Definitivamente, Chuck fará falta.

Spoilers Abaixo:

Quando esta última temporada de Chuck começou, houve uma preocupação com a forma que a série procurava desenvolver seus arcos, insistindo em dar grande destaque a Morgan e esquecendo-se de encaminhar as histórias de seus personagens para o inevitável desfecho. Mas esses problemas duraram apenas três episódios, e logo os roteiristas passaram a explorar de maneira direta o que faz de Chuck uma série adorável: seus personagens. Por isso, o que vemos na série nos tempos de hoje é uma forma honesta de anunciar o fim, criando inúmeras situações que permitem ao espectador ter noção do que ocorrerá no final de janeiro, quando Chuck dará seu adeus. E este Chuck vs. The HackOff cumpre essa função de maneira competente, ainda aproveitando para desenvolver os arcos centrais da temporada.

Após a prisão de Casey, Chuck e Sarah procuram encontrar uma maneira de o coronel fugir da cadeia, ideia que é refutada por ele, que se recusa a trair seu país dessa forma. Por isso, o casalé obrigado a aceitar a missão imposta por Decker, com a condição de soltura do terceiro integrante da equipe. O objetivo é conseguir um supervírus, capaz de apagar todos os bancos de dados do mundo em menos de um segundo. Para isso, Chuck resgata suas esquecidas habilidades como hacker. Enquanto isso, Morgan tenta convencer Lester a nunca mais intoxicar Jeff, ameaçando contratar outro indiano para substitui-lo.

Um dos motivos que faz de Chuck uma das séries mais queridas da atualidade é a identificação com os personagens. Essa é, sem dúvidas, a característica mais marcante da série, desde sua primeira temporada. Por conta disso, é natural que Josh Schwartz e Chris Fedak procurem criar um vínculo emocional nessa primeira metade da temporada, justamente para que o espectador já comece a sentir a falta da série, vislumbrando seu final em uma quantidade cada vez maior de diálogos, preparados exatamente com esse propósito. Assim, o roteiro consegue cumprir a função de preparar seu público para o fim de maneira coerente e interessante.

A ideia do fim é semeada principalmente quando o roteiro procura abordar a personalidade de Chuck. Retirar o Intersect do personagem, ao final da quarta temporada, acaba mostrando-se como uma excelente maneira de explorar as habilidades naturais do espião, exibidas de forma cada vez mais evidentes, como uma forma de mostrar o crescimento do personagem ao longo dos anos. Dessa forma, mesmo que o talento do rapaz com computadores não seja algo desenvolvido recentemente, é interessante ver Chuck assumindo a liderança em uma missão sem precisar de flashes para resolver problemas. Por esse motivo, é improvável que ele volte a receber o Intersect até o final da série, uma vez que isso prejudicaria o caminho trilhado pelo personagem, impedindo que ele encerre sua evolução de uma maneira orgânica e natural.

Além de desenvolver seu protagonista, o episódio ainda estabelece um contraponto de Chuck com Sarah, que parece cada vez mais indecisa sobre seu futuro. Essa é mais uma situação criada por Schwartz e Fedak que aproxima o espectador dos personagens, que passa a se perguntar como a espiã terminará a série. Aliás, essa atmosfera de dúvidas ganha contornos cada vez mais sólidos. Diferente do que vimos em Chuck vs. The Business Trip, onde as discussões sobre o futuro tinha ares de relaxamento e diversão, aqui as indecisões passam a ser um verdadeiro problema, principalmente para Sarah. Assim, tudo o que acontece com o casal durante o episódio leva ao inevitável diálogo nos minutos finais, em que ocorre certa divergência sobre o futuro, com o desejo de Chuck em trabalhar com computadores quando tudo acabar. E, mesmo que haja um consenso momentâneo, é impossível que esse conflito não venha à tona com cada vez mais frequência nos próximos episódios.

Se Chuck e Sarah são explorados de forma eficaz, o mesmo não se pode afirmar sobre Casey, esquecido pelo episódio na maior parte do tempo. É verdade que a prisão do personagem torna necessário que ele não apareça muito, mas as cenas dele na cadeia acabam não contribuindo em nada para o episódio, limitando-se a criar algumas cenas de humor muitas vezes ineficazes, como os diálogos entre ele e Verbansky. Aliás, o novo romance de Casey se caracteriza cada vez mais como uma versão feminina do coronel, e ganha importância na trama, de forma a torná-la uma personagem essencial para o seguimento da série.

Já que falei sobre Verbansky, é importante notar os passos que Chuck dá para o desenvolvimento de seu arco central neste episódio. Se durante quase todos os 40 minutos o roteiro dá a impressão de não ter importância para a história, essa hipótese cai por terra nos minutos finais, quando a série estabelece direções cada vez mais definidas para os acontecimentos que se darão daqui para frente. E mostra que Decker representa de fato algo muito diferente do que Volkoff era na temporada anterior, sendo eliminado rapidamente, como se Schwartz e Fedak dissessem para o espectador que suas intenções são de recriar elementos presentes até a terceira temporada, com um vilão mais próximo da Aliança do que do milionário russo.

Mas não é só das tramas principais que vive Chuck. O núcleo da Buy More também surge como um elemento interessante para o episódio, ganhando uma atmosfera diferente do que se via desde a primeira temporada. O grande motivo disso é a mudança de Jeff, que dá a ele e a Lester a oportunidade de criar algo diferente, de forma a acabar com a mesmice que o núcleo vivia. Além disso, o retorno de Morgan à função de alívio cômico contribui para que a loja tenha maior destaque, já que o roteiro normalmente dá ao personagem um destaque maior do que a Jeff e Lester. E não se pode deixar de destacar a curta, mas divertidíssima, participação de Danny Pudina série, criando uma das cenas mais divertidas do episódio, que também conta com a momentânea presença de Yvette Nicole Brown.

Dessa forma, é impossível não caracterizar Chuck vs. The Hack-Offcomo um episódio agradável, ainda que não consiga superar o anterior em termos de diversão. Com a base das tramas da temporada estabelecidas, é possível afirmar que o que veremos nas próximas semanas será o aprofundamento de todas as ideias semeadas até aqui, com um clima de nostalgia cada vez mais presente.

@GabrielOliveira

Artigo anteriorCommunity – 3×10: Regional Holiday Music
Próximo artigoOnce Upon a Time – 1×07: The Heart is a Lonely Hunter