Bem, eu acho que já ficou claro que o Chibnall não tem a intenção de nós entregar alguma resposta sobre o Fluxo antes do último episódio da temporada, sendo assim eu não vou me repetir dizendo que essa não é a melhor ideia e blá blá blá, já que isso não vai mudar as coisas, não é mesmo? Então vamos focar em coisas boas, pois essa semana nos trouxe um dos melhores episódios da era Chibnall até o momento.

“Village Of The Angels” é o único episódio dessa temporada que não foi escrito inteiramente por Chibnall. Dessa vez ele divide a autoria com Maxine Alderton ( responsável pelo ótimo “The Haunting Of Villa Diodati” da temporada passada) e juntos eles entregam um trabalho exemplar que envolve as melhores características de uma história de suspense/ficção científica.

Nós finalmente tivemos o retorno de uma das personagens mais intrigantes da premiere: Claire. Ao contrário do que a maioria imaginava, ela não é uma pessoa que conhece a Doutora por causa de um encontro fora de sincronia, mas sim graças ao seu dom premonitório que também serve como ponto de partida para toda a aventura envolvendo os -sempre fascinantes- Anjos Lamentadores.

É estranho pensar que mesmo eles sendo um dos monstros mais assustadores e mais populares da franquia, a última vez na qual os Anjos foram usados como antagonista principal foi no episódio de despedida do casal Amy e Rory em “The Angels Take Manhattan” há quase uma década! E depois de todo esse tempo os assassinos silenciosos tiveram o seu merecido retorno aos holofotes da melhor forma possível. Chibnall e Alderton se mantiveram fiéis às características básicas dos Anjos, introduzindo pouquíssimas mudanças (como a capacidade de possuir uma pessoas através de uma memória e remover um lugar para fora do espaço), mas essas poucas alterações foram capazes de transmitir todo o clima de terror e ameaça que eles exalam.

O episódio também traz algumas cenas incríveis e que contribuem para o saldo positivo dessa história como, por exemplo, o túnel cercado pelas mãos dos Anjos, o Anjo de fogo e a maravilhosa cena da praia (a minha favorita). Em uma visão geral “Village Of The Angels” (comi quase todos os episódios até aqui) não contribui muito para o nosso entendimento sobre o Fluxo, mas como eu já disse antes, esse parece ser o desejo do showrunner. Mesmo assim o episódio avança em certas questões ao lançar um novo olhar sobre a Divisão, revelando que ela ainda está em atividade e é capaz de controlar até os Anjos para alcançar os seus objetivos.

E como se todo esse clima de tensão não fosse o suficiente, eis que nós presenciamos um dos raros momentos onde a Doutora não sai vitoriosa, muito pelo contrário, pois além de ser reconvocada pela Divisão, a Doutora, em uma cena angustiante, é transformada em um Anjo Lamentador!

Tudo indica que Chibnall possui outros planos além da trama do Fluxo. A minha maior dúvida é a forma como todas essas peças soltas irão se encaixar em tão pouco tempo e se elas conseguirão nos mostrar um resultado minimamente aceitável. No meio desse monte de incertezas, eu prefiro me apegar à sensação de trabalho bem feito e de qualidade alcançada por esse episódio, pois pelo menos aqui Chibnall foi feliz. Muito feliz.

REVISÃO GERAL
Nota:
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doctor-who-flux-13-04-chapter-four-village-of-the-angelsUm episódio surpreendente. Com uma história concisa e bem estruturada, Chris Chibnall e Maxine Alderton elevam a força de um dos vilões mais icônicos da série. Com certeza "Village Of The Angels" será lembrado como um dos pontos altos dessa era do show.