Quem gosta de Ted Lasso sabe que a série se atenta aos detalhes, e são eles que vão direcionar a análise desse segundo episódio. Ted comenta que 11:11 é o seu horário de fazer um desejo e por “coincidência”, presenciamos o técnico fazer um pedido. A curiosidade me fez pesquisar o motivo dessa combinação e o resultado foi: recomeço. Ted costuma fazer pedidos em um horário que indica recomeço, ocupando um cargo em que ele precisa se reinventar pois não é sua área de maior domínio, em um episódio que pode indicar novos começos para vários núcleos? Ok, vamos falar disso então.

‘(I Don’t Want to Go to) Chelsea’ inicia com Keeley ainda em fase de adaptação na nova empresa, tentando se aproximar dos funcionários e da que parece ser maior desafio na KJPR, Bárbara, a diretora financeira. Keeley é gentil e ao mesmo tempo que quer passar seriedade por estar no cargo de chefe, não consegue abandonar sua essência e tenta fazer piadas para quebrar o gelo e também não aceita desrespeito no seu ambiente de trabalho.

Após oferecer uma vaga de emprego que não existe e irritar Bárbara, que claramente coloca as preocupações com as finanças em primeiro lugar, Keeley age da maneira mais apropriada que eu poderia esperar dela, chama atenção na hora sem precisar humilhar, e deixa Bárbara sem jeito por ter sido grosseira previamente. Mesmo ainda um pouco desconfortável em sua própria empresa, Keeley parece estar em um bom caminho de liderança e acredito que será capaz de criar os vínculos que para ela são importantes que existam. 

Para anunciar a nova participação de Trent Crimm no clube, temos o brilhante quarteto reunido: Higgins, Rebecca, Keeley e Ted. Não é à toa que a série está no catálogo de comédia, que sequência de cenas maravilhosas! O grupo acenando primeiro para Ted, depois para Rebecca, Roy e Jamie se estranhando quando Jamie só queria confortar o Roy e depois o time todo reagindo às novidades no clube estão no meu top de cenas mais engraçadas da série toda até agora.

E por falar em Roy, o segundo episódio foi de grande destaque para seu personagem e a atuação de Brett Goldstein, que pôde explorar o passado do jogador e o amadurecimento para deixar de lado a crítica feita por Trent e tentar um novo direcionamento na sua carreira, aproveitando mais os momentos que vive. É de se esperar que após um término, Roy não seria o tipo de pessoa que quer conversar sobre o assunto, mas foi ótima a cena em que Jamie tenta falar com ele, mesmo que tenha se tornado engraçada, foi bom ver Jamie oferecendo um abraço para o Roy quando em outro momento, na vez em que Jamie brigou com o pai no vestiário após o jogo, Roy que teve a atitude de abraçá-lo. Os personagens não precisam ser melhores amigos, mas é interessante ver essa construção de antigos “inimigos” que agora se respeitam. 

E os integrantes dessa dupla que aparentam ser os mais atingidos pela chegada do novo jogador ao Richmond, Zava. Caracterizado como um jogador brilhante, com comportamento de estrela fora de campo (que lembra bem o Jamie da primeira temporada), Zava teve sua primeira aparição ofuscando os gritos dos torcedores do Chelsea para Roy, e ao confirmarem o contrato com o Richmond, Jamie ficou incomodado porque sabe que terá que dividir os holofotes com o novo integrante. 

Esse recomeço para o Richmond conquistando o jogador cobiçado do momento também marca os novos interesses de Rebecca, que está em busca de um horário com a vidente da mãe e só nesse começo de temporada já trabalhou mais que na segunda inteira. Esse episódio também explicou mais sobre o passado de Rebecca, que contou as técnicas de Rupert para conquistá-la enquanto era bartender e como ele consegue ser manipulador a ponto de fazê-la se sentir especial, e por isso não me surpreende que ela tenha ficado tão na defensiva quando surgiu outra pessoa quis estar com ela todos os dias para se conhecerem mais e comer biscoitos. 

Como é bom ver Rebecca focada em melhorias para o clube, mesmo que ainda focada em ser melhor que Rupert, ela conseguiu convencer Zava a jogar pelo Richmond sem precisar bajular ou sequer fazer uma oferta, porque a chuva de palavras de Rebecca foram suficientes para ele saber que com ela há determinação para conseguir o que quer. E essa cena se passa logo após uma interação de Rupert e Rebecca, criando mais camadas para a ferocidade da dona do clube, que ainda não trabalhou os traumas que sofreu no relacionamento com Rupert e todos os sentimentos voltam após ser provocada por ele. Palmas para atuação de Anthony Head que em poucas palavras consegue mostrar o jeito charmoso e canalha de Rupert. 

E para concluir os recomeços, o episódio termina com a conversa entre Ted e Roy, em que Ted pontua que para alguns é melhor pedir demissão do que ser demitido, e como é típico de Ted falar uma frase que cabe mais de um significado, essa não poderia ser diferente. Além de ter saído do Chelsea antes de ser demitido, Roy conta inúmeras vezes que ele que terminou com Keeley, talvez pelo receio que em algum momento ela terminasse o namoro. E Ted, que nesse episódio aparece lendo o livro ‘Inverting The Pyramid: The History of Soccer Tactics’, aparenta estar mais interessado em aprender sobre futebol e ao mesmo tempo ainda incerto sobre sua permanência no clube, principalmente por acabar o episódio sozinho em sua sala refletindo sobre a conversa com Roy, ao som de ‘Take Courage – Andrew Bird’, em um trecho que fala justamente sobre recomeçar. 

Menções que não podem ficar de fora: 

-A segunda referência a Amsterdam foi feita. A primeira, no episódio anterior, enquanto Ted estava no aeroporto, um voo para Amsterdam foi cancelado, e nesse, um globo de neve de Amsterdam no escritório de Bárbara. Já estou atenta para saber a importância de Amsterdam nessa temporada. 

-Além de Rebecca querer uma consulta com a vidente, a onda de superstição está aumentando, Rebecca dizendo que Higgins vai trazer azar, Dani Rojas e Ted fazendo pedidos em horas iguais, até mesmo Mae no pub falando que os torcedores com cartolas estão causando má sorte ao Richmond. 

-”Ted’s breakup mix” é uma playlist e está disponível para ouvir na Apple Music (ou em outra plataforma) e o melhor para mim é a capa ser um biscoito em formato de coração partido. 

-Jamie rindo de fundo enquanto Roy grita com os jogadores no vestiário, foi bom para ele ver os gritos de Roy direcionados aos outros. 

-As reações de Beard serem gritos aleatórios é total a cara dele e ainda estar com Jane também, mas poxa coach, você merece melhor! 

-Isaac especialista em linguagem corporal? Vou torcer para que ele observe um outro possível casal dentro do clube… 

REVISÃO GERAL
Nota:
Artigo anteriorEstreias de abril de 2023 do Lionsgate+
Próximo artigoPodcast Succession – Resumão da 3ª temporada
ted-lasso-3x02-i-dont-want-to-go-to-chelseaO episódio trouxe explicações do passado de personagens e é promissor para o desenvolver da temporada, com ótimas cenas de humor e também reflexivas, bem característica de Ted Lasso. Os episódios maiores estão sendo bem utilizados, mas muitos acontecimentos podem ficar cansativos.