De volta ao topo.

Spoilers Abaixo:

Depois de dois episódios irregulares, American Horror Story volta a surpreender, transgredir e brincar com sua mitologia irresistível. A dois ou três episódios do fim, a série já é um grande sucesso de audiência e consagra o nome de Ryan Murphy para o escalão dos showruners quase infalíveis (digo quase porque seu belo projeto sobre transexualidade não saiu do piloto e a ótima Popular não foi reconhecida como deveria). E com um número ínfimo de decisões erradas, vai chegando ao seu finale de maneira respeitável.

O motivo desse parágrafo inicial tão cheio de fé é justamente a volta aos eixos depois de duas semanas confusas. Algo não muito comum às obras de Murphy, que uma vez desviadas do caminho, dificilmente encontram a reta novamente. Com o episódio dessa semana, fica claro então, que na verdade não vimos um desvio do caminho, mas sim algumas bifurcações necessárias. Estamos realmente diante de uma trama muito pensada e que detém o total controle de seu desenrolar.

Sabíamos por exemplo, desde algum tempo atrás, que Violet deveria estar morta, e que sua morte tinha alguma coisa a ver com Tate. Quando Murphy disse numa entrevista que o episódio Smoldering Children daria algumas respostas sobre essa questão, só ficamos lá, sentados, esperando pelo óbvio. Mas o óbvio – puro e simples – não veio. O que vimos foi uma história que unia tudo que pensávamos dela e mais violações de perspectivas, tudo bem ao estilo AHS e cheia daquele charme bizarro que tornou a série o que ela é.

O teaser nos trouxe Addie de volta, e só por isso já valia. Serviu também para nos informar que veríamos novamente um episódio centrado em Constance e Tate, e para mostrar que Larry não se queimou no incêndio da casa e sim pelas mãos do onipresente rapaz. As motivações edipianas do loirinho não me descem muito bem, mas entendo que as mães serão sempre as culpadas pelos desvios psicóticos da família americana. Aceito, mesmo achando tudo isso um pouco pobre.

Pobre como Larry insiste em ser dentro da trama. Seu melhor momento na série até agora foi aquela cena brutal em que ele reencontra a família queimada no porão. Um momento ótimo do personagem e uma manobra mitológica deliciosa para os fãs. No entanto, Larry continua não tendo função definida e essa condição foi confirmada por aquela sequência final que restringe sua participação a uma ligação estritamente emocional com Constance. Não vejo um futuro para ele nessa reta final, e nem gostaria que houvesse um.

Smoldering Children de fato, cresce mesmo é na relação entre Tate e Violet. Enquanto eu assistia às cenas, e enquanto pensava no que escrever, tinha dúvidas se essa nova faceta de Tate – a do fantasma preocupado de verdade em não ferir a amada – me agradava ou me irritava. A cada semana, as motivações do personagem parecem mudar, e os roteiros vão descrevendo ações amorais e afetivas como se não soubessem para onde ir. Mas ao pensar a respeito, percebo que algo ainda se insinua adiante e que Tate só será compreendido no final. Para nossa sorte, a morte de Violet não ter vindo por ação direta dele, é bacana. Sem falar que a cena da menina tentando fugir da casa e dando sempre no mesmo lugar foi outra manobra mitológica muito divertida para quem acompanhou a série até aqui.

Com a dinâmica de Violet e Tate definida, ficamos agora esperando por Birth, na semana que vem, Que trará os gêmeos à cena e resolverá, espero, a vida de Vivien e o papel de Constance nela. Ainda não sabemos como o fato de Constance ter tido filhos tão diferentes se correlaciona com a gravidez de Viv, mas apostaria nessa correlação.

Eu não poderia estar mais feliz. Voltamos ao que realmente interessa na série e caminhamos para uma temporada inteira de muita competência.

Diários de Addy em Flashback: Viv, aliás, continua mais coadjuvante que todos os coadjuvantes juntos.

Diários de Addy em Flashback 2: O corpo de Violet como razão para todas aquelas moscas já era uma pedra cantada desde a primeira menção aos insetos. Mesmo assim foi cool.

Diários de Addy em Flashback 3: Mitologia planejada é tudo de melhor para um roteirista. As fichas de Moira e Beau na delegacia foram um detalhe delicioso. Assim como Constance descobrindo que Travis morrera na casa e soltando um: Preciso ir até lá falar com ele. Continuo adorando essa normalidade com que os personagens lidam com os penados.

Diários de Addy em Flashback 4: Episódio escrito por James Wong, velho conhecido de Arquivo X e dono da perfeita primeira parte do episódio de Halloween. Sabia que você não ia me decepcionar, James.

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