Para que as coisas fiquem o mais bem definidas possível, vou dividir essa review em duas partes, em que comentarei os episódios em sequência.
5×08 – In the Room
Como já vem acontecendo há algum tempo, In the Room começa com personagens diferentes e sem qualquer conexão com a história que estamos acompanhando desde 2016. A vida de Nasir e Esther não foi jogada por acaso e sabíamos disso. Todo aquele jogo de tentar descobrir a importância do casal se tornou uma das melhores coisas do episódio. Não pela necessidade da descoberta pura e simplesmente, mas por ver que algo bonito e simples ia sair daquelas aparições. Dito e certo.

A magia por trás da tecnologia está muito atrelada as possibilidades que temos nas nossas mãos a partir dela. A genialidade de Bill Gates, Mark Zuckerberg e Katherine Johnson, por exemplo, são só nomes diante de inúmeras pessoas que tiveram ideias brilhantes ou aperfeiçoaram tecnologias que proporcionaram o avanço que temos hoje. Poder fazer ligações, enviar uma carta, acessar a internet de qualquer lugar do mundo, poder viajar para qualquer lugar. Enfim, manter a comunicação com quem você quiser, seja por vídeo, seja pessoalmente através das viagens aéreas, marítimas ou terrestres é uma dádiva (ou não, rs) e pessoas como as que mencionei acima foram as responsáveis que tornaram tudo isso realizável.
Foi bonito conhecer uma parte da história do Nasir, tão bonita quanto ver o uso da sua invenção quase que cotidianamente, religiosamente para algumas famílias, e para quaisquer fins hoje em dia, sobretudo nesse momento de pandemia que estamos vivenciando. E sei que se existem pessoas não muito adeptas ou familiarizadas com as ligações por vídeo, ao menos sabemos dar valor a quando precisamos dela, como aconteceu com a Rebecca. Que outra maneira de ver os netos senão por chamada de vídeo? Como é fascinante esse mundo em que vivemos, e ver tudo amarrado foi um dos pontos altos desse belo episódio.

No futebol tem uma máxima que diz o seguinte: “o jogo só acaba quando o juiz apita”, e por mais óbvia que ela pareça, até pela facilidade na sua compreensão, ela pode ser entendida de diversas maneiras, mas para mim ela significa mais ou menos como, o jogo só termina, as chances de ambos os times só terminam no final, só acabam quando o responsável pela partida dá fim a ela. Então tudo que acontece até seu último segundo de milésimo é possível, sem titubear. E foi essa a sensação que tive com a Kate, desde o momento do primeiro encontro com a Ellie. Tudo para mim seria desfeito segundos antes do juiz apitar, ou, segundos depois da Hailey nascer. E eu já estava preparada e armada para todo o drama que vinha após isso. Então, fico não só contente pela Kate, mas aliviada pela trama de modo geral. Perder a oportunidade do Big Three 2ª geração a troco do drama ocasionado pelo arrependimento da Ellie seria bem desnecessário e ia impossibilitar pautas mais importantes e mais interessantes de se ver.
Toda sua reação em querer ficar com a sua filha primeiro, olhar para ela, ter o primeiro contato, foi totalmente compreensível por parte da Ellie. É muito louco pensar que as mulheres geram pessoas durante 7/9 meses dentro de si e quando aquele ser vem ao mundo, é como se tudo esvaziasse, e de repente aquele ser humano se torna a pessoa mais importante para você, como se nada mais importasse. Acho compreensível querer ter esse contato, é inimaginável pensar o quão difícil é pra ela abrir mão, ainda que já previamente acordado, de algo que você era a responsável até pouco tempo antes do parto. E por mais que seja difícil pra Kate também, estando do lado oposto, apreensiva e temendo pela mudança de ideia, as dores de cada uma são legítimas e entendíveis cada uma na sua maneira.

