Uma temporada que injustamente será lembrada por uma rivalidade que nunca aconteceu.

Antes de escrever qualquer coisa: Jojo mereceu vencer! Tenho que deixar isso bem claro de imediato porque irei fazer algumas críticas a forma como a temporada se encaminhou para esse resultado e preciso garantir que não haja mal entendido.

Nas reviews que encerram a temporada, eu costumo comentar os últimos acontecimentos e em seguida fazer um saldo, mas nessa temporada, terei que fazer diferente porque após a eliminação de Mateus, o jogo simplesmente acabou! Todos os 6 participantes foram colocados em um mata a mata pelo público e acabaram se tornando coadjuvantes nos últimos dias.

Sem delongas, eu detestei essa estrutura com apenas uma eliminação semanal e uma fase turbo em 5 dias, principalmente porque nas semanas convencionais apenas tinham acontecimentos relevantes de segunda a quinta, com um buraco aos finais de semana. Colocar 2 eliminações nas semanas resolveria isso tão facilmente e ainda passaria a impressão que o programa era mais organizado. Sobre a interação com os participantes, eu até entendo a produção querer aproveitá-los ao máximo, tanto pelo potencial que o cast possuía e também porque não justificaria colocá-los confinados para participar somente de uma festa de encerramento. Entretanto, ver os participantes eliminados em todos esses últimos dias e interagindo com os remanescentes apenas reforçou a ideia que não havia mais o que ser jogado lá dentro, principalmente pelas informações externas que receberam. Os eliminados nem se preocuparam em esconder que tudo estava encaminhado para um embate entre Biel e Jojo.

De qualquer forma, a lavagem de roupa suja serviu para duas coisas: mostrar o protagonismo de Luiza e Raissa, algo que falaremos ao final da review, quando Andrea de Nóbrega irá passar a coroa para uma das duas. Também deixou claro quanto Biel e Jojo estiveram bem longe de assumir uma importância que gostaríamos que tivessem. Mesmo Jojo deixando claro que não iria participar por estar exausta, ela não fez a menor diferença em uma dinâmica que consistia justamente em relembrar os momentos mais marcantes da temporada.

Antes de prosseguir com essa não rivalidade entre Jojo e Biel, eu gostaria de falar dos participantes que ficaram pelo caminho. Para começar, a minha grande torcida. Já elogiei muito Lidi nas reviews anteriores, mas não canso de ser repetitivo. Lidiane foi a maior surpresa que tive nessa temporada. Em um cast cheio de pessoas preocupadas em seguir a cartilha que o coach da Rafa Kalimann ensinou, Lidi brilhou ao mostrar transparência. Desde o primeiro dia, ao militar pelo xixi até seus últimos dias, ao ser a única sem medo de enfrentar a favorita e futura vencedora, Lidi conseguia trazer os holofotes para sí, até mesmo quando estava como figurante ao render os melhores memes da temporada. Ela trouxe barracos, episódios de raiva, arrasava bêbada, era estratégica, era perdida nos votos, mudou de amizades várias vezes, ao mesmo tempo foi eternamente leal a Lipe, mesmo quando esse a enviou para sentença de morte.

A Fazenda é uma reality onde me interessa muito mais o seu caminho que o resultado, por isso, consigo relevar um vencedor lixo se a temporada render vários momentos que me entreteve. Por esse motivo, eu não costumo me apegar a personagens e quando me apego, são pelos motivos errados (potencial barraco) – Mara, Nadja, Andrea, contem comigo para tudo. Por isso, eu mesmo não consigo explicar o que Lidi despertou em mim porque eu estava simplesmente apaixonado por essa mulher. Eu preciso conhecê-la, abraçá-la, tirar uma foto. Arrisco dizer que nunca me apeguei tanto a uma participante no sentido de admiração como aconteceu com a Lidi. Inclusive aproveito para citar o texto que meu colega Piloto escreveu sobre a atriz, faço de suas, as minhas palavras.

Muitas pessoas criticaram Lipe pela sentença de Lidi, eu inclusive confesso que fiquei com um pouco de raiva e até torci para sua eliminação na roça seguinte, mas temos que confessar que ele não tinha o que fazer ali. Ele não poderia chamá-la para roça contra sí mesmo e arriscar uma divisão de torcidas. Inclusive Lipe até que conseguiu montar uma roça bem interessante para ele, mesmo assim, eu apostava em sua eliminação. Stef teria apoio das Sterellas, Jojo e da Raissa, enquanto Tays é bem querida pelo sofá e talvez ainda existissem órfãos dos Malynes e Bielzetes que a defendam. Os quase 30% que a metralhadora obteve deixou claro que essa votação foi bem apertada, apesar de ninguém se importar com essa roça. Tays foi outra grata surpresa pelo seu carisma. Não gostei do seu jogo, mas um mérito ela possui: foi a única que se aliou ao Biel e não tomou rejeição por isso, tudo isso graças a sua personalidade. Eu adorei ver alguns vídeos em que estava no hotel, principalmente quando comemorou ao atingir 1M no Insta. Ficou óbvio o quanto ela é querida por todo elenco e o quanto ela deve ser uma pessoa maravilhosa.

