terminou como previsto, morto de maneira brutal, mas deslocada. Numa trama que foi encerrada momentos depois.

Maddy entrou com desejo de vingança, mas acabou se tornando massa de manobra na mão de Alamo ao tentar ajudar a amiga. Totalmente irreal, de acordo com a própria trama delineada pelo roteiro pra ela.
Sam Levinson continua mais perdido do que cego no meio do tiroteio ao tentar encerrar os arcos que criou para os personagens nessa terceira temporada. Nem encontrando Jesus, ou nem com milagre, Euphoria consegue sair do buraco em que se meteu. Resta torcer que o próximo episódio seja o último da série, seja ele season ou series finale.
Em certas ocasiões, é melhor desligar os aparelhos e acabar com o sofrimento de uma vez.














