
Uma aula do humor vergonha alheia, religião e relacionamentos.
Spoilers Abaixo:
Era assim que eu me sentia quando acabei “Steve Carell”, o episódio de Life’s Too Short que conseguiu melhor aproveitar este tipo de humor. Aproveitando fazer com que nos indaguemos sobre os estereótipos que lançam sobre anões, que, parafraseando Warwick, nunca poderão ser médicos… Por serem pequenos demais!
Assim, quando vemos Warwick escalando uma estante para pegar algo, ou preso no banheiro, ou chamando atenção da vizinha porque está carregando uma caixa, estas reflexões ficam na nossa cabeça, o que é complementado pela parte envolvendo a associação pelos direitos dos anões (elemento resgatado).
E a metalinguagem de colocar um personagem falando mal de Extras, por ser uma série de pessoas fingindo serem a si mesmas, assim como Life’s Too Short? Quem não riu com isso, que atire a primeira pedra.
Mesmo com pouco tempo de tela, Steve Carell consegue ser um bom contraponto à chatice mórbida da persona de Ricky Gervais. Assim, ao vermos este reclamando do sucesso de Carell, isso ocorre não só por ele ter pedido milhões em dinheiro, mas por ser uma briga de egos e Carell ter virado o nome de The Office, autoria de Gervais. É uma brincadeira sobre a imagem que ninguém pode ser a estrela em algo de Gervais, a não ser ele mesmo, feitas pelo humor típico do comediante inglês que ressalta esse lado chato.
E a cena final com Right Said Fred, em que Warwick tenta usá-los como uma forma de ganhar as eleições? Simplesmente hilário ver ele comentando sobre a repercussão do grupo ser a maior “desde os Beatles”. Sem falar a expressão facial dele ao ver que estava perdendo, o sarcasmo ao dizer “acho que temos muitas abstenções” é a mostra de um grande ator em um papel que explora o melhor dele.

Enquanto “Ramin Karimloo” combina uma discussão sobre espiritualidade com a busca de Warwick por sua cara metade.
Logo no momentos inicias já nos divertimos com o consultor espiritual, sempre falando coisas genéricas para tentar conseguir fazer com que o cliente solte alguma informação. O que no caso, como esperado da série, beirou o nonsense, devido à falta de generalidades sobre pessoas que Warwick conhecia.
Fora isto, tivemos a ótima discussão envolvendo o dez mandamentos, algo que lembrou um pouco o clássico número de George Carlin, e crianças, mostrando a hipocrisia dos mandamentos de Moisés de considerarem proibido legalmente(não apenas do ponto de vista moral) você fazer sexo com o seu vizinho, mas não condenar a pedofilia. Fechando com a ótima pergunta sobre masturbação.
E o convidado especial Ramin Karimloo aparece para fazer o espectador discutir sobre a cientologia: A religião perfeito onde todos podem beber, fumar, usar drogas, fazer sexo, mas se acreditarem nas baboseiras ditas por eles vai para o céu.
Mas a melhor parte recai em Warwick procurando outra metade. Como na cena em que ele e um amigo vão para a balada procurando fazer sexo, o que acaba completamente errado devido à incompetência do wingman, ou a brilhante piada sobre a camisinha. Afinal, todas nós sabemos que os homens guardam camisinhas para proteção, mas… Não podemos saber disso! É como se preferíssemos que eles guardem esse segredo sombrio.
E o que falar dele saindo com a outra anã? A cada episódio, o Warwick ficcional se mostra como o anão mais preconceituoso com a sua espécie já criado na televisão, mostrando-se tão desprezível quanto os homens altos que ele tanto recrimina por discriminá-los. Por isso a dinâmica de conhecer, agradar-se, mas no fim ele não gostar de estar saindo com uma anã funciona tão bem. Conhecemos Warwick e como ele age, fazendo com que tudo isso funcione muito naturalmente.
Fomos presenteados com mais dois ótimos episódios, que preferiram mudar um pouco a estrutura, e dar menos tempo de tela para os convidados e assim possa desenvolver o protagonista melhor, algo que deu muito certo. A pergunta que eu faço é: Existiu alguma comédia novata melhor do que Life’s Too Short? Porque eu desconheço.
Beijinhos, beijinhos, tchau, tchau. @whoiska