Depois das duas eliminações, amigo oculto e lavagem de roupa suja, ainda teve a última festa, momento clássico da franquia e que sempre vêm com grandes expectativas. Isso foi outro momento para Luiza e Raissa mostrarem que foram os nomes mais relevantes na temporada. Eu não me surpreendo por Luiza fazer fofoca e gerar confusão, eu não espero menos dessa lenda, a minha surpresa foi Luiza estar certa em uma briga. Fiquei sabendo que as coisas esquentaram no hotel, mas não acompanhei direito, o que importa é que Luiza expôs as várias denúncias de comportamento inadequado do JP, ícone mostrando o que é sororidade. Ainda trouxe Mirella para o enredo, mostrando que, quando ela está acordada e sem carro de som, ela tem muito a render.

Eu nunca assisto ao último episódio d’A Fazenda, não tenho paciência para o show de enrolação para simplesmente anunciar o vencedor. Por isso, apenas assisti ao Vale a Pena Ver Direito depois, que segue sendo a melhor coisa que o Mion faz na televisão e sou super a favor de deixar esse quadro no lugar do Carioca. Até que Lipe se tornou o 4º lugar e Stef, a 3º. Analisando de forma fria, Lipe era o nome que mais me agradava nessa final, ele conseguiu sair com uma imagem limpa e ainda fez o melhor jogo social dentro da casa. Ele não se envolveu em muitas brigas, ficou em cima do muro várias vezes, mas cumpriu muito bem o seu objetivo.

Stef por outro lado, me desculpem, mas não me desce. Confesso que muito da minha implicância é pelo fandon que tentava fazer ela acontecer a temporada inteira. Stef foi invisível por mais da metado do jogo e não foi por falta de oportunidade, ela estava aliada com Raissa e Mirella, quando elas se matavam, brigou com Luiza, Mateus, Biel, Lidi e nada disso se transformou em enredo. Até mesmo na festa, quando ela era a principal envolvida devido ao shipper forçado com JP – que tenho certeza que eles entraram combinando jogo de casal assim como Jake e Mariano – Luiza e Mirella roubaram todos os holofotes. A dona do Circo por ser a ex-DFCE mais bem sucedida no programa, mas foi a participação que menos gostei (beijos Gabi Prado e Bifão).

Podemos retornar a Biel e Jojo, mas para isso, dêem uma olhada na seguinte lista: 1 – Theo x Dado, 2 – Igor x Caco, 3 – Tico x Judas, 4 – Joana x Gui, 5 – Vivi x Nicole, 6 – Denise x Urach, 7 – Felipeh x Pepê&Neném, 8 – Carla x Mara, 9 – Flávia x Marcos, 10 – Gabi x Ilha, 11 – Andrea x Drika. Conseguem perceber que em TODAS AS TEMPORADAS existiram rivalidades que renderam muito mais que os dois cantores de funk? Então, minha grande decepção com essa reta final foi justamente uma temporada com tantos enredos, ter se resumido a uma expectativa que nunca se concretizou. O pior de tudo é que não posso culpá-los, os dois entraram com objetivos muito bem definidos e gerar baixaria viral não estava nos planos. Eles estavam totalmente preocupados com a imagem e a carreira após o programa que iriam construir, por isso, eles não se comportaram como rivais, apenas como duas pessoas que não se gostam e ficam cada um em seu canto.

Biel nunca escondeu que seu objetivo era limpar a sua imagem, por isso, ele não podia se exaltar aos gritos, hidratantes e água na cara que recebia. O pouco que ele mostrou foi suficiente para deixar claro que ele não mudou e nem aprendeu absolutamente nada. Fez comentários pesadíssimos e extremamente problemáticos, surtou em um episódio que a produção teve a cara de pau de esconder, além de ter se mostrado bem manipulador. A forma como ele se movimentou no programa foi positiva e preciso reconhecer, Guris da Baia, Bico Preto, Aliança dos Casal, Carrieri… Ele soube criar alianças e sobreviver aos seus desmontes, mas tudo isso só aconteceu porque ele tinha um fandon disposto a arrastá-lo até a final e com as roças triplas, ele se garantia sempre como o segundo mais votado. Vendo a pouca quantidade de seguidores que foram acrescentados ao seu Instragam, ele não conseguiu muitos fãs, mas agora ele tem passe livre para os veículos de comunicação. Por isso, é lamentável que A Fazenda tenha se prestado a esse papel.

