Que alegria poder dizer: Ted Lasso está de volta! Agora com episódios disponíveis às quartas, a terceira temporada estreou com cheiro de potencial, como diz o próprio treinador.

As primeiras temporadas tiveram sua cena de abertura e encerramento com o protagonista do principal arco da temporada, na primeira foi Rebecca e a segunda com Nate. Dessa vez, ‘Smells Like Mean Spirit’ traz o próprio Ted Lasso com uma expressão duvidosa, cansado e distraído em seus pensamentos enquanto a última chamada do voo para Kansas é feita. A mensagem de Michelle, que rapidamente descobrimos que é para Henry, deixa o questionamento se no final dessa temporada teremos Ted em uma situação parecida no aeroporto (mas isso é só um palpite meu).

Durante a volta para casa, Ted faz sua consulta com a Dra. Sharon e entendemos que seu incômodo no início da manhã não era apenas com a partida de Henry, mas também com as dúvidas sobre sua permanência em Richmond e a temporada com o time. Enquanto arruma sua casa que estava com rastros de que uma criança esteve ali, além de vermos o estádio Nelson Road com os integrantes do Richmond e o Nate deslocado na arquibancada, vemos o porta-retrato que Ted ganhou no último Natal ainda está lá, ele realmente não guardou rancor do Nate, hein. E enquanto diz que não sabe se sua presença ali está mais ajudando ou atrapalhando, ele coloca a típica caixinha de biscoitos na mochila, que de início permitiu a aproximação de Ted e Rebecca e agora faz pensar se ele enxerga que sua permanência no time é duvidosa para ambos os lados, tanto dele quanto da Rebecca.

No escritório de Rebecca, seus momentos com Higgins são sempre um divertimento, até lendo as notícias que a previsão da temporada é ter o Richmond rebaixado novamente. A Rebecca da primeira temporada jamais imaginaria que um dia iria se importar com a falta de credibilidade do Richmond nos jornais, mas o que elas ainda possuem em comum é nutrir o ódio pelo Rupert, que é percebido principalmente por Ted. Enquanto Ted enxerga Richmond contra West Ham, Rebecca apenas vê Rupert contra ela e o time. E com a raiva de Rebecca, o que retorna também é o refluxo nervoso de Higgins, coitado dele, mas chega a ser engraçado os engasgos que aparecem na hora de dar uma resposta que ele sabe que não será bem recebida.

Enquanto isso, os jogadores no vestiário estão também incomodados com os comentários sobre o time, e não estão gostando de brincadeiras sobre sair da Premier League. O Believe está de volta ao seu lugar, mesmo que remendado com fita, a palavra se tornou a essência do time e está ali para ser relembrada pelos jogadores e técnicos. Roy mostra sua aposta para o sucesso do time e eu sua defesa, diz que não tem o cérebro brilhante de Nate, e é essa fala que faz Ted e Beard perceberem que há uma insegurança ali -que fica comprovado na conversa com Keeley no final do episódio- e se isso se repetir, é capaz de Roy ser o novo alvo a receber um discurso bem à moda Ted Lasso para acreditar mais em si.

Mesmo com uma manhã de estresse, Rebecca não perde a oportunidade de almoçar com Keeley e que saudade da dinâmica das duas! É muito bom ver Keeley crescendo profissionalmente e ainda assim ter a mesma energia radiante de quando começou a ser responsável pelas relações públicas do Richmond, Juno Temple traz o brilho essencial para Keeley em sua atuação.

O primeiro momento de Nate é seu dia de estreia no West Ham, e muitos paralelos com o piloto da série estão presentes, seu carro mais simples em contraste com os dos jogadores, a intimidação para falar com o dono do clube, a pressão para a primeira coletiva de imprensa como técnico. Enquanto entra no clube, a trilha sonora Follow the Leader – Eric B. & Rakim é uma excelente escolha para Nate que conseguiu o posto principal e almeja ser esse líder citado na música, mas sua insegurança atrapalha o próprio caminho.

A história de Nate é uma das que mais me desperta curiosidade, como será o desenvolvimento de um personagem que tem visão de jogo e consegue montar boas táticas, mas não tem autoconfiança, que busca aceitação e reconhecimento, mas não consegue impor sua presença, e se torna rude e grosseiro com quem estiver à sua frente para ser respeitado.

Ele escolhe usar esses mecanismos para ser aceito, mas no fundo não passam de um escudo para se defender do bullying que sofria enquanto era o arrumador do vestiário e para disfarçar que não se incomoda com a ausência de reconhecimento do seu pai. Nate tem até o potencial de ser engraçado, como fez com a piada do 21º lugar, mas sua insegurança ainda é tão presente que ele só enxerga isso após a reação de Rupert.

Rebecca não é a única levando para o pessoal a rivalidade dos times, a previsão do West Ham é estar no top 5 mas Rupert só consegue rir da derrota do Richmond e não da vitória de seu time. Quando Nate consegue risadas dos jornalistas é possível ver que é isso o que ele busca, mas essa não é sua essência, o que resulta nele voltando para as ofensas que já está expert.

