
E quem diria, The Playboy Club foi bem divertida essa semana.
Spoilers Abaixo:
Deve ter sido um lapso provocado pela interferência sopraniana de Alan Taylor, mas o fato é que TPC resolveu acordar de seu sonambulismo pretensioso calcado no estilo de David Chase e começou a fazer o que é mais importante para uma série: nos divertir.
Definitivamente, eu curti bastante a dinâmica entre as coelhinhas e acho que se os roteiros continuarem seguindo esse caminho, vamos ter ainda mais diversão pela frente.
Ainda temos todo aquele canastranismo do Eddie Cibrian, que tinha em seu personagem em Third Watch, muito mais profundidade, e agora tem sua interpretação resumida a levantar e mexer as sombracelhas. Ele é a grande representação das contradições estilísticas de The Playboy Club. Ambos – ele e a série – acham que uma certa solenidade é necessária para adquirir o status de competência que é conferido pelos setores especializados, quando de fato a força do programa não reside na elegância e sim na honestidade.
Honestidade de admitir que estamos sim, diante de uma trama despretensiosa, que pretende contar uma história simples sobre um grupo de garotas cheias de sonhos, e que trabalhavam para a lendária Playboy. Um argumento objetivo, simplório, que não precisa de floreios narrativos complexos e sim de uma boa condução. Quando se assume essa honestidade, o que temos é um resultado catártico muito bem vindo.
Maureen foi a estrela do episódio. Percebemos agora que ela pode nos render grandes coisas na temporada. Apesar dos momentos piegas que protagonizou, foi responsável por quase todos os fios condutores de narrativa. A relação de transformações com Carol-Lynne, a chave, o concurso, a amizade com Brenda, todos bons momentos do episódio que esquecendo um deslize ou outro do texto, foi bom.
Alice é uma outra personagem que pode render bons frutos. A lésbica casada com o gay, ambos fingindo para fugir da perseguição. Um terreno pouco explorado no setor da discussão homossexual, e que aqui ganha uma nova perspectiva, já que o maridinho de Alice parece ter um caráter bem discutível.
Já o conflito de Janie é bem corriqueiro. Mesmo assim, a atriz é ótima e segura muito bem a personagem. Consegue ser mais verdadeira em sua angústia, do que Maureen com aquele papo batido de querer encontrar o pai. Eu preferia ver em cena uma coelhinha com motivações menos emocionais. Todas por enquanto parecem compelidas por razões do coração, enquanto uma coelhinha mais racional ajudaria a equilibrar a balança. Embora Maureen, Janie e Brenda sejam carismáticas, as razões pelas quais vivem no TPC beiram a santidade. Adoraria que a ótima mudança de Maureen para o figurino vermelho representasse muito mais.
Por mim, matavam o Nick e a série seria só sobre as coelhinhas e sua madrasta má, a implacável Carol-Lynne. E sobre o dono da Playboy, que numa vibe “Charlie’s Angels” não dá as caras na série. Aí sim a minha diversão seria plena. Só teríamos conflitos, intrigas e pressões.
The Playboy Key: O que Maureen fez por Brenda no final do episódio é bobinho demais e já vimos milhões de vezes na TV. Mesmo assim, abri um sorrisinho.
The Best Bunny: Alice com tesão, tirando as fotos de Maureen foi a melhor sacada do episódio.
Prêmio Pieguice: Arrancava as orelhas e o rabo de Maureen se estivesse lá ouvindo aquele discurso dela na hora da entrevista com Hef. Totalmente desnecessário humanizar a personagem com esse tipo de obviedade. Ela já tinha demonstrado alguma profundidade da maneira correta: com ações e não com discursos.