Com todas as inseguranças, imprevistos e acidentes, Kevin finalmente conseguiu chegar no Hospital e se fez presente no nascimento dos seus filhos. Engraçado que absolutamente tudo na vida dos irmãos gira em torno do quão bom pai o Jack foi para eles. E natural imaginar que agora com os bebês no mundo, essa cobrança interna vai aumentar e se intensificar ainda mais, mesmo que involuntariamente, muito em razão de tudo que o Jack significou e significa para o Kevin.
5×09 – The Ride

Vira e mexe os roteiristas nos levam para a época que os Pearsons ainda eram bebês. Vira e mexe somos obrigados a relacionar fatos passados com presente/futuro e todas as vezes em que acontece é de uma forma diferente e única. Sempre temo pela repetitividade e falta de criatividade nos plots, mas é impressionante como quando a gente acha que viu tudo, This is Us vai lá e traz algo de novo, com as mesmas ferramentas de sempre.
De início temos uma cena flashforward que muito nos diz sobre o que esperar do futuro. Saber que uma garotinha adotada, encontrou um lar tão incrível e que um dia irá se tornar uma estatística positiva, ainda que minoritária. Ver Deja como médica é louvável e aquiesce o coração certamente, ela era a incerteza do Randall e Beth, que logo depois veio a se tornar uma das coisas mais importantes das suas vidas.
Foi a primeira vez que tivemos um enfoque no passado do Randall e Beth já casados e com filhas, em verdade, a doce Annie não mudou em nada e é fácil perceber padrões de comportamento quando já conhecemos a natureza das personagens. E isso se deve não só pela perfeita escolha do casting, do ponto de vista estético, mas muito pelo respeito aos trejeitos dos respectivos papeis.

Uma das maiores dificuldades da doação aberta é o psicológico da mulher que decide, quando é o caso, é surreal pensar que o enfrentamento pós parto é tão cruel quanto o antes, tanto do ponto de vista moral quanto psicológico. Muitas são julgadas pela decisão, outras sequer chegam a sofrer com a (falsa) moralidade da sociedade, mas em ambos os casos o que vemos são mulheres decididas e convictas, que estabelecem relações e limites, mas que quando a hora chega, tudo se torna mais difícil e mais impossível de lidar.
Eu disse a vocês que tive muito medo da desistência repentina da Ellie, e isso permanece em algum nível, ainda que racionalmente falando a concretização seja mais difícil a partir de agora. Mas ainda assim, é possível ver isso se tornando um problema futuramente, ainda que Toby e Kate queiram a todo custo jogar em panos limpos com a filha, a adoção no formato “barriga de aluguel” não é livre de inconsistências e arrependimentos e o ideal é tentar ser a pessoa mais clara possível para seu filho/a, e sempre respeitando o desejo de conhecer a mãe biológica e/ou suas origens, como foi o caso do Randall.

The Ride talvez tenha servido para separar ainda mais a ideia do que é ser bom pai e pessoa na mente do Kevin. O sonho que teve com o Jack foi pontual e necessário, e se a Madison não tivesse deixado dormir no carro talvez aqueles 20min não tivesse acontecido. Sonho esse que proporcionou um diálogo muito bonito e honesto, direcionando Kevin para uma decisão já imaginada por nós, mas tão protelada pelo personagem. A vida com a Madison certamente será de muitas descobertas, não só deles enquanto casal, mas da paternidade e maternidade dos dois, e já prevejo (e anseio) por muitos flashbacks com a do Jack e Rebecca.
E assim, com todos os bebês são e salvos, podemos dizer que esses últimos episódios fecharam ciclos e iniciaram outros que estão por se desenvolver. Pura magia! This is Us fazendo mágica nessa 5ª temporada e se firmando como uma das melhores até agora.
The Big Eight
P.S.: Acho que não demoramos muito de sacar que era a Deja ali no Hospital. Aff, esse elenco manda bem demais, caraca!
P.S.: Já tava com saudade dos flashforwards, daqui pro final da temporada acho que vão desvendando mais coisas desse futuro um pouco distante.
P.S.: Alguém deveria fazer um santuário pra Beth, essa mulher é deusa demais.
P.S.: As mulheres fazem tudo mesmo, né?! Madison e Rebecca passaram a noite em claro, colocando 2 bebês pra fora e ainda tiveram força pra dirigir. Realmente… o mundo não nos merece.
P.S.: Rebecca falando daquele jeito com o Jack, absolutamente tudo!! Firmeza total.
P.S.: Randall é tão especial que até pedindo desculpas ele é fofo.
P.S.: Finalmente esse pedido de casamento saiu. Acho que eles fazem bem um para o outro. Como dizem por aí… #jadeucerto.
P.S.: E por fim, mas não menos importante, adorei a escolha dos nomes dos filhos do Kevin.















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