Nossa campeã também entrou com o objetivo muito bem definido e não consigo negar que eu me decepcionei bastante com sua participação. Para alguém que alegou várias vezes que seria “expulsa e processada”, ela não chegou nem perto de entregar isso. Jojo se preparou muito antes de entrar, soube ser muito estratégica e ao mesmo tempo, vende que agia com coração. Eu queria aquela Jojo da terceira semana até o final, muito barulho, meme, cuspes… mas seria muita prepotência da minha parte questionar sua vitória, uma vez que ela não estava ali para me agradar – uma pessoa que faz parte do nicho da internet e que praticamente não vota – e sim, PARA VENCER.

Jojo tinha tudo para ser a Ana Paula Renault da vez, principalmente se ela entrasse fazendo tudo aquilo que eu gostaria. Inclusive, assim que a temporada começou, não demoraram a aparecer notícias que a colocavam como arrogante, mandona, folgada após a superestimada briga do arroz. E a cantora conseguiu reverter isso. Hoje fui visitar minha avó, ela comentou que havia ficado até tarde vendo a Record porque queria ver a Jojo ganhando. Segundo ela, “todo mundo tinha medo dela, mas ela fazia aqueles panelões para casa inteira almoçar“. Essa cena prova que Jojo pode não ter sido nem de longe a protagonistas que vários veículos noticiaram, mas ela conseguiu algo bem maior que isso: apoio do sofá.

“Sofá” se refere ao público do senso comum, que se limita a ver o que acontece na edição e define seus favoritos por motivos de identificação e admiração. Com o avanço da internet, em um fenômeno iniciado pelas “Clanessas” numa edição sem muita repercussão popular, os resultados do BBB e A Fazenda tem sido cada vez mais influenciado pelas forças dos fandons e multirões. Por isso, Jojo conseguiu fazer algo que já não via a muito tempo. Isso é ainda mais incrível quando detectamos que a maioria dos vencedores escolhidos pelo ‘sofá’ eram homens e brancos (ver os resultados das 10 primeiras temporadas do BBB), Jojo conseguiu essa identificação quebrando todos os esteriótipos.

Tentando comparar Jojo com os vencedores anteriores, eu percebi que consigo classificar o Hall de Winners em quatro categorias: a primeira, dos vencedores-protagonistas, é ocupada somente por Joana. Em sequência, aqueles vencedores que não foram o principal nome de sua temporada, mas justamente a sua relação com o protagonista que resultou em sua vitória. Aqui estão a sofrida Viviane, o chato do Ilha, a insuportável da Flávia, o estrume da Bárbara Evans – os adjetivos são para deixar claro que essa classificação não leva em consideração o meu gosto pessoal. Nicole, Nadja, Marcos e Urach foram, respectivamente, escadas indispensáveis para o sucesso que tiveram. Em terceiro, as plantas Karina e Daniel. Por fim, o esgoto dos homens tóxicos, Dado, Douglas e Lucas. A princípio, Jojo ficaria entre a segunda e a terceira classificação, ao mesmo tempo que ela não teve nenhuma narrativa relevante com os protagonistas, ela também não pode ser considerada uma planta. Porém, os realitys devem ser contextualizados e se sairmos da visão interna do jogo, estamos em um momento de pandemia, onde o sofá voltou a ter um poder de decisão, e como Jojo soube captar esse público com muita inteligência, podemos dizer que ela foi a vencedora correta para esse momento tão incorreto.

Não tem como negar o sucesso dessa temporada, e por mais que pandemia e sucesso do BBB tenham ajudado, é injusto não atribuir nenhum mérito ao próprio programa. Se tivesse sido muito ruim, a audiência não estaria estabilizada em números exorbitantes para os padrões da emissora. A sensação de um saldo positivo fica ainda melhor ao lembrar da temporada anterior…que nem deveria ser lembrada.

Como ponto positivo, tenho que falar de Mion, mesmo com o grito desnecessário a Carol, ele soube viver essa temporada. Confesso que me incomodo com seu jeito de falar, querendo ser engraçado em toda frase e também da sua falta de autonomia ao não ter jogo de cintura para contornar os erros da produção. Porém, ele se envolve como ninguém ao programa, ele se joga a essa aventura como nunca nenhum outro apresentador fez. Essa postura foi essencial para trazer o público do sofá a essa temporada, até mesmo os erros que cometeu e as emoções que sentiu só ajudaram a ter essa imagem tão grandiosa.

Como meio termo, eu vou colocar as provas. Apesar dos erros graves em duas disputa do fazendeiro, que irei colocar na conta da produção, A Fazenda dá um banho no BBB nesse quesito. Apresenta provas que exigem inúmeras competências, misturam habilidade, força, agilidade, sorte, raciocínio lógico e equilíbrio. Por isso, é possível ter vencedores diversos e o que não faltaram foram disputas emocionantes e acirradas.