Os jogadores do Richmond não estão focados para o treino com tantos comentários rolando que, como forma de contornar esses pensamentos, Ted leva o time para um passeio no esgoto, e claro que uma foto deles entrando no bueiro seria uma ótima metáfora para a situação atual dos greyhounds. Enquanto Ted está fazendo suas analogias para explicar aos jogadores que eles precisam se unir e deixar a sujeira ir embora, como a rede de esgoto faz, a edição tem um ótimo destaque fazendo paralelos entre a coletiva de Nate, Rebecca assistindo com Higgins e o time em seu passeio.

É o tempo deles retornarem ao clube para que todos saibam a nova onda de piadas que está na internet, e enquanto os jogadores decidem deixar a sujeira ir embora, do mesmo jeito que o Ted ensinou no tour pelo esgoto e foi posto em prática pelo Jamie, Rebecca está longe de jogar amigavelmente e está furiosa aguardando Ted em seu escritório.
Essa cena, que conseguiria facilmente ter uma análise exclusiva separada, traz a carga emocional da Rebecca da primeira temporada, que ferve em raiva ao ser mais uma vez ridicularizada pela mídia. Em tese, o time, mas como vimos no começo, Rebecca está levando para o lado pessoal essa batalha com Rupert. Ela não está disposta a entender as táticas lúdicas de Ted para trabalhar o emocional dos jogadores, ela vê-lo revidar na mesma moeda.

Porém, esse tom ríspido tem pouca duração, e é a leve pausa feita antes de perguntar a Ted sobre os comentários de Nate que faz perceber a mudança de entonação da conversa, porque a Rebecca sabe que as acusações contra Ted poderiam atingi-lo em um nível mais profundo, e diferente da Rebecca do começo da série, ela não quer ver o técnico como alvo da imprensa e agora se sente confortável para pedir que Ted lute pelo time, por ele e por ela. Se a atuação de Hannah Waddingham no retorno da série é apenas uma prévia do que está nessa terceira temporada, mal posso esperar para presenciar extremo talento e competência para dar vida a Rebecca Welton.

Agora na coletiva do Ted as risadas continuam, mas não no mesmo sentido que incomodava Rebecca, porque a maneira de Ted lutar contra as acusações de Nate não é com ofensa ou negatividade, ele prefere manter a gentileza e ser o protagonista das piadas. Se for pra rir, que seja do seu jeito particular de usar referências o tempo todo e com o carisma do Coach Lasso, é impossível ficar contra ele, vemos apenas Ted sendo Ted.

O término de Roy e Keeley era algo possível de acontecer, eles estavam acostumados demais com a rotina juntos e a mudança nessa dinâmica talvez não sustentasse o relacionamento, mas torço muito para que eles se entendam e consigam fazer o namoro funcionar. A sabedoria de Phoebe nessa cena, posso falar assim, é de admirar o casal e também a quem assiste, que criança querida e com participações sempre bem aproveitadas.

Para encerrar o episódio, Ted continua em seu questionamento de permanecer em Richmond longe de seu filho, e é durante o facetime com Henry que ele diz que só está distante porque acredita no que faz, uma forma de reafirmar para ele mesmo suas intenções ali, mas o próprio técnico não parece tão convencido de suas palavras. Quando Henry mostra sua manopla do Thanos, um presente do amigo da mãe dele, Ted parece ver a vida passando diante de seus olhos enquanto tenta não expressar muito diante do filho. A sirene começa a tocar e é Ring the Alarm – Beyoncé que encerra o episódio, um ciúme instantâneo, necessidade de ação e medo de ser substituído representando o impacto dessa notícia para Ted, e a expectativa agora é saber quais serão as atitudes de Ted no time e na vida pessoal.
 
Menções que não podem ficar de fora:

-O centro de treinamento do Richmond agora se chama Earl Greyhound Training Facility, uma homenagem ao Earl que partiu na estreia da segunda temporada.

-O bebê que o Ted encontra no parque a caminho do estádio é o filho do Brendan Hunt (Coach Beard), e que fofura ele usando a boina bem estilo Beard.

-Beard comentando sobre o alucinógeno que o motorista ia usar enquanto esperava o time, depois do ‘Beard After Hours’, não duvido de mais nada que ele conheça.

-Ted sabendo a tática 4-4-2? Jogar Fifa realmente muda pessoas.

REVISÃO GERAL
Nota:
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ted-lasso-3x01-smells-like-mean-spirit-season-premiereValeu a pena esperar 1 ano, 5 meses e 7 dias pela nova temporada? Com certeza sim. Se a demora foi para ajustar todos os detalhes e encaixar a história nesse arco que Jason Sudeikis sempre quis contar em 3 temporadas, minhas expectativas estão altas para presenciar tudo.