Eu não queria começar mais um review de Ringer com uma imagem da Sarah, mas esse tapa doeu até em mim.

Spoilers Abaixo:

O que uma soap opera como Ringer deve fazer para se tornar algo prazeroso de assistir? Ora, ser uma soap opera! Os roteiristas de Ringer finalmente descobriram com o que estão trabalhando, leram meus reviews e decidiram escrever um roteiro ao invés de ficar criando plots clichês que não avançam e que ficam como um cachorro correndo atrás do próprio rabo.

Se o que ocorreu com Ringer acontecesse em qualquer outra série que eu assisto atualmente, eu acabaria bastante decepcionado, mas o fato de It’s Gonna Kill Me, But I’ll Do It simplesmente esquecer tudo aquilo que a série construiu nos dois últimos episódios resultou em um bom episódio. Sim, aqui quem fala é a mesma pessoa que escreveu os três últimos reviews da série.

A história de Siobhan em It’s Gonna Kill Me, But I’ll Do It é nada mais do que enrolar Tyler para se livrar dos seus problemas financeiros. Já que o seu segredo e a pessoa com quem ela se comunica são as maiores perguntas que rodeiam a série, lógico que em alguns momentos ao longo da estrada, Siobhan vai ter que ser deixada um pouco de lado para que esses mistérios não deixem de ser interessantes para o público. Como comentei em textos anteriores, a única coisa que realmente merecia atenção em Ringer é o que Siobhan está aprontando em Paris, mas o roteiro dessa semana surpreende por tirar toda a atenção que dávamos a essa história e abrir muitas portas interessantes para o futuro.

Embora deixar Siobhan um pouco de lado tenha sido uma boa ideia, as oportunidades que os roteiristas tinham para investir no mistério relacionado à personagem acabaram sendo desperdiçadas. Depois de 4 episódios, ainda não temos a mínima ideia do que ela está tramando. Sabemos que tem a ver com Bridget e a empresa de Andrew, já que Siobhan está tentado assassiná-la e está em um relacionamento com um empregado importante da empresa, mas ainda não temos nenhuma pista que nos leve a elaborar uma teoria que ligará todos os pontos desta confusa história. A ideia foi bem utilizada aqui, mas com o passar do tempo vai ficar inquietante porque seremos levados a pensar que a protagonista está apenas de férias na França.

Agora que Siobhan foi deixada um pouco de lado, o maior desafio dos roteiristas era criar uma história interessante para os outros personagens. It’s Gonna Kill Me, But I’ll Do It cometeria autodestruição se focasse nas histórias que os episódios anteriores expeliram e que acabaram sem consistência, o que acabaria impossibilitando um desenvolvimento saudável dos arcos aqui. Ao invés disso, o episódio junta os outros personagens em Hamptons para celebrar o aniversário de Shivette, possibilitando que o foco do episódio seja direcionado apenas a uma trama. Grande parte dos acontecimentos que se sucedem neste episódio, como o avanço na reconstrução do relacionamento de Shivette e Andrew, acabam sendo totalmente ofuscados pelo avanço da investigação, ocasionando o aprofundamento da desconfiança do agente Machado por Bridget Kelly, e os ótimos minutos finais.

A partir de agora, Machado tem uma prova concreta que estabeleça sua desconfiança em relação à vida perfeita de Shivette. Depois de tudo envolvendo a bolsa deixada na rodoviária, a descoberta da chamada feita por Shivette para Malcolm é mais um avanço muito importante para que essa pequena descrença se torne em uma grande obsessão. Além disso, vale observar que o ar diferente que toma conta do ambiente toda vez que ele faz uma aparição surpresa aumenta a cada cena em que o agente aparece.

Os flashbacks desse episódio acabaram não sendo tão ruins como os de duas semanas atrás, melhorando pelo lado estético, mas falhando pelo lado de desenvolvimento dos personagens. As informações passadas nas cenas com as irmãs acabam não passando nada que já não sabíamos, resultando em constantes sensações de que os roteiristas não souberam aproveitar o tempo do episódio (dica: revelem o que levou as irmãs a serem pessoas tão distantes). Na realidade, o maior feito desse elemento acabou sendo o fato de que conseguiram colocar as irmãs no mesmo quadro. Infelizmente, as irmãs foram representadas por atrizes mirins, anulando a validade do feito. Fica para a próxima.

 

Mesmo o roteiro sendo muito (melhor: MUITO) manipulativo na situação em que Gemma descobre que Siobhan estava tendo um caso com Henry, essa descoberta é importante por dois motivos: 1) Agora que Gemma descobriu quem estava a traindo, podemos comemorar que a ladainha “O Henry está me traindo” vai ser desaparecer. Desde o piloto era cansativo escutar essas palavras em todas as cenas dela. 2) Deu espaço para que Shivette abrisse o jogo com ela.

Outro grande ponto positivo de It’s Gonna Kill Me, But I’ll Do It é que ele faz com que o próximo episódio seja um must-see até para quem vem odiando a série até agora. Agente Machado se aproximando da verdade, Malcolm sendo drogado pela pessoa que quer vê-la morta e Gemma descobrindo a verdade. Perceberam que Shivette achou estar contra a parede apenas pelo fato da descoberta de sua amiga, sem saber nem da metade do que está acontecendo no seu mundo? O pior é que ela acabou cedendo à pressão e contou seu segredo. O que acontecerá quando ela estiver sobre real pressão? Gemma vai acreditar nas palavras de Shivette? Se sim, o que ela fará com a informação? As peças do quebra-cabeça não serão juntadas agora, mas as decisões que Shivette tomará quando estiver em uma situação como a desse episódio vão provar que ela não é tão passiva como algumas pessoas pensam. A verdade é que ela está desesperada e que não pensa bem quando está em situações difíceis.

No fim, It’s Gonna Kill Me, But I’ll Do It não chega a ser magnífico, mas vale seu tempo. As possibilidades deixadas aqui permitem que os roteiristas comecem a criar algo mais original e com diálogos menos genéricos como os que vimos até agora.

Outras observações:

– Ainda bem que o próximo episódio é um must-see, Ringer precisa de audiência.

– O FBI deve ter um treinamento especial para invadir as casas dos outros. Quando Machado surpreendeu Shivette no fim do episódio, eu falei: “Jesus Cristo, de onde esse homem saiu?? E para que tanta maquiagem?”

– Nem os roteiristas se importam com o Malcolm. O coitado sumiu nesse episódio, mesmo depois do cliffhanger de semana passada.

– Já que Siobhan está em um hotel que é pago pelo cara com quem ela está dormindo, podemos chamá-la de prostituta sem nenhum problema.

– Se Andrew sabe que Siobhan é vegetariana, por que ele deixou servirem carne em uma festa em que ela é a convidada especial?

– Quem os roteiristas pensavam que iriam enganar com aquele sonho no início do episódio?

– Depois do barco, baú e celulares descartáveis, tivemos uma pasta com uma etiquado marcada como “ACCOUNT TRANSFERS” dentro da maleta de um empresário. Não tenho experiência no assunto, então me respondam: é assim que importantes negociações internacionais são realizadas no século 21?

– Sempre quis ver a Sarah meio zumbi. Parabéns para a galera da maquiagem da CW!

@andre_fellipee

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