Em uma democracia a polarização de opiniões políticas e a aceitação sobre essa divergência é um aspecto básico e que por muitos anos funcionou muito bem, porém qualquer brasileiro vivo desde 2018 sabe como atualmente um voto se tornou praticamente um resumo sobre a personalidade da pessoa, sendo essa visão correta ou não. Tomar uma posição política se tornou um risco comercial, sendo provável que ao vangloriar ou criticar o governo uma parte do público deixe de consumir o produto.

The Good Doctor nunca adentrou o campo da política e nem tinha motivos para necessariamente falar sobre, sendo fácil fugir da polêmica. Assim, quando ficou claro que o episódio se encaminhava para essa divergência, suspirei pensando que David Shore teria que sustentar sua posição, mas o apresentado foi diferente.

Em nenhum momento do episódio temos uma opinião sobre que lado está correto. Não se posicionar pode ser algo mais perigoso do que assumir um lado, afinal irrita-se ambos os lados caso os critique e ainda soa um pouco falso não ter uma opinião sobre posicionamentos tão antagônicos. Todavia, a série foi muito inteligente ao nos contar que havia uma discussão política, mas não nos apresentar seus detalhes. Embora seja possível ter uma ideia sobre qual mãe apoiava qual político, ao não sabermos o motivo do protesto, quem atirou e definitivamente seus anseios políticos, a série praticamente impede que nossas opiniões pessoais já nos coloque do lado de alguém, abrindo margem para que foquemos apenas na violência que essa divergência causou.

O episódio não tem como objetivo descobrir a pessoa que atirou, afinal toda a história das mães e dos seus filhos é uma mera analogia para a grande realidade que vivemos. Sangues estão sendo derramados e muitas vezes nem sabemos quem é o responsável, mas sabemos exatamente quem culpar. Particularmente tenho muita dificuldade em ter essa visão, me identificando mais com a postura da Claire ao escutar sobre o voto do seu novo amigo, porém é inegável que a perspectiva maniqueísta da sociedade nunca está correta.

Não é possível dizer que todas as pessoas de direita ou de esquerda são boas ou ruins. Embora estejamos lidando com uma divergência muito maior que política, a generalização ainda é incorreta.

Não concordo nem sou tão adepto dessa postura tão bonita e utópica do episódio, mas acredito que todos possam ser um pouco menos violentos como foi pregado. Com certeza esse assunto não irá para frente na série e duvido muito que a conversa de Claire e Asher será mostrada, o que vejo como uma forma dos roteiristas não caírem numa possível armadilha e correrem risco e perder parcela do público. Ainda que ache um pouco covarde e que preconceitos não deveriam ser relativizados como política, compreendo e acho inteligente a série fazer esse papel de moderadora de um embate violento. Perde um pouco do meu respeito pessoal, mas ganha aplausos pela sábia decisão racional.

E voltando a trama que tínhamos antes, a honestidade de Park com Morgan apenas avança mais um passo na trajetória óbvia que a fará ser vulnerável e tentar algo sério com ele. Por outro lado, fiquei surpreso e preocupado em pensar na possibilidade de Lea perder o bebê. Já vimos como Shaun passou pelo luto e acreditei que focariam agora em como ele lidará com essa parte sentimental que não está acostumado. Ainda aposto que Lea não perderá o bebê, agora é esperar.

REVISÃO GERAL
Nota:
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the-good-doctor-4x15-waitingThe Good Doctor nunca adentrou o campo da política e nem tinha motivos para necessariamente falar sobre, sendo fácil fugir da polêmica. Assim, quando ficou claro que o episódio se encaminhava para essa divergência, suspirei pensando que David Shore teria que sustentar sua posição, mas o apresentado foi diferente.