Na mesma categoria, o cast. Eles possuem muito potencial e eu me empolguei bastante quando a temporada começou, mas ao longo das semanas, ficou claro que a maioria entrou com um roteiro pronto e estava mais preocupado com a imagem de sensato que passaria ao público em vez de jogar sem medo. A falta de grupos ou de estímulo da produção fez com que os famosos “votos por afinidade e com coração” reinassem durante boa parte das formações de roça e os deixasse acomodado por boa parte da temporada.

Como o pior da temporada, não há dúvidas: CARELLI! Ele praticamente errou em tudo que se propôs a fazer. Começando pela estrutura semanal, que deixou um buraco no meio da semana, podemos também citar as votações sem nenhuma verificação. Quando a temporada estava em altíssima audiência, entupiu o programa de publicidade, resultando em uma terrível poluição visual, que não combina nada com as incríveis paisagens da natureza e dos animais que o programa se propõe a mostrar. Faltou cuidado também com as interferências externas, não somente do inaceitável carro de som, mas considero a dinâmica do Faro com os peões bem desnecessária, e como ela era gravada na sexta e só exibida no domingo, só contribuiu para esse buraco no meio da semana.

Também não gostei de terem reduzido a baia para apenas 4 dias, sendo que um dos melhores momentos das festas era os participantes sendo obrigados a irem para a baia no meio da festa completamente embriagados. Além disso, com o excesso de dinâmicas patrocinadas, houve pouco espaço para atividades que tiram os participantes da zona de conforto, e elas se mostraram muito necessária, principalmente depois que a Luiza saiu. Por fim, as roças triplas, que eu tanto defendi, também deveriam ter sido usadas apenas no começo, para tirar as plantas, e é lamentável que essa estrutura que faria Andrea chegar longe ano passado, salvando a temporada, foi criada somente para arrastar o Biel.

Atualizando o ranking das temporadas, ela acaba não ficando em uma posição alta: 4>6>8>5>7>1>10>12>9>3>2>11. Mesmo rendendo momentos memoráveis, como a reunião de condomínio, a noite do hidratante e a briga RBD, a temporada se mostrou muito dependente de poucos personagens. Um ponto positivo foi que a temporada soube se reinventar em seus arcos e as alianças mudavam a cada semana, mas o final Biel x Jojo deu a impressão que tudo isso não serviu para nada.

Por fim, gostaria de chamar ao palco nossa querida Déia, também conhecida como vencedora moral d’A Fazenda 11 para passar o título de protagonista da temporada. Os indicados são: Biel, Jojo, Lidi, Luiza, Mirella e Raissa. E em uma disputa bem acirrada entre Luiza e Raissa, a vencedora é LUIZA AMBIEL. Mesmo Raissa saindo aclamada e saindo depois, Luiza vence por três motivos: Ela rendeu sem precisar de nenhum estímulo, Raissa foi muito inerte e só começou a ter destaque quando foi votada. A eliminação da Luiza rendeu uma comemoração que jamais será esquecida, enquanto a saída da Raissa é algo que estou tentando processar até agora. Por fim, na última semana, ambas eliminadas foram os maiores destaques, enquanto Raissa teve uma narrativa onde ela estava diretamente envolvida, pela briga com Selfie; Luiza não tinha nada a ver com o arco Mirella-JP-Ste e mesmo assim pegou o enredo para sí e ainda teve mais repercussão que a Raissa. Por isso, “Já lavou banheiro, Fazendeira?” dá lugar ao “Não é fofoca, é lealdade”.

Encerro agradecendo mais uma vez por todos os comentários e repercussões, esse ano, consegui manter um ritmo muito mais eficiente de postagens e respostas, e amei muito o retorno que tive. Entretanto, tenho que noticiar que não irei continuar com a cobertura do programa no ano que vem. Eu me considerava um grande fã do reality e para mim sempre foi prazeroso escrever sobre isso, mas fui me decepcionando ao longo das temporadas com muitas decisões da produção, principalmente ao dar palco para assediadores. Eu já não me sinto tão confortável repercutindo o programa, então, acho melhor encerrar por aqui. Obrigado mais uma vez!

REVISÃO GERAL
Nota:
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a-fazenda-12x14-os-ultimos-dias-season-finaleComo ponto positivo, tenho que falar de Mion, mesmo com o grito desnecessário a Carol, ele soube viver essa temporada. Confesso que me incomodo com seu jeito de falar, querendo ser engraçado em toda frase e também da sua falta de autonomia ao não ter jogo de cintura para contornar os erros da produção.